domingo, 8 de junho de 2014

Carlos Gomes lamenta notícia mentirosa em coluna social do Jornal de Hoje.

INFORMANTE LEVIANO
Lamentável a chamada de primeira página do Jornal de Hoje, coluna de Daniela Freire: um influente pesquisador local questiona como estão sendo aplicados os recursos destinados ao IHGRN, que em 2013 teria obtido uma receita superior a R$ 1 milhão. A VERDADE: existem colocações no orçamento da União e do Estado de dotações em torno dessa cifra. Até agora só foi liberada a quantia de R$ 100.000,00 (cem mil reais) do Estado, precisamente no dia 02 de janeiro de 2014.
É bom que venha o Ministério Público fiscalizar, inclusive para chamar à responsabilidade os mentirosos de plantão.
Estou indignado com a notícia “plantada”. Alguém, à sorrelfa, quer se vingar de alguém e atinge uma Diretoria que trabalha dando expediente diário SEM NENHUMA REMUNERAÇÃO.

quarta-feira, 4 de junho de 2014



LIVRO CONTA A HISTÓRIA DO TRIO MOSSORÓ












                        Lançado no dia 6 de maio de 2014, em Mossoró, o livro MINHA HISTÓRIA de Oseas Lopes, Trio Mossoró a Carlos André, conta em detalhes a trajetória dos artistas mossoroenses que mais fizeram sucesso em nível Brasil, na década de 1960. Formado por três irmãos, Oseas Lopes, rebatizado artisticamente de Carlos André, mais Hermelinda e João Batista, o livro tem a apresentação de Raimundo Fagner e o prefácio de Luiz Vieira. Essa primeira edição sai pelo Projeto Rota Batida, da Fundação Vingt-un Rosado, da Coleção Mossoroense, sob o patrocínio da Petrobras, Governo do Rio Grande do Norte, e Cosern. Além da participação de Fagner e Luiz Vieira, o livro traz depoimentos de artistas, produtores e até do jurado José Messias, um dos maiores incentivadores do Trio Mossoró, ainda em início de carreira no Rio de Janeiro.
      O mais interessante na história dos três irmãos desbravadores, é o  início de tudo. Como um simples pintor de carroceria de caminhão, no caso Oseas Lopes, foi descoberto. Ele costumava cantar músicas de Luiz Gonzaga, enquanto pintava frisos nas carrocerias, pois sempre teve uma letra caprichada e elogiada pelos colegas de escola. E todo dia outro jovem como ele, passava a caminho do seu trabalho, uma emissora de rádio, e observava-o cantar. O ano era 1956 e o jovem locutor era o saudoso Canindeh Alves, com apenas vinte anos de idade, que ousou convidar o pintor, que tinha 17 anos, para cantar na festa de primeiro aniversário da Rádio Tapuyo. Oseas espantado com o convite, não entendeu direito, mesmo assim, levou Canindeh até sua casa e, com a permissão do pai, Messias Lopes, cantou para um auditório lotado e nunca mais pintou nada. Ali estava traçado seu destino de cantor, depois tocador de sanfona, compositor, produtor musical, dentre outros, do seu cantor inspirador, Luiz Gonzaga. 
       O livro também conta as tragédias que abateram dois filhos de seu Messias Lopes, primeiro Edson, funcionário da Petrobras, vítima de grave acidente numa plataforma; e Cocota, o maior seresteiro da cidade, assassinado por um menor,às vésperas de viagem para o Rio de Janeiro, onde se uniria aos irmãos e tentaria carreira solo.   
       Quem quiser saber mais detalhes do sucesso do ritmo forró na região Sudeste, precisa ler a biografia do homem que mudou seu nome artístico para Carlos André, após gravar e estourar o sucesso Se Meu Amor Não Chegar, cujo refrão 'Eu hoje quebro essa mesa, se meu amor não chegar', gravado em 1974, vendeu um total de um milhão de cópias e ainda é executada em emissoras de rádio no Nordeste brasileiro.    
      No livro, o registro fotográfico do Trio Mossoró, de Carlos André e sua família, amigos e a capa de todos os discos do Trio Mossoró, de sua carreira solo e dos artistas que ele produziu.     
      O livro pode ser adquirido através do e-mail: emuribeka@uol.com.br com entrega via Correios ou a domicílio para Mossoró.      
                             
Trio Mossoró: Oseas, João e Hermelinda

                                                                                     
Hermelinda, Oseas e João Batista
João Batista, Hermelinda e Oseas


                  


"Quando pesquisamos nossos ancestrais, estamos buscando parte de nós que ficou para trás".

terça-feira, 3 de junho de 2014

O Ajudante da Fortaleza, Alexandre de Mello Pinto



João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Em uma petição de Alexandre de Mello Pinto, do ano de 1754, ele aparece como Ajudante da Fortaleza e das Ordens do capitão-mor da capitania do Rio Grande. Foi o patriarca da família Mello Pinto, do Rio Grande do Norte. Faleceu em 1790, com a idade de 72 anos. 
No dia oito de maio de 1743, depois da meia noite, na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, da cidade do Rio Grande do Norte, com a presença do Padre Aurélio José de Mello e do Doutor Cosme de Medeiros Furtado, se casaram o Ajudante Alexandre de Mello Pinto, filho legítimo de José de Mello de Costa e de sua mulher Dona Maria do Espírito Santo, e Brázia Tavares da Fonseca, filha legítima de Luis Alves Tavares e de sua mulher Maria da Fonseca, já defuntos, naturais e moradores desta cidade.
Aos 22 de abril de 1753, era batizada Maria, filha de Alexandre e Brázia, tendo como padrinhos Nossa Senhora da Apresentação e o capitão Bernardo de Faria Freitas; Aos seis de maio de 1755, na matriz, foi batizada Anna Rosa, outra filha do casal, tendo como padrinhos o capitão Pedro Alberto de Mello e Thereza Tavares da Fonseca;  Em 1801, faleceu Maria da Fonseca, solteira, de 40 anos, e, em 1808, faleceu o padre Francisco Álvares de Mello, com 64 anos, ambos filhos de Brázia e Alexandre. 
Em um batismo de 1754, de Manoel, filho de João de Barros e Rosa Maria da Apresentação, compareceu como madrinha Josepha Maria de Jesus, filha do ajudante Alexandre de Mello Pinto. Essa mesma Josepha, é apresentada como filha natural de Brázia, em quatro de outubro de 1759, quando casou, na Matriz, com Domingos da Rocha, filho legítimo do capitão Domingos Dias e de sua mulher Antonia Borges. Ainda mais, Josepha, faleceu em 1737, com a idade de quarenta anos, isto é, ela deve ter nascido seis anos antes do casamento dos pais. Vejamos os outros filhos de Brázia e Alexandre.
Ignácia Úrsula de Mello casou em 1772 com o sargento de infantaria, José da Costa Pereira, filho do português da Ilha de São Miguel, Simão da Costa Pereira, e de Francisca Barbosa Aranha (em alguns registros, Valcácer), natural da Freguesia de Igarassu. Destacamos os seguintes filhos de Ignácia e José: Joanna, que nasceu em 1772, tendo como padrinhos João Coelho e a tia Maria da Fonseca; Elena, que nasceu em 1774, tendo como padrinhos, os avós Alexandre e Brázia; Simão, que foi homenageado como o nome do avô paterno, nasceu em 1777, tendo como padrinhos, Francisco Álvares de Mello  e Anna Rosa, seus tios; Marianna, que nasceu em 1779, e teve como padrinhos, Antonio Dias Ribeiro e a tia Maria da Fonseca; Francisco que nasceu em 1785, tendo sido batizado pelo tio, o padre Francisco Álvares de Mello, sendo padrinhos Antonio José de Sousa e Oliveira e sua mulher Joana Ferreira.
Brázia Tavares de Melo (em vários registros tem sobrenomes diferentes) casou com Luis José Rodrigues Pinheiro, filho de Francisco Pinheiro Teixeira e Bonifácia Antonia de Mello (avós de Frei Miguelinho). Desse casal destacamos os seguintes filhos: Antonio, que nasceu em 1780; Maria, que nasceu em 1785, padrinhos, o provedor da Fazenda, Antonio Carneiro de Albuquerque Gondim e Francisca Antonia Teixeira; outra Maria, que nasceu em 1787, tendo como padrinhos o capitão Manoel Pinto de Castro e a tia Maria da Fonseca; José, que nasceu em 1797, e teve como padrinhos Ignácio Nunes Correia e sua mulher Antonia Clara das Neves.
Thereza Antonia de Mello casou, em 1761, com Antonio Teixeira da Costa, filho do condestável Carlos de Freitas e de Maria da Assunção; entre seus filhos, encontramos: José, que nasceu em 1763, padrinhos o sargento-mor Francisco Machado de Oliveira Barros, casado, e Ignácia Úrsula de Mello, solteira; Joachim, que nasceu em 1765, padrinhos, o avô Alexandre de Mello Pinto e Thereza Tavares da Fonseca, solteira; Ignez, que nasceu em 1777,  padrinhos, o provedor da Fazenda Real, Antonio Carneiro de Albuquerque Gondim e Maria José, irmã da batizada; outro José, que nasceu em 1781, padrinhos, o sargento José da Costa Pereira, casado, e Thereza Tavares, solteira. Essa Maria José, que foi madrinha da irmã Ignez, casou com Alexandre Rodrigues da Cruz, filho dos meus hexavós, Francisco Cardoso dos Santos (Tracunhaém) e Thereza Lins (Seridó).
Alexandre de Mello Pinto, filho de Thereza Antonia de Mello e Antonio Teixeira, que nasceu aos 26 de maio de 1769, teve como padrinhos o padre Francisco Manoel Maciel, e Ignácia Úrsula de Mello, solteira. Ele, que recebeu o nome do avô, era tenente de tropa paga, quando casou, em 26 de novembro de 1803, com sua parenta de 3º grau, Josefa Maria da Rocha, filha de José Pereira da Freitas e Maria da Conceição Espínola, tendo como testemunhas Francisco Felipe da Fonseca e o padre Simão Judas Tadeu. Alexandre faleceu, em 22 de abril de 1813, com a idade de 44 anos. Dos filhos de Alexandre e Josefa, encontramos os seguintes:
José Cupertino de Mello Pinto, que casou com sua prima (2º grau), Joana Florência da Silva, filha de José Pereira de Freitas e Anna da Conceição (deve ser Maria da Conceição), na presença do capitão Salvador Maria da Trindade e Bento José Taveira, sendo celebrante o padre Salvador Maria da Trindade. Eles geraram Josefa, em 1830, que teve como padrinhos Francisco José de Carvalho e Thereza Antonia de Mello, tia; e João e Rosa, que nasceram em 1840, e tiveram como padrinhos, daquele, Manoel José Teixeira e Thereza Antonia de Mello, e desta, tenente José Fernandes Carrilho, casado, e Joana Maria da Conceição, solteira. Essa Thereza Antonia, que tinha o mesmo nome da avó paterna, era irmã de Cupertino.
Joaquim José de Mello Pinto, filho de Alexandre e Josefa, já apresentamos antes e foi bisavô do meu primo João Batista de Mello Pinto.
Casamento de Alexandre de Mello Pinto e Brázia Tavares da Fonseca

quarta-feira, 4 de junho de 2014

MUITO BEM DOUTOR DIOCLÉCIO



DIOCLÉCIO DUARTE

Jurandyr Navarro
Do Conselho Estadual de Cultura


Na política do Rio Grande do Norte a sua cultura sobrelevava-se às demais da sua época. Aluno de José Augusto nos bancos escolares do Atheneu e depois um dos seus mais lúcidos biógrafos. Foram correligionários políticos. Depois, adversários. No final de sua carreira pertencia as fileiras do Partido Social Democrático. Nesta agremiação política destacou-se, no Estado, Georgino Avelino, e no plano federal Juscelino Kubitschek, que chegou à Presidência da República. Quando Deputado pela bancada de Minas Gerais, este último recebeu aulas de Retórica de Dioclécio Duarte.

O ilustre político potiguar dominava vários idiomas inclusive o alemão, tendo sido Cônsul em Bremen.

Pertenceu à nossa Academia de Letras, instituição que honrou, possuidor que era de notável conhecimento humanístico. Conferencista e jornalista tendo exercido esta última atividade na imprensa carioca.

Notabilizou-se como Orador. E não só. Foi professor de retórica. As suas orações dispersas por jornais, revistas e nos Anais da Câmara de Deputados, dariam alentados volumes, se publicadas fossem.

Viveu envolto na mais alta sociedade cultural e política do Brasil do seu tempo. Sem favor credenciou-se como um dos maiores tribunos da nação brasileira. Mestre do impro­viso cuja eloquência se aproveitava dos motivos do momento.

Na política as paixões se exacerbam, por vezes, em demasia. Inexperiente, o políti­co na tribuna será presa fácil das armadilhas ardilosas. Dioclécio desde colegial preparou-se na assiduidade dos grêmios literatos que tomava parte. Nesse aprendizado educou o comportamento dialético. Adulto, já era velho marinheiro dos mares revoltos das escara­muças partidárias.

Dioclécio Dantas Duarte foi Deputado Federal e chegou a assumir, por pouco tempo, a Interventoria do Rio Grande do Norte, na década de 1940.

O grande potiguar não foi somente inteligência e cultura. O coração amava o Bem, o Belo e a Verdade.

Disse o imortal Rui Barbosa: “Três âncoras deixou Deus ao homem: o amor da pátria, o amor da liberdade, o amor da verdade. Cara nos é a pátria, a liberdade mais cara; mas a verdade mais cara que tudo. Pátria cara, carior Libertas. Veritas caríssima. (Lieber, Reminiscences, p.42). Damos a vida pela pátria. Deixamos a pátria pela liberdade. Mas a pátria e a liberdade renunciamos pela verdade. Porque este é o mais santo de todos os amores. Os outros são da terra e do tempo. Este vem do céu, e vai à eternidade".

Esta a filosofia política que deve ser adotada por todos aqueles que dedicam a vida à nobre arte de governar.

Dioclécio Duarte tornou-se famoso pela eloquência elogiada e por tal adquiriu glória imorredoura, porque a oratória imortaliza. Disse-nos Plutarco, grego nascido em Queronéia, que "a glória da Retórica de Cícero permanece".

Afirmou Agripino Grieco que as orações de Demóstenes eram "perfeitas como os
mármores de Fídias", contendo a beleza da eloquência jônica.    

Dioclécio Duarte não chegou a essa perfeição, na tribuna, porém a sua palavra ma­ravilhava plateias. Dividiu o troféu da nobre arte com os melhores da Potiguarânia.

Surgida na Grécia, a retórica aflorou no meio social para auxiliar as causas populares através as sessões do juri. Daí, a presença invitável do orador. Depois, em Roma, a oratória iria ser o instrumento verbal indispensável, também, às questões do Direito.

Com o tempo, a tribuna iria servir à Política, à Religião e à Cultura em geral.

Em todos esses círculos da sociedade potiguar, foi ouvida a palava eloquente do talentoso natalense chamado Dioclécio Duarte. Político dos mais influentes do seu tempo.

Como jornalista a sua pena foi sempre brilhante. Muito escreveu na imprensa do Rio de Janeiro.

A sua cultura literária, cingiu-lhe a iteligência, com uma coroa dourada, prêmio merecido a um intelectual de renome.