segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

O passado antissemita da Europa

Fonte: BBC.
  • 30 janeiro 2015
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Rei Manuel 1º de Portugal | Foto: Getty
A ideia do rei português de expulsar os judeus para confiscar suas propriedades era comum entre monarcas europeus
O governo português aprovou novas regras, que permitirão oferecer cidadania a descendentes de judeus expulsos do país há mais de 500 anos.
Muitos dos judeus do país foram mortos, forçados a se converter ao cristianismo ou expulsos no final do século 15.
Agora, qualquer descendente que conseguir provar uma ligação forte com Portugal pode pedir um passaporte.
Mas o país não foi o único a expulsar todos ou a maior parte de sua população judaica na época – era uma prática comum dos monarcas europeus exilar judeus e confiscar suas propriedades.
O mapa abaixo mostra os países onde ocorreram os maiores casos de perseguição aos judeus. Clique nos países para ler sobre os acontecimentos:
CLICÁVEL
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  • Inglaterra e País de Gales

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    Os judeus foram expulsos da Inglaterra pelo rei Edward 1º em 1290, em parte por questões financeiras.
    Uma vez exilados, seus bens passaram a pertencer à coroa britânica. Na época, a Inglaterra precisava de dinheiro.
    A Inglaterra foi o primeiro país da Europa a expulsar judeus e eles permaneceram impedidos de viver no país por 366 anos.
  • França

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    Em 1306, o rei da França, Felipe 4º, teve problemas financeiros. Por isso, planejou expulsar os judeus do país para confiscar e vender suas propriedades.
    Cerca de 100 mil judeus foram presos no dia 22 de julho de 1306. Já na prisão, eles foram informados de que foram sentenciados ao exílio.
    Eles só puderam deixar o país com as roupas que vestiam e com uma pequena quantia de dinheiro.
    O filho de Felipe, Luis, revogou o decreto em 1315, mas depois disso houve um período de expulsões e retorno de judeus ao país, que terminou com a expulsão de 1394.
  • Espanha

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    No século 15, o rei Fernando 2º de Aragão e a rainha Isabella 1ª de Castilha queriam que a Espanha se tornasse completamente católica.
    Eles emitiram um Decreto de Expulsão em 1492, ordenando que judeus e muçulmanos se convertessem ou deixassem o país.
    No total, cerca de 100 mil judeus deixaram a Espanha durante o século 15. A maioria deles passou a viver na potência econômica da época, o Império Otomano, que na época compreendia, além da Turquia, regiões como os Bálcãs e parte do sudeste da Europa e do Oriente Médio.
    Atualmente, a Espanha considera uma proposta semelhante à de Portugal para oferecer cidadania aos descendentes dos judeus expulsos.
  • Portugal

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    Quatro anos depois de a Espanha expulsar sua população judaica, Portugal fez o mesmo.
    No dia 5 de dezembro de 1496, sob pressão de uma Espanha recentemente unificada, o rei Manuel 1º de Portugal decretou que todos os judeus deveriam se converter ao cristianismo ou deixar o país.
    Nem todos saíram imediatamente, no entanto, e dois mil judeus foram massacrados em Lisboa em 1506.
    A maioria dos judeus da Espanha e de Portugal foi viver no Império Otomano. Algumas comunidades judaicas na Turquia ainda falam formas de português e espanhol.
  • Alemanha

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    Em 1012, o imperador Henrique 2º expulsou os judeus da cidade de Mainz, na Alemanha.
    A Primeira Cruzada, no fim do século 11, provocou a perseguição e a morte de judeus em muitas cidades alemãs.
    Durante o período da Peste Negra (1346-53), os judeus foram alvo de rumores de que eles estariam envenenando poços artesianos e muitos fugiram da Alemanha para a Polônia temendo perseguições.
    Em 1510, o estado de Brandenburgo expulsou sua população judaica e em 1593, foi a vez da Baviera expulsá-los. Frankfurt fez o mesmo em 1614.
  • Itália

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    Após a expulsão dos judeus da Espanha em 1492, eles foram progressivamente expulsos das propriedades e territórios espanhóis na Itália.
    Primeiro eles deixaram a Sicília, depois a Calábria, em 1524, e depois Nápoles, em 1540.
    Em 1569, o papa Pio 5º ordenou que todos os judeus deixassem os estados papais.
    O rei espanhol Felipe 2º expulsou os judeus do território milanês na primavera de 1597.
  • Lituânia

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    Um decreto do rei Alexandre em abril de 1495 ordenou que todos os judeus deixassem o país.
    A maior parte deles se mudou para cidades do outro lado da fronteira com a Polônia e retornou ao país quando o decreto foi revogado, pouco depois.
    As causas da expulsão inesperada são desconhecidas, mas elas provavelmente incluiam a necessidade de preencher o tesouro reduzido do país, confiscando o dinheiro dos judeus.
  • Hungria

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    Quando a Peste Negra atingiu a Hungria no século 14, os judeus foram expulsos do país.
    Apesar de a população ter sido readmitida imediatamente, eles foram novamente perseguidos e expulsos em 1360 pelo rei húngaro Luís 1º, que não conseguiu convertê-los.
    Apesar de os judeus terem podido retornar ao país pouco depois, eles foram expulsos periodicamente de algumas cidades em toda a Hungria e na Áustria durante os séculos seguintes.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Manoel José Martins, o tutor




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Alguns construtores da História do Rio Grande do Norte, muitas vezes, não têm seus nomes escritos nos livros do presente. Não são lembrados nem pelos seus parentes que sobrevivem hoje. Se não foram militares, escritores, políticos e não exerceram atividade mais significativa ficam esquecidos para sempre. 

Manoel José Martins nasceu em Macau, como podemos ver do registro a seguir: Manoel, branco, filho natural de José Martins Ferreira e Delfina Maria dos Prazeres, moradores nesta Freguesia, nasceu aos dezenove de abril de mil oitocentos e trinta, e foi solenemente batizado, com os Santos Óleos, aos vinte e um de maio do mesmo ano, em Macau, pelo Reverendo José Beraldo de Carvalho, de minha licença, o qual (José Martins) disse em minha presença reconhecia o dito párvulo por seu filho, e me pediu fizesse essa declaração para todo tempo constar, foram padrinhos o capitão Silvério Martins de Oliveira e sua mulher Joanna Nepomucena; do que para constar mandei fazer este assento, e por verdade assino. O Vigário João Theotônio de Souza e Silva.

Esse registro acima é o primeiro de quatro, dispostos continuamente, onde José Martins Ferreira faz o reconhecimento dos filhos: Manoel, José, Josefa e Joaquim.

Encontramos Manoel com vários sobrenomes: Manoel José Martins, Manoel José Martins Ferreira, Manoel Martins Ferreira. Em 1847, já em Cacimbas de Viana, ainda solteiro, ele foi padrinho, junto com Josepha Clara Martins, de Justino, filho legítimo de Bartholomeu P. da Silva e Izabel Maria da Conceição. Em 1857, ambos casados, Manoel José Martins Ferreira e Josepha Clara Martins foram padrinhos de Manoel, filho legítimo de João Alves Martins e Anna Maria de Jesus. Esse João Alves Martins, que quando casou tinha o nome de João Martins Ferreira, era irmão de Manoel José Martins, embora não aparecesse na lista dos reconhecidos pelo pai José Martins Ferreira.

Vejamos seu casamento: Aos vinte e oito de novembro de mil oitocentos e cinquenta, pelas 4 horas da tarde, na fazenda das Cacimbas de Vianna, na Freguesia do Assú, foram unidos e abençoados em matrimônio, de minha licença, pelo Reverendo Silvério Bezerra de Menezes, os contraentes, meus fregueses, Manoel Martins Ferreira, e Prudência Maria Teixeira, brancos, servatis ex more servandis: foram testemunhas José Martins Ferreira e João Gomes Carneiro: do que faço este assento em que assino. Felis Alves de Souza, Vigário Colado de Angicos.

Nesse registro não aparecem os nomes dos pais dos nubentes. Acredito que essa Prudência era filha de Francisco Antonio Teixeira de Sousa e Marianna Lopes Viegas, pois no inventario desta última, do ano de 1839, aparece uma filha do casal, com a idade de seis anos, com esse nome. Os Teixeira de Sousa tinham fazendas em Cacimbas de Vianna. No ano de 1853, Manoel José Martins e João Lins Teixeira de Souza (irmão de Prudência), foram testemunhas do casamento de escravos de João Teixeira de Souza e de João Gomes Carneiro (casado com Anna Joaquina Teixeira de Souza).
Não encontrei um registro sequer de filhos do casal Manoel José e Prudência. Acho que eles não tiveram filhos e, talvez, isso foi determinante para Manoel José assumir a tutoria dos filhos de seu irmão José Alves Martins, assassinado em 1871. Eram nove, tendo o mais velho a idade de 18 anos e o mais moço, 4 anos. 

No inventário acima podemos observar o zelo que Manoel José Martins teve, prestando contas periodicamente do mesmo. À medida que os herdeiros ganhavam o direito da herança ela era repassada aos mesmos, sem nenhuma contestação, sendo o último a receber o caçula Manoel Alves Martins.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

A família Alves, que já deu tantos políticos, inclusive, senadores, governadores e ministros, veio da região de Macau. Veja o batismo de José Alves Martins, bisavô de Aluízio Alves, incluso no artigo.​

sábado, 17 de janeiro de 2015

Senador, os Alves vieram de Macau




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
No velório da escritora Ana Maria Cascudo Barreto, estávamos em uma roda de amigos, quando Severino Vicente provocou o Senador Garibaldi Alves: João Felipe diz que os Alves vieram de Macau. Garibaldi, então, falou: mas não foi de Angicos?
Comecei a responder, mas a chegada contínua de pessoas impediu a complementação do assunto. Por isso, dou continuidade àquela conversa interrompida, neste artigo, embora já tenha tratado desse assunto em outros artigos.
Em 1810, administrava a Ilha de Manoel Gonçalves, pião de várias terras da região do Assú, José Álvares Lessa. Em 1818, o português e morador da Ilha de Manoel Gonçalves, João Martins Ferreira escrevia para o governador da província, José Ignácio Borges dando notícia da invasão da dita ilha por corsários ingleses. Era casado com Josefa Clara Lessa, possivelmente, filha de José Álvares Lessa. Em 1823, capitão, encontramos João Martins Ferreira como testemunha ou padrinhos em várias localidades do Assú.
A invasão contínua das águas oceânicas sobre a Ilha foi obrigando seus moradores a se deslocaram para outras localidades, sendo a preferência maior pela então Ilha de Macau, ainda sem habitantes, tendo somente, por lá, alguns práticos. Na lista dos primeiros habitantes de Macau aparecem o capitão João Martins Ferreira, seu filho major José Martins Ferreira e mais quatro genros, segundo a tradição oral.
No período que vai de 1830 até 1834, encontramos os batismos de quatro filhos do major José Martins Ferreira e Delfina Maria dos Prazeres. Nesses registros, onde esses filhos têm seus registros um atrás do outro, por se tratar de reconhecimento de paternidade, consta que eles foram batizados em Macau, embora em outros registros, encontrados isoladamente, as localidades de alguns batismos sejam diferentes. No caso de José Alves Martins, o segundo filho dessa lista, ele foi batizado em Guamaré.
Pois bem, José Alves Martins, casou com Francisca Martins de Oliveira, no dia 27 de novembro de 1852, em Curralinho. Não havia informações dos pais dos nubentes. Em uma das mensagens de um Presidente desta província do Rio Grande do Norte, vamos encontrar a notícia do assassinato dele, em 1871, na povoação de Rosário, por um sócio, João Rodrigues Ferreira.
Em uma das minhas viagens a cidade do Assú, encontrei, no Fórum João Celso da Silveira Filho, o inventário do falecido, tendo como inventariante, e ao mesmo tempo tutor dos filhos órfãos, seu irmão mais velho, Manoel José Martins, ambos inventariante e inventariado moradores em Cacimbas do Viana.
Na relação desses filhos constavam: José Alves Martins (Jr.), 18 anos; João Alves Martins, 13; Francisco Alves Martins, 12; Joaquim Alves Martins, 11; Militão Alves Martins, 10; Josefina Emília Alves Martins, 8; Delfino Alves Martins, 7; Maria, 5; e o caçula Manoel Alves Martins, com 4 anos de idade.
Em 10 de janeiro de 1879, Dona Josefina Emília casou com Absalão Fernandes da Silva Bacilon, natural de Santana do Matos.  Esse casal gerou Dona Maria Fernandes (D. Liquinha) e Dona Jesuína, que casaram, respectivamente, com Manoel Alves Filho e Jose Fernandes Silva.
Manoel Alves Martins, o mais novo de todos os filhos do José Alves Martins, em 1888, foi emancipado por completar 21 anos. Casou, primeiramente, com Joaquina Teixeira Martins, nascendo desse casamento, aos 2 de dezembro de 1890, um único filho, Manoel Alves Martins Filho. Enviuvando, casou com Maria Ignácia da Conceição. Desse casamento, nasceram vários filhos, entre eles Manoel Alves Filho, aos 10 de agosto de 1894, que casou com sua prima legítima Maria Fernandes (D. Liquinha). Martins desapareceu do sobrenome dos descendentes.
O percurso, portanto, da família Alves, aqui no Rio Grande do Norte, foi Ilha de Manoel Gonçalves, em seguida Macau, depois Cacimbas do Viana (Porto do Mangue), Santana do Matos, e, finalmente, a mais conhecida, Angicos. Os Fernandes (aqui desapareceram os sobrenomes Alves e Martins) onde a maior estrela foi Aristófanes, filho de Jose Fernandes da Silva e Jesuína Fernandes, permaneceram em Santana do Matos.
Inicialmente, alguns dos filhos do major José Martins Ferreira se assinavam como Martins Ferreira, mas com a chegada de outros filhos, com o mesmo nome, do seu segundo casamento com Josefina Maria Ferreira, foi introduzido o sobrenome Alves, que talvez seja originário de José Álvares Lessa, português de Leça da Palmeira, e antigo administrador da Ilha de Manoel Gonçalves.

Batismo de José Alves Martins