terça-feira, 10 de março de 2015

terça-feira, 10 de março de 2015

Eu também sou Lessa


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático, sócio do IHGRN e do INRG.
Em artigo anterior, vimos que Silvério Martins Ramos, quando enviuvou da primeira esposa, casou com Anna Joaquina de Maria, filha de João Baptista do Espírito Santo e Maria Alves Lessa. Este último casal casou em 1836, como podemos ver do registro a seguir.

Aos (?) dias do mês de fevereiro de 1836, pelas duas horas da tarde, na Boca do Rio, em presença do Padre Frei José de Sam Gualberto, Carmelitano, e das testemunhas abaixo nomeadas, de minha licença, se receberam por esposos presentes, João Baptista e Maria Gomes Leça, meus paroquianos: o esposo de idade de 26 anos e filho de João Rodrigues do Espírito Santo, e Margarida Francisca de Oliveira; a esposa de 22 anos, filha legítima de Joaquim Álvares Lessa, já falecido e Anna Gomes, naturais e moradores nesta Freguesia de São João Baptista do Assú, onde se fizeram as denunciações nupciais, e logo lhes deu as benções nupciais, sendo presentes por testemunhas o capitão João Martins Ferreira, e Silvério Martins de Oliveira, casados; todos desta Freguesia do Assú, e para constar fiz este assento em que me assinei. Joaquim José de Santa Anna, pároco do Assú.

Os registros da Igreja não mantinham coerência com relação aos nomes dos seus fregueses. A cada momento alguns nomes eram modificados. No caso do nubente acima, omitiram o sobrenome Espírito Santo. No caso da nubente, em vários outros registros ela aparece como Maria Alves Lessa. O pai dela já era falecido em 1829, pois nesse ano houve o seguinte casamento: Aos dezoito dias do mês de janeiro de 1829, pelas cinco horas da tarde na Ilha de Manoel Gonçalves, em minha presença, e das testemunhas abaixo nomeadas, se receberam por esposos presentes Manoel Ignácio Lima, viúvo de Antonia Maria, e Anna Gomes, viúva de Joaquim Álvares Lessa. O esposo de idade de sessenta e cinco anos; e a esposa de idade de trinta e dois anos, naturais e moradores nesta freguesia de São João Baptista do Assú, onde se fizeram as diligências nupciais, sem impedimento, sendo confessados e examinados na Doutrina Cristã, presentes por testemunhas Antonio Caetano Monteiro e Manoel Fernandes Carvalho, casados, todos deste Assú, e para constar fiz este assento em que me assino Joaquim José de Santa Anna.

Esse Joaquim Álvares Lessa suponho que era irmão de Josefa Clara Lessa e, que ambos eram filhos do português de Leça da Palmeira, José Álvares Lessa, que em 1810 comandava a Ilha de Manoel Gonçalves. No inventário de Domingos Affonso Ferreira Junior consta que ele tinha falecido sem bens e com muitas dívidas, tendo essas sido herdadas pelo capitão João Martins Ferreira, meu tetravô, que foi casado com minha tetravó, Josefa Clara Lessa. Há um batismo, em 1790, em Recife, de Rita filha de José Álvares Lessa e de Francisca Xavier, onde são nomeados os avós paternos dela, como Manoel Álvares da Costa e Clara Rodrigues.

Naquele artigo anterior, citamos como filhos de João Baptista do Espírito Santo e Maria Alves Lessa: Joanna, nascida em 1843; as gêmeas Cosma e Damiana, nascidas em 1854; e Josefa Rodrigues Lessa, que casou com Idalino Tranquilino de Sousa.

Dona Maria Alves Lessa faleceu em 1860, com a idade de 51 anos. João Baptista voltou a casar como se depreende do jornal Correio do Assú, de 1873. Nele, Padre Elias Barbalho Bezerra declarou que recebeu de Joaquim José Lessa, procurador de Dona Anna Barbosa de Sousa, cinquenta mil réis, que estava em poder do seu finado marido, João Baptista do Espírito Santo, que foi separado no inventario da finada Anna Gomes da Costa (mãe de Maria Alves Lessa) para celebrar-se por sua alma, meia capela de Missas. Nesse mesmo jornal, Joaquim José Lessa, pagou a quantia de três mil e duzentos réis, de que era devedor o seu finado pai, João Baptista do Espírito Santo a Josefa Damas da Conceição.

Encontramos vários filhos de Joaquim José Lessa com Rosa Carolina Lessa: Pio, nascido em 1861, teve como padrinhos João Rodrigues do Espírito Santo e Victoriana Maria da Conceição; Aprígio, nascido em 1862, teve como padrinhos Manoel Roque Rodrigues Correa e Maria Juliana da Conceição; Luiza, nascida em 1863, teve como padrinhos José Alves Martins e Francisca Martins de Oliveira;  Maria, nascida em 1864, teve como padrinhos José Rodrigues Ferreira e Maria dos Passos Lessa.

Um registro de casamento noticia que em 1859, João Alves Lessa casou com Maria Marcelina da Costa, sendo ele filho de Joaquim José Lessa e Anna Gomes da Costa. Acredito que houve um equívoco nesse registro, pois Dona Anna Gomes da Costa foi casada com Joaquim Álvares Lessa. Nesse casamento, uma das testemunhas foi Joaquim José Lessa.  João Alves Lessa deveria ser, portanto, tio dessa testemunha.  Maria Marcelina era filha de Manoel da Costa Ramos e Lina Maria da Conceição.

Em 1860, José Alves Lessa casou com Maria do Ó Fernandes, sendo testemunhas as mesmas do casamento de João Alves Lessa, isto é, Joaquim José Lessa e José Fragoso de Medeiros. Não nomearam os pais dos nubentes. Desse casamento nasceram: Marcionila, em 1861, tendo com padrinhos Francisco Antonio Fernandes Braga e Claudina Maria do Espírito Santo; Manoel, em 1862, tendo como padrinhos João Baptista do Espírito Santo e Marciana Rodrigues Lessa; outra Maria, em 1863, cujos padrinhos foram Francisco Antonio Braga e Maria de Santana Fernandes.

Há, também, um Manoel Alves Lessa que casou com Maria Manoela da Costa e geraram Luiz em 1834, que morreu afogado, em 1855, com 21 anos.
O fato de muitos documentos não conterem os nomes dos pais dos nubentes gera dificuldades para quem quer fazer sua genealogia. O desaparecimento de antigos livros é outro empecilho para nosso trabalho. Podemos cometer erros quando deduzimos algumas relações de parentesco. 

A dívida de José Álvares Lessa a cargo de João Martins Ferreira



Cientistas usam DNA para descobrir países de origem de escravos

AFP
09 Março 2015 | 18h 58

Novo método possibilitou determinar, pela primeira vez, a procedência de africanos que vieram para a América no século XVII

Cientistas utilizaram um novo método para analisar traços de DNA encontrados nos ossos de três escravos africanos do século XVII. A metodologia permitiu determinar pela primeira vez os países de origem dos cativos.
Até agora era difícil determinar com exatidão a procedência dos 12 milhões de escravos africanos transportados para a América entre 1500 e 1850. Havia poucos dados precisos na época e, apesar de saber de qual porto haviam embarcado, os verdadeiros países de origem eram um mistério.
Quadro de Johann Moritz Rugendas representa escravidão na AméricaQuadro de Johann Moritz Rugendas representa escravidão na AméricaMas neste caso, o DNA extraído dos esqueletos de três escravos permitiu determinar que eram originários de regiões que hoje pertencem a Camarões, Gana e Nigéria, segundo um estudo publicado nesta segunda-feira, 9, na revista norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences.
Os ossos de dois homens e uma mulher foram desenterrados em 2010 em um local de construção na ilha de San Martín, no Caribe.
"Estas descobertas oferecem as primeiras provas diretas da origem étnica dos escravos africanos", destaca o estudo conduzido por Hannes Schroeder, do centro de geogenética do Museu de História Natural da Universidade de Copenhague.
Também "demonstra que os elementos do genoma permitem responder a perguntas históricas que há tempo careciam de resposta".
Este novo método permitirá avançar na investigação de outros restos arqueológicos descobertos em regiões tropicais, que, por causa do clima quente, contêm pouco DNA.
Fonte: Estadão.

sábado, 7 de março de 2015

NARRATIVAS SERIDOENSES.



Capa livro/Divulgação
A civilização do Seridó tem encontro marcado nesta sexta-feira, dia 6, na Livraria Saraiva, do Midway Mall, para o lançamento do livro NARRATIVAS SERIDOENSES - História, Crônicas e Lendas, do escritor caicoense Francisco de Assis Medeiros, ex-prefeito e procurador aposentado do INSS. É o primeiro volume de uma trilogia, que será completada com o lançamento dos dois últimos volumes em julho e dezembro.



O livro reúne crônicas publicadas, originalmente, no Bar de Ferreirinha, e resgata fatos ocorridos no Seridó, principalmente em Caicó, antes circunscritos à memória de quem os viveu.



Dr. Chiquinho, ao longo das 300 páginas do livro, fala de personagens reais e fictícios, fatos verídicos e lendários, registrados ao longo do século passado.



O lançamento está previsto para as 19h00.



SERVIÇO

NARRATIVAS SERIDOENSES - Histórias, Crônicas e Lendas



• Edição do autor, 304 páginas — Impressão Gráfica e Editora Ltda.

• Histórias, crônica e lendas. 30 textos ilustrados.

• Tiragem limitada de 500 exemplares em comemoração aos 80 anos do autor.

• Com capa e diagramação de Melca Marques, o livro tem encadernação costurada e não apenas colada.

• Livros disponíveis em Caicó, na Livraria Beatriz, e, em Natal, na Livraria Saraiva do Midway Mall, ao preço de R$ 40,00.



Fonte: Bar de Ferreirinha

terça-feira, 3 de março de 2015

"Mesmo distante, não esquecemos nossas raízes".

terça-feira, 3 de março de 2015


Silvério Martins Ramos e as dúvidas de Lúcia Tolson


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Lúcia Tolson mora nos Estados Unidos e, de lá, me enviou um e-mail nos seguintes termos: Eu acabo de topar no nome acima (Silvério Martins de Oliveira) no seu artigo “Cartas da Ilha de Manoel Gonçalves” de 2/3/2011.  Tenho uma suspeita de que ele seja meu ancestral.  Não tenho, porém, os elementos para ligá-lo a meu trisavô Silvério Martins Ramos, além da semelhança de nomes e da proximidade no tempo e no espaço em que viveram.

Silvério Martins de Oliveira parece-me ter sido um dos habitantes da Ilha de Manoel Gonçalves em seus últimos anos, entre as décadas de 1820 e 1830.

Meu trisavô Silvério Martins Ramos morreu muito velho em Curralinho na década de 1930.  Ele era casado com Leonídia de Oliveira e tinha, entre outros filhos, um filho também chamado Silvério Martins Ramos (conhecido em família como Nozinho, que morreu centenário em Pendências no começo deste milênio). 

As únicas informações que tenho sobre os pais de Silvério Martins Ramos são que seu pai ficou viúvo de sua primeira mulher e depois casou-se com Anna, a mãe de Silvério, que morreu centenária em Curralinho na década de 1930.  De ambos casamentos esse senhor teve uma prole imensa, mas hoje não resta sequer lembrança do seu nome na família.  Suspeito que ele também fosse Silvério.

Será que o Senhor teria condições, sem lhe dar demasiado trabalho, de traçar a descendência de Silvério Martins de Oliveira até ela possivelmente bater em Silvério Martins Ramos?  Creio que haja uma ou no máximo duas gerações entre os dois, se eles são de fato parentes como suspeito.

Espero não estar abusando de sua boa vontade, mas é que fico animada demais quando encontro uma possível pista de história familiar nos seus artigos.

Em outro e-mail, pergunta se Francisca Martins de Oliveira, esposa de José Alves Martins, não seria uma das filhas do capitão Silvério Martins de Oliveira.

Para responder aos questionamentos de Lúcia, tenho as seguintes informações: O capitão Sílvério Martins de Oliveira era compadre do meu trisavô major José Martins Ferreira, por ter sido padrinho de meu tio-bisavô Manoel José Martins. Esteve em muitos eventos religiosos, na companhia do meu tetravô, o capitão João Martins Ferreira. Foi o primeiro Administrador da Mesa de Rendas de Macau e, também, foi um dos representantes de Apodi, na eleição para Junta Constitucional, em 1821. Sua esposa, dona Joanna  Nepomucena, era filha de   Anna Josepha Joaquina de Albuquerque (que morou um tempo na Ilha de Manoel Gonçalves) e do capitão Manoel Ignácio de Carvalho.

Sobre a existência de filhos do capitão Silvério não tenho documentação comprobatória, mas apenas suspeitas de que seriam: Antonia Silvéria de Oliveira, natural da Serra de Martins, que foi casada com Eliziário Antonio Cordeiro, natural de Lisboa; Silvéria Martins de Oliveira, Joana Nepomucena, mesmo nome da mãe; e Francisca Martins de Oliveira, citada por Lúcia Tolson.

Sobre o outro Silvério, o que temos é o seguinte: Em 1862, viúvo de Anna Raimunda da Luz, casou na capela de Nossa Senhora do Rosário da Várzea, com Anna Joaquina de Maria, filha de João Baptista do Espírito Santo e Maria Alves Lessa, tendo como testemunhas Manoel Pinto Queiroz e Vicente Barbalho Bezerra. Do seu primeiro casamento com Anna Raimunda, encontramos os seguintes filhos, segundo registros da Igreja: Maria, nascida em 1855, em Macau, tendo como padrinhos Christovão Francisco Gomes e Thomazia Martins Ferreira (irmã do major José Martins Ferreira); Manoel, nascido em 1856, batizado em Curralinho, teve como padrinhos José Alves Martins e Maria Gomes Pinheiro; Higino, nascido em 1858, tendo como padrinhos Marcolino José de Moraes; outra Maria, nascida em 1860, teve como padrinhos João Coelho da Silva e sua irmã Josefa Clementina de Moraes; Ritta Martins dos Passos, que casou com José Alves Barbosa (3º grau de consanguinidade), filho de Manoel Alves Barbosa e Anna Francisca Xavier, no sítio Curralinho, em 1871, na presença de Manoel Alves Barbosa e Vicente Rodrigues Ferreira.

No ano de 1904, faleceu Luis Martins Ramos. Segundo sua inventariante e esposa, Cosma Porcina Lessa, não tiveram filhos. Seus bens foram herdados pela dita Cosma e os irmãos dele: Rita Martins Passos, moradora em Boa Vista, com 50 anos, citada acima; Pedro Martins Ramos, com 55, casado com Alexandrina, moradores em Recife; Manoel Martins Ramos, com 49 anos, morador em Curralinho, citado acima, e casado com Maria Gomes dos Santos; José Martins Ramos, com 46 anos, casado com Maria Silvana de Mello, também morador em Curralinho e, citado acima; e João Martins Ramos, com 57 anos, casado com Damiana Rodrigues Lessa, moradores nas Oficinas.

Do casamento com Ana Joaquina, encontramos, até agora, Silvério, que  nasceu aos 22 de outubro 1863, e foi batizado aos 13 de novembro 1863, na capela das Oficinas, tendo como padrinhos Joaquim José Lessa e Maria dos Prazeres.  Esse Silvério é justamente o trisavô de Lúcia Tolson, que ela diz que casou com Leonídia.

Não encontrei nada que fizesse ligar o capitão Silvério Martins de Oliveira com Silvério, tetravô de Lúcia.

Sobre João Baptista do Espírito Santo e Maria Alves Lessa, pentavós de Lúcia, por parte de Anna Joaquina, encontramos os seguintes filhos: Joanna, nascida em 1843; as gêmeas Damiana e Cosma, nascidas em 1854; Josefa Rodrigues Lessa, que casou, em 1869, com Idalino Tranquilino de Sousa. Essas gêmeas, irmãs de Anna Joaquina, casaram com dois filhos do primeiro casamento de Silvério, pelo que se vê do inventário de Luis Martins Ramos.


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Quer aumentar aumentar a prole? Tome "maca" e o tesão vem logo!

Conheça a raiz que é o afrodisíaco da moda nos Andes

  • Há 3 horas
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Maca peruana | Foto: Promperú
Cientistas afirmam que a raiz beneficia a memória e a fertilidade, além de diminuir a ansiedade
Impulsionada pela moda dos chamados "superalimentos", a maca peruana, também conhecida como "ginseng andino", tem se tornado um dos principais produtos de exportação do país.
As propagandas mais exaltadas a anunciam como uma "resposta natural ao Viagra", apesar de nenhum benefício em termos de potência sexual ter sido confirmado pela ciência.
O que sim, se sabe, é que a maca tem propriedades energizantes e benefícios comprovados que incluem o favorecimento da memória e da aprendizagem.
A raiz é cultivada na região andina, principalmente no Peru, mais de 4 mil metros acima do nível do mar. Segundo registros históricos, ela é consumida pelos nativos desde o século 17, mas de acordo com pesquisadores é conhecida desde o ano 8.000 a.C.
Hoje em dia, é comum encontrá-la em pó ou em cápsulas, em lojas de produtos naturais ou na internet, onde é vendida a preços entre US$ 25 e US$ 35 (o pacote de 500 gramas).
Só entre 2013 e 2014 as exportações de maca peruana saltaram 109% – no ano passado, as vendas renderam US$ 28,7 milhões aos cofres do país.
O pó de maca é o formato cuja exportação teve maior crescimento em 2014 – 111% em relação ao ano anterior. Estados Unidos, Hong Kong, China e Japão são os maiores compradores do "superalimento".
O crescimento levou as autoridades peruanas a criar a Promaca, uma entidade com o objetivo de profissionalizar os produtores, aumentar a oferta internacional e incentivar o processo de industrialização da raiz.
"Como setor, assumimos o compromisso de apoiar o desenvolvimento e a promoção internacional da maca, nosso principal produto", disse, no início de fevereiro, a ministra do Comércio Exterior peruana, Magali Silva Velarde-Álvarez, após assinar um convênio de cooperação institucional em prol da maca.

Energizante e ansiolítico

"Estudamos a maca há 15 anos e, em 2001, descobrimos que ela melhorava a fertilidade, tanto feminina como masculina", diz o biólogo e endocrinologista da Universidade Peruana Cayetano Heredia, Gustavo F. Gonzales Rengifo, especialista nas propriedades da planta.
"E em 2005 percebemos que a cada uma das diferentes variedades e cores da raiz, correspondiam diferentes propriedades."
Maca peruana | Foto: Promperú
A raiz é exportada principalmente para Estados Unidos, Hong Kong, China e Japão
Segundo Rengifo, a maca negra favorece a memória e a aprendizagem, aumenta a quantidade de espermatozóides e sua mobilidade, tem propriedades energizantes e, em geral, diminui os estados de ansiedade. Já a maca vermelha pode ajudar a reverter a osteoporose.
O especialista esclarece, no entanto, que os experimentos com a maca foram realizados em animais, "apesar de que outros, feitos em humanos em diversas partes do mundo, deram resultados semelhantes".
Em 2010, um estudo com mil habitantes da região dos Andes Centrais do Peru – onde se produz a planta – comparou a saúde dos que consumiam a maca com a dos que não a consumiam.
A pontuação alcançada nos testes pelos consumidores habituais com mais de 75 anos foi tão surpreendente que parecia que eles não tinham envelhecido, diz Rengifo.

Diferente do Viagra

Com base nestes estudos, e segundo sua própria experiência, diversos naturistas e médicos tratam seus pacientes com maca. Alguns a receitam contra a insônia, a fadiga ou a ansiedade. Ou ainda como complementar das terapias hormonais durante a menopausa ou para aumentar a libido.
"Descobrimos que (a planta) melhora o desejo sexual, mas não encontramos nenhum benefício para a disfunção erétil, como muitas vezes se diz", afirma Rengifo. O "Viagra andino", portanto, não passa de propaganda.
Estudos feitos desde 2005 pela FDA, agência reguladora de substâncias e medicamentos dos Estados Unidos, também afirmam que a raiz não é tóxica nem para animais, nem para humanos.
Os habitantes dos Andes centrais, de acordo com Rengifo, são prova viva. "Eles consomem até 40 ou 50 gramas da raiz por dia, 30 vezes mais do que qualquer um que tome cápsulas de extrato de maca ou consuma a raiz em pó."
Maca peruana | Foto: Promperú
As diferentes variedades e cores do alimento têm propriedades distintas
As contraindicações geralmente assinaladas por médicos peruanos – eles dizem que mulheres grávidas, crianças ou hipertensivos não podem consumir a raiz, por exemplo – também não foram confirmadas cientificamente, de acordo com o especialista.
"Muitas das coisas tidas como certas sobre maca não foram comprovadas pelas pesquisas. Até o ano 2000 se dizia que hipertensos não poderiam consumi-la, mas descobrimos que, na verdade, ela diminui a pressão arterial", afirma Rengifo.
Os pesquisadores acreditam que as virtudes da planta se devem às condições em que ela cresce. "A maca nasce a quatro mil metros, onde nada cresce, e é cultivada há pelo menos 2.600 anos. Ela desenvolveu substâncias químicas que a permitiram sobreviver todo esse tempo."

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Os descendentes dos Tapuias.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015


João de Deus Fonseca e Maria da Rocha Pimentel


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
O “Levante do Gentio Tapuia” (Guerra dos Bárbaros) foi praticamente um genocídio. Dos que restaram, muitos foram escravizados pelas famílias do militares participantes.

O capitão Theodósio da Rocha era natural do Rio São Francisco, Vila de Penedo, filho do capitão Damião da Rocha. Tinha 51 anos de idade, em 1708, pelo que consta de um assentamento de praça. No ano de 1696, ele foi nomeado, pelo capitão-mor Bernardo Vieira de Mello, como cabo do Presídio, de invocação de Nossa Senhora dos Prazeres, da Ribeira do Assú. Eram seus filhos, conforme livros de batismos ou de assentamentos: João da Rocha Vieira, Bonifácio da Rocha Vieira, Damião da Rocha Pimentel, Máximo da Rocha, Antonio Vaz Gondim, Theodósio da Rocha, Margarida da Rocha, Thereza da Rocha, e Marianna da Rocha.

O alferes Damião da Rocha Pimentel, que assentou praça em 1699, filho do capitão Theodósio da Rocha, se engraçou de Bárbara da Rocha, uma tapuia, escrava de sua irmã, viúva Margarida da Rocha (foi casada com o capitão José Porrate de Morais Castro). Daí nasceu uma filha natural, Maria da Rocha Pimentel.

Em 1744, na capela do Senhor Santo Antonio do Potengi, o Reverendo Manoel Alves de Figueiredo casou Maria da Rocha Pimentel com João de Deus da Fonseca, que era filho natural do licenciado Bento da Fonseca e da tapuia, Maria Barbosa, escrava que foi do alferes de Infantaria Antonio Barbosa de Aguiar, sendo testemunhas o capitão Bonifácio da Rocha, tio da nubente, e o coronel João Pereira (ilegível). Bento da Fonseca era cirurgião e esteve no Terço Paulista comandado por Manoel Álvares de Moraes Navarro.

Encontramos o batismo de uma filha do casal acima, como também de uma neta.

Michaella, filha legítima de João de Deus da Fonseca e de sua mulher Maria da Rocha (Pimentel), naturais ambos e moradores desta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, neta por parte paterna de Bento da Fonseca, natural desta Freguesia e avó incógnita (omitiram o nome de Maria Barbosa) e por parte materna de Bárbara da Rocha, de Nação Tapuia, e de Damião da Rocha, natural desta dita Freguesia, foi batizada com os santos óleos aos vinte e cinco de março de mil setecentos e sessenta e um anos, na Capela do Senhor Santo Antonio do Potengi, desta Freguesia, pelo Reverendo Padre Manoel Antonio de Oliveira, de licença minha; foram padrinhos o capitão João Marques, homem solteiro, morador na Freguesia do Assú, e Dona Ângela de Moraes, solteira, filha da viúva Dona Margarida da Rocha, freguesa e moradora desta dita Freguesia e pela certidão que veio do dito Reverendo Padre que não continha mais, fiz este assento em que por verdade assinei, João Freire de Amorim, vigário.

Ancelmo, filho natural de Anna da Fonseca, e de pai incógnito, neto por parte materna de João de Deus da Fonseca e de sua mulher Maria da Rocha, naturais desta Freguesia, nasceu no fim de novembro de mil setecentos e oitenta e sete e foi batizada com os santos óleos, de licença minha, na Capela de Santo Antonio do Potengi, aos trinta de junho de mil setecentos e oitenta e oito, pelo Reverendo Bonifácio da Rocha Vieira; foram padrinhos o alferes Anselmo José de Figueiredo (Faria) e sua mulher Mariana da Rocha Bezerra, moradores nesta Freguesia. E não se continha mais no dito assento, de que mandei fazer este, em que por verdade me assino. Pantaleão da Costa de Araújo vigário do Rio Grande.

Outros filhos, de João de Deus da Fonseca e de Maria da Rocha Pimentel, foram encontrados em alguns batismos, como padrinhos: Damião da Rocha (Pimentel) e Maria dos Santos, ainda solteiros, foram padrinhos de uma escravinha de Anselmo José de Faria, em 1773.

Dona Margarida da Rocha tinha uma escrava, que depois passou para Ângela de Morais, sua filha, de nome Ludovina, filha de Luiz de Freitas e Rufina da Cunha, cujos três filhos tiveram como padrinhos, outros filhos de João de Deus e Maria da Rocha: Hilária, em 1772, foi apadrinhada por Estanilau Pinheiro Teixeira, morador no Assú, e Úrsula Leite de Oliveira, filha de João; José, em 1769, teve como padrinhos, Lourenço da Fonseca e a mãe Maria da Rocha; Ludovina teve mais um filho, também, José, em 1771, cujos padrinhos foram Lourenço da Fonseca e a irmã Marcelina.

 Antonia de Oliveira Leite foi madrinha junto com o pai, João de Deus, de Maria, filha de Luis Pereira e Jacinta da Rocha, em 1761; os dois novamente padrinhos em 1765, de José, filho de Braz da Rocha e Maria de Figueira, sendo a mãe de Braz da Rocha, a índia dona Bárbara da Rocha.

Um filho de João de Deus da Fonseca, que aparece em um assentamento de praça, é João da Rocha da Fonseca. Outro filho, Bento da Fonseca, mesmo nome do avô, faleceu em 1789, com 26 anos de idade.
O que chama a atenção, nesses registros, são as filhas com sobrenome Leite de Oliveira.  Esse sobrenome parece vir através de Damião da Rocha Pimentel. Será que Dona Antonia Oliveira, esposa do capitão Theodósio e mãe de Damião, seria irmã de João Leite de Oliveira, e ambos filhos do capitão-mor desta capitania,  Antonio Vaz Gondim?




Estado deve providenciar equipe para Delegacia de Polícia Civil de Currais Novos

O juiz Marcus Vinícius Pereira Júnior, da comarca de Currais Novos, julgou procedente os pedidos formulados pelo Ministério Público Estadual em Ação Civil Pública e determinou que o Estado do Rio Grande do Norte, por meio de sua secretária de Segurança Pública, a delegada Kalina Leite, providencie que independentemente de licença, férias ou outro tipo de afastamento, permaneçam em exercício de suas funções perante a Delegacia de Polícia Civil (DPC) de Currais Novos, um delegado, um escrivão e dez agentes de Polícia Civil, tendo em conta necessidade de continuidade do serviço público.

Com o objetivo de efetivar a tutela específica, o Juízo fixou multa diária no valor de R$ 10 mil, em caso de descumprimento da sentença judicial, em desfavor da titular da Sesed. De acordo com a sentença, deverá ser apresentada, no prazo de dez dias, uma relação com os nomes dos servidores públicos ocupantes das vagas referidas.

A sentença destaca que nenhum dos servidores vinculados na DPC de Currais Novos pode ser designado para atuar em outras Delegacias de Polícia Civil, cumulativamente com a de Currais Novos. A sentença do juiz Marcus Vinícius determina ainda que em caso de licença, férias ou outra espécie de afastamento dos referidos servidores, a secretária de Segurança Pública deverá, em um prazo de 24h após o respectivo afastamento, indicar o substituto. [Fonte: Portal TJRN]



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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 2/23/2015 06:29:00 PM

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Uma Felizarda que mudou de nome, na Crisma


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, sócio do IHGRN e do INRG
Felizarda foi batizada, na Capela de São Gonçalo do Potengi, pelo Padre Francisco Bezerra de Góis, aos 15 de fevereiro de 1698. Era filha de Manoel da Costa Rego e de Theodósia da Rocha e teve como padrinhos George de Grasciman e Andrezza Soares, esposa de Francisco Pereira.

Em 20 de abril de 1706, portanto, com 8 anos, vamos reencontrá-la, na Capela de Santo Antônio do Potengi, sendo madrinha de Hilário, filho de Antônio Gonçalves de Amorim e de Perpétua de Barros, e nessa ocasião, foi citada como Felizarda Filgueira, filha da viúva Theodósia da Rocha, sendo, portanto, seu pai, Manoel da Costa Rego, falecido; três anos depois, em 11 de junho de 1709, foi madrinha, lá na Igreja de São Miguel de Guajurú, de Domingos filho de Domingos Carvalho da Silva e de sua mulher Catarina de Barros, sendo citada como Felizarda Figueira da Rocha; em 12 de abril de 1710, foi madrinha, na Igreja de São Miguel de Guajurú, de Clara, filha do capitão João Leite de Oliveira e de Damázia de Morais; em 07 de fevereiro de 1711, na mesma Igreja de São Miguel de Guajurú, foi madrinha de Felizarda filha de Bartolomeu da Costa e de Damázia de Araújo acompanhada do irmão, José Barbosa Rego, este batizado em 1694, na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação.

Mas quem era Theodósia da Rocha, mãe de Felizarda? Nos registros de batismos mais antigos, desta Província do Rio Grande do Norte, são apresentadas duas Theodósia da Rocha. Uma que foi casada com Manoel da Costa Rego e outra que era filha do capitão Theodósio da Rocha. Pensei, inicialmente, que representavam a mesma pessoa, principalmente, por conta da variação que a Igreja fazia em seus registros. Mas, examinando muitos registros fui me convencendo que eram pessoas distintas. Por fim, descobri que a filha do capitão Theodósio da Rocha faleceu, em 1775, solteira, com mais de cem anos e, portanto, não podia ser a esposa de Manoel da Costa Rego.

Voltemos para dona Felizarda. Como seguiu sua vida, posteriormente? Para responder, vamos ao seu segundo casamento (não temos registros de 1712, até 1726), quando ela tinha 29 anos, e onde há referência à mudança do seu nome, por crisma.

Aos cinco de maio de mil setecentos e vinte e sete, na Igreja de São Miguel da Aldeia de Guajirú, em presença do Reverendo Padre Superior do Guajirú, Jerônimo de Sousa, da Companhia de Jesus, de licença minha, e sendo presentes por testemunhas Domingos Barreto, e o capitão João Leite de Oliveira (compadre da nubente), da Freguesia do Rio Grande, se casaram Joana Figueira, que antes da Crisma se chamava Felizarda Figueira, viúva que ficou do sargento-mor Francisco Rodrigues Coelho, natural e moradora no Rio Grande, Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, com João Rodrigues da Silva, filho de Manuel Rodrigues, e de sua mulher Cosma Gomes da Silva, natural da Freguesia de Nossa Senhora da Luz, deste Bispado, e morador neste Rio Grande, Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação. Manuel Correa Gomes, Vigário.

Suponho que esse Francisco Rodrigues Coelho fosse o filho do tenente-coronel Manoel Rodrigues Coelho e Izabel de Barros, que foi batizado aos 12 de agosto de 1697, tendo com padrinhos Manoel Rodrigues Alioza e Damázia de Morais. Não há menção à Igreja, mas outros irmãos de Francisco se batizaram na Igreja de São Miguel da Aldeia de Guajirú, inclusive Maria da Conceição Barros, em 8 de dezembro (dia de Nossa Senhora da Conceição) de 1694, que foi casada com o português de Arrifana de Sousa, Francisco Pinheiro Teixeira.

Do matrimônio com Francisco Rodrigues Coelho, encontrei uma filha,  Francisca Xavier Filgueira, cujo casamento segue. Observamos que no registro o sobrenome que se escreve é Figueira no lugar de Filgueira.

Aos quinze de outubro de mil setecentos e trinta e seis anos, na Igreja do Senhor São Miguel do Guajirú, desta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, feitas as denunciações nesta Matriz e na dita Missão para cuja parte é a contraente moradora, e apresentado os banhos corridos da Freguesia de Goyaninha, donde o contraente é natural e morador, sendo me apresentado um mandado do Ilustríssimo Senhor Bispo, pelo qual me mandava receber por palavras aos contraentes, tendo os ditos satisfeitos a penitência imposta pela dispensa que alcançaram para poderem casar, sem se descobrir impedimento, sendo presentes por testemunhas o Reverendíssimo Cura de Goianinha, o licenciado Antonio de Andrade de Araújo, o capitão Duarte Pinheiro Rocha, Maria Gomes, viúva do tenente-coronel Francisco Xavier Ribeiro, e Dona Maria Magdalena, mulher do sargento-mor Hilário de Castro Rocha, pessoas todas conhecidas e moradores desta dita Freguesia, de licença minha, o Reverendíssimo Senhor Padre Pedro Nogueira, superior da sobredita Missão de Guajirú, assistiu ao matrimônio que entre si contraíram o sargento-mor Jorge Lopes Galvão, natural da Freguesia de Goianinha e nela morador, filho legítimo do capitão Cipriano Lopes Pimentel, já defunto, e de sua mulher Dona Thereza da Silva, e Dona Francisca Xavier Figueira, natural desta freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, filha legitima do sargento-mor Francisco Rodrigues (Coelho), já defunto, e de sua mulher Joana Figueira, moradores desta dita Freguesia, guardando em tudo a forma do Sagrado Concilio Tridentino. E logo lhes deu as bênçãos, e pelo assento que me veio do dito Reverendíssimo Superior, mandei fazer este em que por verdade assinei. Manuel Correa Gomes.

A imagem a seguir é de um livro de batismo, da Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, que está arquivado no Instituto Histórico de Pernambuco. É o batismo de Felizarda, filha de Manoel da Costa Rego e Theodósia da Rocha.
Felizarda ou Joanna


domingo, 8 de fevereiro de 2015

Encontro da família Fernandes adiado para 14 de março em São Fernando/RN.


Foto exclusiva para assessorn.com

O encontro da Família Fernandes que seria realizado neste sábado, 7 de fevereiro, na cidade seridoense de São Fernando, foi adiado, segundo informações da própria família. Em contato com o jornalista João Bezerra Júnior, membro da família, que mora em Natal, ele disse ao blog que o encontro foi transferido para o próximo mês e confirmou que será no sábado, 14 de março.

Este será o segundo ano que a família, com berço na cidade de São Fernando, se reunirá, muitos dos quais com ramificações de Medeiros e Araújo.

Foto e caldo de cana

Na foto, no centro, três netos de Inácio Fernandes de Araújo e Alice Medeiros. São eles, Wilson Filho, Virginia e Wilza, filhos de Wilson Fernandes de Araújo e Sônia Araújo (à direita), essa das bandas do Umbuzeiro, em Caicó. Já na ponta esquerda, outro Fernandes, Zeus. O grupo saiu de Natal para o encontro neste sábado e voltou de Caicó ao saber do adiamento, onde fez uma parada no mercado central para se deliciar do tradicional caldo de cana com pastel.

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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 2/07/2015 01:39:00 PM

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Eles prometiam sustentar a felicidade pública.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015


Posses na Câmara Municipal de Macau, alguns registros




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, sócio do IHGRN e do INRG
Como já tive oportunidade de escrever antes, encontrei, no velho Museu José Elviro, livros da Câmara Municipal de Macau, que não estavam ao alcance dos visitantes ou dos pesquisadores. É, pois, desses livros que extraí alguns registros da vida política dessa Vila, que transcrevo para cá. 

Começamos com o termo de juramento do cidadão brasileiro naturalizado, Balthazar de Moura e Silva, como abaixo se declarou:

Aos dez do mês de setembro do ano de mil oitocentos e cinquenta e seis, nesta Vila de Macáo (era como escreviam naquele tempo), na Sala das Sessões da Câmara Municipal, onde se achava a mesma reunida, em sessão extraordinária, aí compareceu o cidadão brasileiro naturalizado, Balthazar de Moura e Silva, casado com brasileira, com filhos, natural de Mondin de Bastos, Freguesia de São Pedro de Athei, Arcebispado de Braga, em Portugal, e apresentou a Câmara a sua carta de naturalização, que lhe pôs o visto, e depois de registrada, lhe deferiu o juramento, conforme o art. 9º da Carta de Lei de 23 de outubro de 1832, pela forma seguinte: Juro aos Santos Evangelhos abdicar e guardar fidelidade à Constituição e Leis do País e reconhecer o Brasil por minha Pátria desde hoje em diante: o que preenchido, foi lavrado este termo, em que assinou com a Câmara o juramentado. Eu, José Vicente Leão, Secretário da Câmara, o escrevi. Assinaturas dos vereadores e de Balthazar.

No começo de 1857, tomava posse na Câmara Municipal de Macau o suplente de vereador, capitão João Martins Fernandes, na legislatura que estava se encerrando. Logo em março desse mesmo ano, tomavam posse os novos vereadores: Balthazar de Moura e Silva, Antonio Joaquim de Souza Junior, Gorgônio Ferreira de Carvalho, Manoel de Souza Monteiro, o comandante superior Jerônimo Cabral Pereira de Macedo, Manoel Antonio Fernandes Junior e o tenente Francisco Martins de Miranda. Aqui transcrevemos apenas o deste último. 

Aos dezessete do mês de março de 1857, nesta Vila de Macau (aqui na forma que permanece), achando-se a Câmara reunida, na Sala da Casa destinada para as sessões, compareceu o tenente Francisco Martins de Miranda e prestou perante ela juramento da forma seguinte: Juro aos Santos Evangelhos desempenhar as obrigações de vereador da Câmara desta Vila e de promover quanto em mim couber os meios de sustentar a felicidade pública; depois do que houve a Câmara por apossado do Cargo de Vereador e para constar mandei lavrar este termo que com o juramentado assinou. Vila de Macau. Em Sessão Extraordinária de 17 de março de 1857. Os vereadores e Francisco Martins de Miranda.

Além dos vereadores, outros cargos foram empossados nesse ano de 1857, tendo algumas pessoas acumulado funções. Para Juiz de Paz do Distrito da Vila de Macau: tenente José Martins de Sá, Gôrgonio Ferreira de Carvalho, tenente Francisco Martins de Miranda e alferes Christovão de Farias Leite; para Secretário da Câmara, alferes Francisco Xavier da Cunha Vasconcelos; emprego de Procurador da Câmara, Joaquim Varella Venâncio Borges; nomeado pelo governo da província, tomou posse como 1º suplente do Delegado de Polícia do Termo da Vila de Macau, o tenente José Martins de Sá; para cargo de Fiscal, da Vila de Macau, Vicente Ferreira dos Reis e Vicente Ayres de Souza Monteiro.

Mais adiante, nesse mesmo ano, tomaram posse como suplentes de vereador, João Garcia Valladão, capitão Manoel Pereira Farto, Carlos Antonio de Araújo, Eufrásio Alves de Oliveira, Targino Xavier da Cunha e Joaquim Rodrigues Ferreira.

Para subdelegado da Polícia da Povoação de Guamaré, tomou posse o tenente Onofre José Soares.

Algumas dessas pessoas citadas acima são descendentes de moradores da Ilha de Manoel Gonçalves. O vereador Manoel Antonio Fernandes Junior era filho de Manoel Antonio Fernandes e Maria Martins Pureza, neto, portanto, do capitão João Martins Ferreira e de Josefa Clara Lessa. Foi casado com Maximina Anália da Silveira Borges, filha de Joaquim Ignácio da Silveira Borges e Anna Joaquina de Jesus Silveira; o vereador Antonio Joaquim de Souza Junior, outro neto do capitão João Martins Ferreira, era filho de Antonio Joaquim de Souza e Thomazia Martins Ferreira; a irmã dele, Josefa Martins de Souza, foi casada com o vereador Balthazar de Moura e Silva, que enviuvando casou com outra neta do capitão João Martins Ferreira, de nome Maria Petronilla Fernandes, filha de José Joaquim Fernandes e Maria Martins Ferreira.

João Garcia Valladão era um dos portugueses que vieram da Ilha e fundou Macau. Faleceu em 1860; Joaquim Rodrigues Ferreira era filho do português e fundador de Macau, Manoel Rodrigues Ferreira, e de Izabel Martins Ferreira; Christovão Farias Leite, casou em Guamaré, em 1826, mas batizou o filho João, em 1832, na Ilha de Manoel Gonçalves.

Os documentos encontrados no Museu José Elviro precisam da atenção das autoridades de Macau. Eles devem ser digitalizados, urgentemente, pois são úteis para a reconstituição da História do Município. Quem não tem história, não tem identidade.
Batismo de João, de Christovão de Farias Leites Jr, na Ilha de Manoel Gonçalves.