quarta-feira, 13 de março de 2013

Um artigo de um dos melhores genealogistas do RN.


Joaquim Felício Pinto de Almeida Castro




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Câmara Cascudo, em “Velhas Figuras”, traçou, com o título “A família do Padre Miguelinho”, uma excelente genealogia, começando com os três irmãos Manoel Pinheiro Teixeira, José Pinheiro Teixeira e Francisco Pinheiro Teixeira, naturais de Arrifana do Souza, atualmente Penafiel, Bispado do Porto, em Portugal. O primeiro registro que encontrei foi do Padre Manoel Pinheiro Teixeira, em 1706, sendo padrinho de Alberto, filho de Alberto Pimentel e de Francisca de Oliveira Banhos. Já Francisco Pinheiro Teixeira, casado com Maria da Conceição, batizou em 1711, Leonardo, cujo padrinho foi o tio, Padre Manoel Pinheiro Teixeira, e Maria de Carvalho. Leonardo Pinheiro casou com Maria de Borges da Rocha Bezerra e são tetravós maternos de Luis da Câmara Cascudo, segundo o próprio.
Nessa genealogia traçada por Cascudo, ele escreveu sobre Joaquim Felício Pinto de Almeida Castro, filho de Manoel Pinto de Castro e Francisca Antonia Teixeira: Nasceu a 28 de maio de 1776. Residiu sempre no Recife e participou do movimento de 1824. Em janeiro de 1831 continuava solteiro. Nada mais consegui.
Hoje com mais facilidades oriundas do mundo informático, consegui mais complementos que trago para cá. Vejamos, inicialmente, o batismo de Joaquim Felício: Joaquim, filho legítimo do capitão Manoel Pinto de Castro, natural de São Veríssimo de Valbon, arcebispado do Porto, e de Francisca Antonia Teixeira, natural desta Freguesia, neto paterno de Francisco Pinto de Castro, e de Izabel Pinto de Almeida, naturais da mesma Freguesia, de São Veríssimo de Valbon, e materno do capitão Francisco Pinheiro Teixeira, e de Bonifácia Antonia de Mello, naturais desta cidade, nasceu aos vinte e oito de maio do ano de mil setecentos e sessenta e seis e foi batizado com os santos óleos, nesta Matriz, de licença minha, pelo Padre Coadjutor Bonifácio da Rocha Vieira, aos onze de junho do dito ano; foram padrinhos o Padre Alexandre Dantas Correa, por procuração que apresentou do Padre Miguel Pinheiro Teixeira, do que mandei lançar este assento em que me assino. Pantaleão da Costa de Araújo, Vigário do Rio Grande. Esse padre Miguel era irmão do capitão Francisco Pinheiro Teixeira, avô materno do batizado.
Fernando Câmara, tetraneto do coronel Joaquim Felício proferiu uma palestra no dia 20 de outubro de 1987, com o título “A família do Padre Miguelinho no Ceará”, onde a figura central era seu tetravô, esquecido no Rio Grande do Norte.
Segundo Fernando Câmara, que conhecia o trabalho de Cascudo, Joaquim Felício fez parte da Junta Governativa do Ceará, durante a Confederação do Equador, em 1824. Diz, que em 1802, ele já era casado e no dia 22 de agosto de 1803, batizava em Quixeramobim, onde residia, o primogênito Manoel Felício. Era casado com Maria Francisca do Espírito Santo, filha do opulento fazendeiro, o tenente-general Vicente Alves da Fonseca, e de sua esposa Maria Francisca do Espírito Santo. O coronel Joaquim Felício faleceu em Quixeramobim, em 20 de fevereiro de 1833.
Além de Manoel Felício, Fernando Câmara encontrou outro filho de Joaquim e Maria Francisca. Era Joaquim Felício de Almeida Castro, que casou em 1834, com sua cunhada Maria do Rosário de Lima, viúva de Manoel Felício.
Esse Manoel Felício teve um filho de nome Miguel Joaquim de Almeida Castro (mais um com o nome de Miguelinho), que gerou Maria Olindina de Castro Câmara, casada com Manoel Fenelon da Silva Câmara. Deste último casal nasceu Miguel Fenelon Câmara, pai de Fernando Câmara.
A repetição de nomes na família Pinheiro Teixeira é muito grande, gerando equívocos por parte dos genealogistas. Lembramos que o coronel Joaquim Felício era irmão de Padre Miguelinho, Clara de Castro, e do tenente Francisco Pinheiro Teixeira, sogro de Clara. Ignácio, esposo de Clara tinha um irmão que se chamava, também, Joaquim Felício. Este nasceu aos 7 de fevereiro de 1805, batizou-se no mesmo mês e ano, e teve como padrinhos seu tio Joaquim Felício Pinto de Almeida Castro e D. Bernardina de Oliveira Leite. Segundo Cascudo, Joaquim Felício, irmão de Ignácio, casou com Cosma Rodrigues Veras. Daí nasceu Maria Joaquina que casou com o tio, quando ele enviuvou de Clara de Castro.
Dona Maria Joaquina, já viúva do tenente-coronel Ignácio, foi envolvida no assassinato de uma sua escrava de nome Henriqueta, como conta Eduardo Campos, no seu trabalho intitulado “Revelações da condição de vida dos cativos do Ceará”.
Miguel Joaquim de Almeida Castro (Miguel Castro, nome de uma das nossas avenidas), que foi o primeiro governador eleito do Rio Grande do Norte, em 1891, era irmão de Dona Maria Joaquina, filho que era desse outro Joaquim Felício e de Cosma.
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2 comentários:

  1. O casamento de Joaquim Felício Pinto de Almeida e Castro foi em Aracati no dia 07 de janeiro de 1800 com Maria Francisca do Espírito Santo, f. de Vicente Alves da Fonseca Júnior e de sua mulher Maria Francisca do Espírito Santo, casados em 21 de outubro de 1776, np do Ten. Vicente Alves da Fonseca e de sua mulher Tereza Fragoso das Chagas, e nm do Ten. João Velho Gondim e de sua mulher Antônia do Espírito Santo.
    Cirilo Pinto de Almeida Castro nasceu por 1827, era f. de Joaquim Felício, e a sua mulher foi Umbelina Maria do Amaral, e seus filhos:
    . Miguel de Almeida e Castro, a sua mulher foi Francisca Pinheiro Maia.
    . Clara Pinto de Almeida e Castro, o seu marido foi João Mendes de Araújo, f. de outro de igual nome e de sua mulher Teodora Maria de Araújo
    . Inácio Pinto de Almeida Castro, a sua mulher foi Maria Pinheiro Maia, e foi pai de:
    - Adonis Pinheiro de Almeida Castro, que casou com Adélia Pinheiro de Almeida, sua prima carnal, f. dos já citados Miguel de Almeida e Castro e de sua mulher Francisca Pinheiro Maia.
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    1. Essas informações comentadas acima não faziam parte da palestra de Fernado Câmara. Seria interessante que o comentarista se indentificasse para dar fé ao que escreveu.

terça-feira, 12 de março de 2013

O primeiro relato impresso sobre o casarão de Manoel Pegado Cortez (filho).


"Entre Currais Novos e Santa Cruz, tivemos a pousada mais encantadora da viagem, no planalto da Borborema, antes de descambar da serra do Doutor: fomos recebidos gentilmente na Fazenda S. Luiz, pela viúva D. Maria Pegado e duas suas gentilíssimas filhas. Dessas, era loura uma e a outra morena que muito me impressionou, a ponto de o notarem os companheiros de excursão. Não fora a curta permanência em S. Luiz, apenas de umas horas, e talvez eu não resistisse aos encantos de tão graciosa quão discreta sertaneja”, escreveu Henrique de Novaes, na página 78 do seu livro “Reminiscências do Rio Grande do Norte”, no qual relata a histórica viagem ao nosso Estado, em 1904, da Missão Sampaio, enviada pelo Governo Federal, para planejar as obras  contra a seca (barragens, açudes, estradas, etc).
Este é o primeiro documento impresso sobre Maria Senhorinha Dantas Cortez, popularmente conhecida por “Marica Pegado”, viúva do fazendeiro Manoel Pegado Cortez Filho, filho de Manoel Pegado Cortez, do Engenho Bom Jardim, de Goianinha/RN. Não sabemos a data da sua primeira impressão, mas houve uma reedição fac-similar patrocinada por Vingt-Um Rosado Maia, na Coleção Mossoroense, na qual está identificado como pertencente a Série C _ Volume CCCLXIII, 1987, conforme consta do Núcleo de Estudos Históricos do Departamento de História  da UFRN – Acervo Bibliográfico – Rio Grande do Norte.
O exemplar do livro de Henrique de Novaes foi obtido graças a Oswaldo Lamartine, que  encontrou na biblioteca do seu pai, Juvenal Lamartine de Faria.
Os catorze homens da Missão Sampaio, chefiada pelo jovem Henrique de Novaes, fez o trajeto entre Caicó e Natal, oito dias, a cavalo. Em Natal, a 12 de março de 1904, “pelas 14 horas”,  encontraram a cidade com mais de 4 mil flagelados da seca, famintos e doentes, morrendo nas praças e nas ruas, à míngua,  pois os moradores não tinham condições de dar os alimentos necessários. 
 Lateral da casa grande do sítio São Luiz, em Currais Novos/RN, mencionada no livro de Henrique de Novaes, de 1904, que, décadas depois, tornou-se um dos luminares da engenharia brasileira.
Henrique de Novaes foi deputado e senador pelo Estado do Espírito Santo, conforme informações abaixo do Arquivo do Senado Federal.

    Períodos Legislativos da Terceira República - 1937-1946

    Henrique de Novaes
    Nascimento: 16/8/1884
    Natural de: Cachoeiro de Itapemirim   - ES
    Filiação: Manoel Leite de Novaes Melo
                 e  Maria Souza de Novaes
    Falecimento: 4/4/1950


   Histórico Acadêmico
     Primário     Escola Particular

   Cargos Públicos

     Engenheiro do Estado de São Paulo.     São Paulo
     Presidente da Companhia Vale do Rio Doce.  
     Chefe do Primeiro Distrito na Inspetoria  
     Diretor do Departamento Federal de Águas e Esgotos     Vitória

   Profissões
     Servidor Público
     Engenheiro

   Mandatos
     Prefeito  -       1916 a 1920
     Prefeito  -       1944 a 1945
     Senador  -       1946 a 1950



   Trabalhos Publicados
     - Novaes, Henrique. Estudos Preliminares para um plano de recuperação do Vale do São Francisco. Rio de Janeiro. Imprensa Nacional, 1947. (Câmara);
     - O Plano Salte (Transportes e Energia na Comissão de Viação e Obras Públicas do Senado Federal. Rio de Janeiro. Imprensa Nacional, 1949. 109. P. (Ministério da Justiça).
     
Informações fornecidas pela Secretaria de Arquivo   do Senado Federal.



quinta-feira, 7 de março de 2013

Os Araújo Lima são Pegado Cortez.

Conversamos com dona Helena Carvalho de Araújo Lima, numa agradável varanda da Fazenda Bom Jardim, em Goianinha, numa manhã ensolarada, ouvindo os passarinhos, olhando o casarão centenário, os jardins, as ruínas da casa que pertenceu a Manoel Pegado Cortez, ao lado dos restos de uma senzala. Dona Helena, aos 91 anos, viúva de Luiz Gonzaga de Araújo Lima, demonstrando muita lucidez, nos recebeu sem nenhum agendamento. Ela não nos conhecia, mas, apesar de estar com a sua manicure dando as últimas "pinceladas" nas unhas, nos atendeu sem restrições.
A conversa girou em torno de genealogia, nada sobre o novo ponto turístico da região sul do Rio Grande do Norte: Bom Jardim, berço do político, escritor, pintor e jornalista Antonio Bento de Araújo Lima, que em 1928 trouxe Mário de Andrade para conhecer o cantador e poeta popular Chico Antonio, por quem se apaixonou.
A mãe de dona Helena, Antonia Barroso de Carvalho era uma Pegado Cortez quando casou com João Barroso de Carvalho. "Manoel Pegado Cortez era casado com uma índia, teve uma filha chamada Maria Camila, que era avó de Agenor de Araújo Lima, casada com uma prima, Benedita, mãe de Conceição, Bentinho, Manoel Otoni (Babá) Alfredinho, Benedita (Ditinha) e Amaro. A família teve uma figura ilustre, alvo de uma homenagem no Senado Federal, em 2012: Pedro de Araújo Lima, um português, que foi o "Marquês de Olinda", afirma a fazendeira de 91 anos. O Marquês de Olinda era irmão de Antonio Bento de Araújo Lima
"A senhora sabia que os Bezerra de Araújo Lima são também Pegado Cortez, vindos de Espanha?". "Sim, sabia e que tinham parentes no Seridó", respondeu E adiantou: "Maria Camila, avó de sr. Agenor, era irmã de Manoel Pegado Cortez Filho", disse dona Helena, se referindo às origens da família de Marica Pegado e Manoel Pegado Cortez. Essas informações estão sendo analisadas pelo pesquisador Rodrigo Cortez, neto de Olavo Dantas Cortez, já falecido, que era casado com Maria Anísia Gomes Cortez, "Pepita". Rodrigo é neto de Olavo D. Cortez e o mais novo genealogista do RN.
Indagada sobre um visitante ilustre na Fazenda Bom Jardim, dona Helena falou sobre Mário de Andrade, o pesquisador das músicas e canções nordestinas, que esteve no Nordeste a serviço do Governo de São Paulo, no fim da década de vinte."Quando ele esteve aqui, a convite de Antonio Bento, Mário de Andrade conheceu Chico Antonio, que era o administrador desta propriedade. Chico Antonio era um homem jovem, bonito, forte, trabalhador e cantava muito bem. Aí Mário de Andrade ficou apaixonado pelo homem e levou ele para São Paulo para cantar na Rádio Tupy. Chegando nos estúdios da rádio, Chico Antonio, matuto encabulado, não abriu a boca, não cantou nada. Acho que foi a emoção de entrar numa rádio. Não sei, mas Chico Antonio veio embora para cá,disse, sorrindo.


Dona Helena quando conversava com Rodrigo Cortez e Luiz Gonzaga, em Bom Jardim.