quinta-feira, 20 de novembro de 2014

quinta-feira, 20 de novembro de 2014


Geraldo Pereira.


Vicente Ignácio Pereira - O bisavô, o neto e o bisneto

Vicente Ignácio Pereira, o bisavô do autor deste ensaio, foi médico na cidade do Ceará-Mirim, Estado do Rio Grande do Norte, casado com uma filha de Manoel Varela do Nascimento, o Barão do Ceará-Mirim, Isabel Augusta Varela Pereira. Com o matrimônio recebeu, certamente como antecipação da herança, o Sitio Bonito, que depois se transformou no engenho Guaporé, onde ele viveu e morreu. Foi ele quem construiu a Casa Grande, até hoje de pé, da qual não se tem informações adicionais, senão os comentários de ser um imóvel afidalgado, com estilo afrancesado. Ali exerceu a arte de curar até a morte de uma filha, entre os 13 e os 14 anos de idade, quando jurou, à saída do féretro, não exercer mais a medicina.

A moça, de nome Maria Cristina Varella Pereira, faleceu, conforme consta de notícia na imprensa, no jornal Correio de Natal, em 16 de novembro de 1878, vítima de uma hemorragia nasal. A moça, por hipótese, adoeceu de uma doença sistêmica, capaz de justificar o óbito e o sangramento. Por certo que foi acometida por um linfoma ou por uma leucemia. Conta Nilo Pereira, em seu livro A Rosa Verde, que o facultativo aceitou fugir a seu juramento, quando uma escrava engravidou e obteve do senhor a promessa de que faria o seu parto. Não diz, no entanto, se a criança nasceu pelas mãos dele ou se a mãe foi partejada por outro, opção que o autor aventa!

Ele integrou aquele grupo que Nilo Pereira enalteceu, tornando-os personagens literários, em crônicas diárias ou mesmo em livros que publicou. Só assim, como está em Helicarla Nyele, foram projetados nos ambientes sociais em que viveram e se perpetuaram, permitindo àquele autor o resgate também de cenários pretéritos, de uma aristocracia própria daquele lugar, no qual o açúcar viveu um apogeu digno da gênese literária.

O bisneto não vai conseguir fazer como fez o neto, Nilo Pereira, mas há de inserir o médico ilustre na memória das doenças do Nordeste do Brasil. A publicação só foi reencontrada recentemente, depois do falecimento da mãe do autor deste ensaio, Lila Marques Pereira e enviada pela irmã, Maria de Fátima Marques Pereira, que sabia do interesse que tinha o irmão médico nesses estudos de preservação da história parental. Esse é um material que veio do Ceará-Mirim, com a mudança para o Recife de Beatriz Pereira e Deolinda do Nascimento Barroca, netas do Barão do Ceará-Mirim e respectivamente avó e tia em segundo grau de quem escreve essas linhas.

O Dr. Vicente, por certo nunca imaginou que um bisneto seu, médico como ele, neto de seu filho Fausto Varela Pereira e filho de seu neto, Nilo de Oliveira Pereira, a quem ele próprio não conheceu, fizesse um resgate de seu nome tantos anos depois de sua morte. Pois é, a 126 anos de seu falecimento, na cidade do Ceará-Mirim, no Rio Grande do Norte, comenta-se aqui não apenas as informações sobre a pessoa e o médico Vicente Ignácio Pereira, mas uma monografia assinada por ele e publicada em 1887, impressa na “Typografia dos Dois Mundos”, sob o título de “Considerações Práticas sobre o Cholera-Morbus – sua profilaxia e seu tratamento.”. Opúsculo, como está no texto, voltado para a sociedade em geral e menos para a classe médica, que o autor, reconhecia competente e experiente.

A família Pereira, especialmente o ramo do Rio Grande do Norte, começa com o português Joaquim Inácio Pereira, que migrou de sua pátria para o Ceará-Mirim, em 1795, morrendo por lá a 22 de fevereiro de 1868. Vicente foi o quarto filho de Joaquim e de sua esposa Dona Antonia Maria de Jesus. O livro de Alcides Francisco Vilar de Queiroz, intitulado “Villar & Cia – Apontamentos de História Familiar”, esclarece que a família Pereira é uma das mais importantes de Portugal e vem de D. Mendo, irmão do último rei dos Longobardos, de nome Desidério, que veio da Itália para conquistar a Galícia. Dentre os descendentes, está Nuno Álvares Pereira, beatificado em 1918. 

Um texto que é parte de um ensaio que venho escrevendo sobre o meu bisavô, médico na cidade do Ceará-Mirim, onde exerceu a arte, enquanto a filha Maria Cristina viveu. Depois, jurou nunca mais atender ninguém, tal a frustração que sentiu quando não pôde salvar a filha. A moça talvez tenha morrido de uma leucemia.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Alcides Dias Fernandes, criador da UERN.


Aluísio Barros Oliveira19 de novembro de 2014 00:33
Verificando nos registros da UERN, encontrei essa homenagem prestada ao sr. Alcides Dias Fernandes, em Assembleia Universitária (colegiado máximo da UERN), por ocasião do 30º aniversário: Resolução n.º 015/98
Concede Título “Mérito URRN 30 Anos” a Alcides Dias Fernandes, Alcides Jácome Mascarenhas, Antonio Francisco Albuquerque, Carlos Borges de Miranda, Joaquim Solon Moura, José Augusto Rodrigues, Manoel Leonardo Nogueira, Raimundo Nonato da Silva, precursores da criação da URRN."...........Caro Aluizio Barros esse documento é de grande importância como prova da autenticidade de tudo aquilo que já escrevi sobre a participação de Alcides Dias Fernandes como o legítimo fundador da UERN. Como poderei conseguir uma copia autenticada desse valioso documento? Se não for muito incómodo gostaria que você me ajudasse nessa tarefa pegando essa copia para que eu junte com as que possuo em casa. Gracias Aluizio, muitíssimo obrigado pela grande colaboração nesta minha luta. rOgerio Dias -8880 4919 - OBS: Pessoalmente eu já havia solicitado a UERN uma busca sobre esse assunto e as respostas foram todas NEGATIVAS, "Nada existe em referência ao citado cidadão"....Vc fortaleceu muito a minha luta.

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​O que era Sítio, hoje é um município, a partir de Joaquim Rodrigues Ferreira, filho do português Manoel Rodrigues Ferreira e da assuense Izabel Martins Ferreira.​

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Joaquim Rodrigues Ferreira, lá do Alto do Rodrigues




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Em alguns testamentos e inventários, mais antigos, já faltam algumas folhas. O testamento de Joaquim Rodrigues, escrito de próprio punho, por exemplo, começa na página 4, e lá está escrito: ...for aberta a sucessão, serão herdeiros da referida terça os meus filhos, que existirem do segundo leito. Peço e espero que meus filhos do primeiro casamento não verão nesta disposição manifestação de menos amor e amizade às suas pessoas por minha parte.

Declaro que quero ser sepultado no cemitério do lugar em que falecer e que meu enterro deverá ser simples e sem pompa, correndo as despesas, por este feito, por conta de minha terça. Nomeio meus testamenteiros a minha mulher Ricardina Rodrigues Cavalcanti, Bacharel João Alves de Oliveira e Salustiano Francisco Cacho, na ordem que estão indicados: a todos e a cada um dos quais rogo, queiram aceitar esta minha incumbência.

Este é meu testamento e a última vontade para ser cumprida depois de minha morte e por ele revogo qualquer outro que por ventura exista. Recife, dez de março de mil oitocentos e noventa e nove. Joaquim Rodrigues Ferreira.

Esse testamento foi levado ao cartório do tabelião Apolinário Florentino de Albuquerque Maranhão, rua Dr. Feitosa, Recife, sendo testemunhas: Henrique Bernardes de Oliveira, José Carlos de Sá, Joaquim dos Anjos Nogueira, João Batista de Sá e Julião Barbosa de Souza, moradores em Recife.
No dia 24 de março de 1804, na cidade de Macau, em casa de residência do testador Joaquim Rodrigues Ferreira, a viúva Dona Ricardina, entregou ao Juiz João Teixeira de Souza, o testamento do seu marido, que faleceu, em seu sitio denominado Alto do Rodrigues, no dia anterior, às duas horas e vinte minutos da tarde, pouco mais ou menos.

Dona Ricardina apresentou, como filhos do coronel Joaquim Rodrigues Ferreira, os nomes que seguem. Do casamento com D. Generosa (Bela) Rodrigues da Silveira: Dona Olympia Rodrigues de Souza, 45 anos, casada com o tenente-coronel Joaquim Ildefonso Virgulino de Souza, residente em Macau; Odorico Rodrigues Ferreira, com 40 anos, casado (com Amélia Rodrigues Ferreira), morador e residente na Pendência; Anna Rodrigues Ferreira, de 35 anos, casada com Manoel Teixeira de Carvalho Filho, residente em Macau.

Do casamento com a inventariante, Dona Ricardina, listou os seguintes filhos: Rosa Rodrigues Cacho, com 27 anos, casada com Antonio de Castro Cacho, residente em Macau; Ricardo Rodrigues Ferreira, com 24 anos, casado, residente na cidade de Recife; Álvaro Rodrigues Ferreira, com 23 anos, solteiro, residente em Macau; Rodrigo Rodrigues Ferreira, com 22 anos, solteiro, residente em Macau; Laura Rodrigues de Oliveira, 20 anos, casada com José Fernandes de Oliveira, residente em Macau; Irineu Rodrigues Ferreira, com 19 anos, solteiro, residente em Macau; Delmiro Rodrigues Ferreira, 14 anos, residente em Macau; Marfisa Rodrigues Ferreira, com 13 anos, residente em Macau; João Rodrigues Ferreira, 11 anos, residente em Macau; Francisco Rodrigues Ferreira, 9 anos, residente em Macau.

No inventário aparecem vária terras que foram compradas pelo testador, em diversos municípios. A fim de reconstituir os nomes dessas localidades e seus donos, listamos aqui esses bens de raiz do falecido: Sítio denominado “Alto do Rodrigues” no município de Macau, compreendendo uma posse das sobras das terras do antigo Sítio “Sacco”, comprada a Rufino Álvares Clavassino Costa; noventa e seis braças de terras, no lugar denominado Ponciana, do município de Macau, comprada a João Albano Cabral e sua mulher (Justina Maria da Conceição); mais seis braças e meia de terras, no mesmo lugar Ponciana, a margem do Rio Assú, extremando-se com a terra de Theodoro Alves Guimarães, compradas aos herdeiros de Francisco de Sales Urbano; 22 braças de terras, em Macau, a margem direita do Rio Assú, comprada a Dona Josefa Ferreira Monteiro; nessa mesma Tabatinga, 12 braças de terras compradas a Dona Anna Rosa Fernandes de Jesus; nessa mesma Tabatinga, 14 braças de terras, compradas a Manoel Joaquim de Lima; 30 braças de terras, nessa mesma Tabatinga, compradas a Jerônimo Fernandes Gomes; meia braça de terras, na Tabatinga, comprada a Manoel Luiz Ferreira das Neves; 43 e 1/2 braças de terras no lugar denominado Buraco do Estevam, compradas a José Francisco dos Anjos; uma parte de terras em Gaspar Lopes, município de Angicos, comprada a Francisco Quilidônio da Costa Machado; duas partes de terras, no lugar denominado de Serra Aguda, município de Angicos, compradas a Francisco Xavier da Cunha Vasconcelos; 400 braças de terras, com fundos de 4 500 braças, no lugar denominado Baixa do Pau Branco, comprada a Francisco da Rocha Freire Cabeleira; uma posse da data de terras Curralinho, em Angicos, atualmente denominada Santa Rosa, comprada a Francisco Xavier de Souza e sua mulher; Uma parte de terra, no lugar denominado São Julião, comprada a Julião Barbosa de Souza e sua mulher.

Joaquim Rodrigues Ferreira era filho do português Manoel Rodrigues Ferreira e da assuense Izabel Martins Ferreira, que foram moradores na Ilha de Manoel Gonçalves.
Herdeiros de Joaquim Rodrigues Ferreira

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Meu tetravô e o testamento de Domingos Affonso Ferreira Jr.




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Segundo Zilda Fonseca, em “Desbravadores da capitania de Pernambuco, seus descendentes, suas sesmarias”, Domingos Affonso Ferreira Jr. nasceu em 1781, filho de Domingos Affonso Ferreira e Maria Theodora Moreira de Carvalho. Enquanto Maria Theodora faleceu aos 9 de dezembro de 1803, seu marido, Domingos,  faleceu, no ano seguinte, aos 5 de fevereiro, menos de dois meses depois. O inventário destes dois últimos durou muitos anos. Em 1810, o inventariante, Bento José da Costa, ainda pedia avaliações das terras e bens, aqui no Rio Grande do Norte, sendo seu representante e administrador das terras do Assú, José Álvares Lessa.
Aos 28 de março de 1814, Domingos Jr. fez seu testamento, iniciando com as seguintes palavras: Digo eu, Domingos Affonso Ferreira (Jr.), que estando de cama temendo a morte, não sabendo a hora, e por estar em meu perfeito juízo ordeno meu testamento pela maneira seguinte. Primeiramente encomendo a minha alma a Santíssima Trindade que me criou e queira receber minha alma no céu, assim como fez a Jesus Cristo, unigênito do Padre, que uniu os homens, encomendo-me a Maria Santíssima, Anjo de minha guarda, Santo do meu nome queiram ser os medianeiros diante de Deus.
Nomeou como seus testamenteiros, o cunhado, coronel Bento José da Costa, Dona Joanna Cândida de Lima, e Dona Izabel Maria Ferreira. Declarou que era natural da Vila do Recife, filho de Domingos Affonso Ferreira e Dona Maria Theodora Moreira de Carvalho. Disse mais, que do melhor da sua fazenda fosse para o afilhado José Affonso Ferreira. Deixou mais ainda, quantia em dinheiro, para as tias D. Catarina Angélica, Dona Joaquina da Conceição e Dona Joanna Cândida, e para sobrinha e afilhada Dona Maria, filha de sua irmã Izabel Maria Ferreira. Nomeou como seus herdeiros universais seus irmãos machos e fêmeas.
Afirmou, ainda, que de posse dele havia um sítio na Ponte de Uchoa, com casa de vivenda, por conta do que lhe ia tocar por herança dos seus falecidos pais, cujos bens se achavam pro indivisos. Declarou que tinha contas com seu cunhado Bento José da Costa, com outro cunhado, José Antonio Alves de Souza, e com sua irmã Izabel Maria Ferreira.
Aos 23 de abril de 1814, pouco tempo depois do seu testamento, Domingos Jr. faleceu, solteiro, na Boa Vista, sem deixar sucessão.
No seu inventário, o que chama a nossa atenção é o número de pessoas que lhe deviam. A quase totalidade dos devedores estava, também, no inventário dos seus pais. É possível que ele tenha herdado essas dívidas ativas. Na lista, em ordem alfabética, aparecem, entre os muitos devedores, Antonio Lopes Viegas, Francisco Antonio Teixeira, lá do Assú,  e Bernardo José da Costa, irmão de Bento José da Costa.  Algumas dívidas já estavam a cargo de outras pessoas, entre elas o  inventariante Bento.
Em 1815, José Álvares Lessa, já era falecido, como se poder ver, em “Questão de Limites”, de um ofício do vereador Manoel Ignácio Pereira do Lago para o escrivão geral da Vila Nova da Princesa, Manoel de Melo Montenegro Pessoa. Por isso, nas dívidas ativas de Domingos Affonso Ferreira Junior, encontramos, que a cargo de João Martins Ferreira (meu tetravô) ficou uma dívida do falecido José Álvares Lessa, administrador das Fazendas do Assú, e consta da conta que com ele se ajustou em dezesseis de outubro de mil oitocentos e onze, o qual não deixou bens e sim algumas dívidas. Mais ainda, a cargo do dito João Martins, parte das dívidas que deviam as fazendas do Assú, de mil setecentos e noventa e oito a mil oitocentos e quatro, e mais ainda, as dívidas que deviam outras fazendas desde mil oitocentos e quatro a mil oitocentos e onze.
Além das terras compradas por Bento José da Costa e seu sogro,  Domingos Affonso Ferreira, em 1797, havia mais duas Sesmarias recebidas por este último em 1798, tudo aqui no Rio Grande do Norte. O capitão João Martins Ferreira foi administrador das terras do Assú, com base na Ilha de Manoel Gonçalves, e pelo visto deve ter assumido com o falecimento de Lessa. Outro detalhe é que a esposa de João Martins Ferreira se chamava Josefa Clara Lessa, possivelmente, filha do falecido José Álvares.
Felipe Neri Ferreira, irmão de Domingos

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

QUINTA-FEIRA, 6 DE NOVEMBRO DE 2014


 O INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RIO GRANDE DO NORTE VIVEU UMA NOITE MEMORÁVEL.


          Numa noite memorável, a Centenária da Memória Histórica do Rio Grande do Norte, realizou uma sessão especial e solene, reabrindo as suas portas à comunidade pesquisadora.
            Logo à porta de entrada se postou a Banda de Música da nossa Gloriosa Polícia Militar, que brindou a todos com inúmeros dobrados e marchas tradicionais.
          Rigorosamente às 20 horas, sob a Presidência do Escritor VALÉRIO MESQUITA, teve início à sessão solene do dia 05 de novembro corrente, com a presença de Autoridades, dos novos sócios e suas famílias e de uma grande assistência, que lotou o Salão Nobre e o Largo Vicente Lemos, que permitiu o acompanhamento através de um telão.

A Mesa dos Trabalhos
Após a composição da Mesa e palavras iniciais do Presidente, foi executado o Hino Nacional Brasileiro, pela briosa Banda de Música da Polícia Militar do Estado.
Em nome do IHGRN, saudando os empossandos, falou o Diretor Orador 
JOSÉ ADALBERTO TARGINO ARAÚJO. 

 Em seguida ocorreu a entrega dos diplomas e, em nome dos empossandos, usou da palavra o novo sócio FRANCISCO DE ASSIS CÂMARA, proferindo um discurso marcante.


Na sequência dos trabalhos houve o lançamento do livro do consagrado Jurista, Político e Humanista AUGUSTO TAVARES DE LIRA sobre a "História do Rio Grande do Norte", edição do Senado Federal.
Encerrada a sessão, o Presidente convidou os presentes para o recital do Grupo Musical "UFRN CELOS" no alto do espaço Vicente Lemos, tendo sido executadas cinco peças eruditas.
O CERIMONIAL foi impecavelmente conduzido por Ana Grova, da Prefeitura Municipal do Natal.
Ao final, foi servido um coquetel aos presentes.
Tudo dentro do "figurino", deixando a Diretoria e Conselho Fiscal plenamente satisfeitos com o resultado do prestígio da sociedade para com a Casa da Memória.
Fonte: IHG/RN

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Os pernambucanos com interesses no Rio Grande do Norte.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

José Ramos de Oliveira e Izabel Maria da Costa




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, sócio do IHGRN e do INRG
José de Oliveira Ramos, dono do Engenho Salgado, lá em Porto de Galinhas, foi preso, logo no início da Revolução de 1817, e, mesmo com os apelos do seu amigo Tollenare, só foi liberado com o fracasso da mesma. O rico comerciante português e grande traficante de escravos, Bento José da Costa, não foi afetado pelas mudanças de poder. Na revolução, sua filha Maria Theodora casou com um dos líderes da mesma, Domingos José Martins. Posteriormente, casou seu filho Bento com Emília Júlia, filha de outro participante da Revolução, Gervásio Pires Ferreira, e, também, outra filha Izabel Maria da Costa, com José Ramos de Oliveira, filho do preso da revolução, José de Oliveira Ramos.

José Ramos de Oliveira e sua esposa foram padrinhos do meu bisavô, o tenente-cirurgião Francisco Martins Ferreira, como se vê do registro.

Francisco, filho legítimo do Major Jose Martins Ferreira, e de D. Josefina Maria Ferreira, nascido, aos sete de outubro de mil e oitocentos e quarenta e um, foi batizado aos seis de janeiro de quarenta, e dois em Macáo pelo Padre João Francisco Pimentel que lhe impôs, de minha licença, os santos óleos. Foram padrinhos o tenente-coronel José Ramos de Oliveira, e sua mulher Dona (Izabel) Maria da Costa, por seus procuradores em Macáo. Manoel Januario B. Cavalcanti. Vigário Encarregado de Angicos.

Quatro anos depois desse batizado, o padrinho faleceu, como podemos ver da notícia que encontramos no Anuário Político, Histórico e Estatístico do Brasil (Hemeroteca Nacional): o comendador José Ramos de Oliveira, um dos mais ricos capitalista de Pernambuco, principal acionista da Companhia Beberibe, membro da comissão diretora das obras do teatro público, cônsul de Dinamarca, e presidente da Associação Comercial da praça, faleceu em Pernambuco, no dia 7 de julho de 1846, em consequência de uma espinha no rosto, ao pé do nariz, a qual foi escarificada e tratada sem proveito.

Em 1848, Dona Izabel Maria da Costa Ramos, já viúva de José Ramos de Oliveira, fez seu testamento nomeando, como testamenteiros, seus irmãos Bento José da Costa (Jr.) e Joaquim José da Costa e mais seu guarda-livros João Evangelista da Costa e Silva. Nomeou, também, seu irmão Manoel José da Costa (futuro barão das Mercês), como tutor dos seus filhos menores Bento José Ramos de Oliveira de 10 anos e 4 meses, e Anna Isabel Ramos de Oliveira de 8 anos e 6 meses. Mesmo com a nomeação do tutor, deixou a responsabilidade, para que fossem conservados, tratados, educados e dirigidos, seus filhos, até alcançarem a maioridade, para sua irmã Francisca Escolástica Josefa da Costa.

Entre os bens da viúva constava, aqui na região do Assú, meia légua de terra no Rio Salgado, no lugar Santa Luzia, em que estava sentada a Fazenda do mesmo nome, com casa, currais e umas benfeitorias, tudo avaliado por quatro centos mil réis. Era seu procurador, aqui, Manoel de Melo Montenegro Pessoa.

Na Vila do Príncipe, o casal inventariado possuía duas Fazendas, Baixa Verde e Malhada. A primeira, que tinha como criador Manoel Casado da Fonseca, media meia légua de comprido e meia légua de largura, confinando pelo Sul com o Rio Seridó, pelo Norte com terras da Fazenda Malhada, pelo Nascente com terras de Pedra Branca, e pelo Poente com terras do Sitio Barra do Riacho Fundo. A segunda, na beira do Rio Seridó, que tinha como criador José Casado da Fonseca, media uma légua de comprido, com três léguas de fundo, confinando pelo Norte com a Fazenda dos Patos, pelo Nascente com as terras da Fazenda Saco dos Martins, pelo Sul com terras da Barra do Riacho Fundo, e pelo Poente com o Rio Seridó. 

Em 1849, Dona Izabel já era falecida. Entre os documentos, do inventário, encontramos um pleito do tutor de Anna Izabel, no inicio de 1860, ao Juiz de Órfãos, nos termos a seguir: Diz Manoel José da Costa, tutor da órfã D. Anna Izabel Ramos de Oliveira, filha do finado comendador José Ramos de Oliveira, que tem contratado casar sua tutelada, a qual já conta dezenove anos de idade, com o Bacharel Bento José da Costa, primo legítimo da mesma senhora. E porque apesar de entender o suplicante, que esse consórcio é vantajoso para sua tutelada não pode, todavia, realizá-lo sem o consentimento de V. Sª, vem requerer a V. Sª, digne-se concedê-lo mandando passar para este fim o respectivo alvará.

Com a expedição do alvará veio o casamento da filha da inventariada com o filho do inventariante: Aos onze de fevereiro de 1860, na capela de Nossa Senhora da Conceição de Ponte de Uchoa, pelas sete horas e meia da noite, dispensados em segundo grau de consanguinidade, e juntamente os banhos, por sua Excelência Reverendíssima, como consta dos documentos, que ficam em meu poder, e não apareceu impedimento algum, de licença do Reverendo Coadjutor Pro pároco, Manoel Cirillo de Oliveira, em presença do Padre Agostinho de Lima Cavalcante de Lacerda, e das testemunhas Bento José da Costa, e Comendador Manoel José da Costa, casados, ele morador na freguesia do Cabo, este nesta, se receberam em matrimônio por palavras de presente o Bacharel Bento José da Costa, com Dona Anna Izabel Ramos de Oliveira, ele filho de Bento José da Costa, e Dona Emília Júlia Pires Ferreira, esta filha do finado José Ramos de Oliveira e Dona Izabel Maria da Costa Ramos, ambos moradores e naturais desta Freguesia, e logo receberam as bênçãos nupciais do Rito Romano: do que para constar mandei fazer este assento que me assinei. O Vigário Manoel Joaquim Chavier Sobreira.
José Ramos de Oliveira, falecido em 1846

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Descendentes de participantes da Revoluçaõ de 1817.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Bento José da Costa Junior e Emília Júlia Pires Ferreira



João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
No dia 6 de março de 1817, teve início, em Recife, uma revolução, também conhecida como Revolução dos Padres. Teve curta duração, e dela resultou o assassinato de André de Albuquerque Maranhão, que chefiou, por curto espaço de tempo, os rebeldes do Rio Grande do Norte. Quem também pagou com a vida, por dela participar, foi nosso Frei Miguelinho, arcabuzado em Salvador, em 12 de junho de 1817. Nessa mesma data e lugar, também foi arcabuzado, outro líder desse movimento de independência, o capixaba Domingos José Martins.
Domingos, que vinha namorando escondido por cinco anos, Maria Theodora da Costa, casou, logo após a tomada do poder, no dia 14 de março, na Capela da Jaqueira. A noiva da Revolução, como ficou conhecida, era filha de Bento José da Costa e Anna Maria Theodora Moreira de Carvalho.   Bento e o sogro, Domingos Affonso Ferreira, além de participarem de várias arrematações de dízimos, aqui no Rio Grande do Norte, eram donos de muitas terras na Região das Salinas, incluindo aí, a Ilha de Manoel Gonçalves, Ilha de Macau, e Cacimbas do Vianna, fazenda de muitos gados. Com a morte de Domingos Affonso Ferreira, no começo do século XIX, Bento ficou com praticamente todas as terras, mas em 1834 faleceu, e as terras herdadas pelos filhos, principalmente as da região salineira, foram vendidas somente em 1868, por Bento José da Costa Junior e a esposa Emília Júlia Pires Ferreira para José Gomes de Amorim.
Esse casal foi padrinho em um batismo, aqui no Rio Grande do Norte, em 1845, como podemos ver do registro a seguir: Maria, filha do major José Martins Ferreira e sua mulher Dona Josefina Martins Ferreira, nasceu a dois de junho de 1845, e foi batizada a dezoito de agosto de 1846, no dito Comissário, por mim solenemente. Foram padrinhos Bento José da Costa (Jr.) e Dona Emília Júlia Pires Ferreira, por procuração ao capitão Pedro Alves Ferreira, e Dona Josefa Christiniana Ferreira, do que para constar fiz este assento, em que me assino. Manoel Januário Bezerra Cavalcanti, pároco colado do Assú.
O Comissário acima era em Cacimbas do Vianna, hoje pertencente ao município de Porto do Mangue, onde residiam nessa época meus trisavós, o major José Martins e sua esposa Josefina Maria. Os padrinhos de Maria moravam em Recife, onde casaram conforme o registro abaixo.
Aos vinte e cinco dias do mês de abril de mil oitocentos e vinte e cinco, com despacho do Ilustríssimo Senhor Vigário Capitular, Jerônimo Gonçalves dos Santos, pelas cinco horas da tarde nesta Freguesia, no Oratório da casa de residência de Gervásio Pires Ferreira, feitas as denunciações na forma do Sagrado Concílio Tridentino, nesta Matriz do Santíssimo Sacramento da Boa Vista, em três dias sucessivos, por despacho do mesmo Ilustríssimo Senhor Vigário Capitular donde a nubente é moradora, e nas suas Igrejas Paroquiais da cidade do Recife, donde o nubente é natural e morador, tendo a nubente justificada sua menor idade e sua naturalidade, e dispensados do grau de parentesco em que se acham ligados, sem se descobrir impedimento algum, de minha licença, em presença do Reverendo Vigário Virgínio Rodrigues Campello, e das testemunhas Gervásio Pires Ferreira, casado, morador nesta Freguesia, e o coronel Bento José da Costa, casado, morador no Recife, se receberam por palavras de presente Bento José da Costa Junior e Dona Emília Júlia Pires Ferreira, brancos; ele, nubente, filho legítimo do coronel Bento José da Costa e Dona Anna Maria Theodora Moreira de Carvalho, e a nubente filha legítima de Gervásio Pires Ferreira, e de Dona Genoveva Perpétua  de Jesus Caldas; e logo receberam as bênçãos nupciais conforme o Rito Romano, como consta da certidão, banhos, despacho, mandado de casamento e dispensa que ficam no arquivo desta Matriz; do que mandei fazer este assento que por verdade assinei. Vigário José de Sousa Serrano.
O português Domingos Affonso Ferreira era primo legítimo de Gervásio Pires Ferreira, pois sua mãe, Isabel Pires, era irmã de Domingos Pires Ferreira, pai de Gervásio. Daí o parentesco de Bento Junior com Emília Júlia, via Anna Maria Theodora, filha de Domingos Affonso.
Quando as capitanias foram transformadas em províncias, estas foram inicialmente governadas por uma junta governativa. Em Pernambuco, ela tinha sete membros e governou de setembro de 1821 a setembro de 1823, tendo entre seus membros, Gervásio Pires Ferreira, como seu presidente; Felippe Nery Ferreira, filho de Domingos Affonso Ferreira; e Bento José da Costa, genro de Domingos Affonso Ferreira.
Para finalizar, transcrevemos o batismo de uma filha do tenente-coronel Bento, irmã de Bento Junior: aos dezessete dias do mês de fevereiro do ano de mil oitocentos e cinco, na Capela de Nossa Senhora da Conceição das Barreiras (conhecida posteriormente com Capela da Jaqueira), de minha licença, batizou e pôs os Santos Óleos o Padre Antonio Gomes, da Congregação do Oratório, a Francisca, branca, nascida aos nove do dito mês e ano, filha de Bento José da Costa e sua mulher Anna Maria Theodora, esta natural da Freguesia de São Pedro Gonçalves do Recife, e neta paterna de Antonio José da Costa, e de Maria da Costa, e materna de Domingos Affonso Ferreira e de Maria Theodora Moreira de Carvalho. Foram padrinhos Bernardo José da Costa por procuração sua que apresentou Alexandre Affonso Ferreira e Maria Theodora Moreira de Carvalho, solteira. O vigário Gabriel Bezerra Bittencourt. A batizada devia ser Francisca Escolástica Josefa da Costa, que casou com Antonio da Silva Junior.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Mais um artigo baseado em inventário.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

João Gregório Antunes e Maria Alves Lessa




Por João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG

Nos inventários, busco as relações de parentesco, as localidades, as datas, as convivências. Dou pouca importância aos bens. Meu interesse inicial, pelo de João Gregório, se deu pelo nome da sua última esposa, que tinha o sobrenome de minha tetravó, Josefa Clara Lessa e, também, de José Álvares Lessa, que em 1810 vivia na Ilha de Manoel Gonçalves. Tento descobrir seus parentes.

João Gregório Antunes, o inventariado que apresento hoje, casou três vezes, deixando vivos desses casamentos, quando faleceu, 13 filhos. Não encontrei, até o presente momento, nenhum registro desses casamentos. 

Em 31 de agosto de 1871, no lugar Olho d’Água, do termo do Assú, em casa de residência da inventariante, Maria Alves Lessa, a mesma informou que seu marido, João Gregório Antunes, faleceu no mesmo lugar acima, no dia três de maio do dito ano de 1871, deixando por seus herdeiros: Martiniano Antunes Bezerra, casado com Antonia Brasileira Maria de Macedo, Josefa Maria Bezerra, casada com Zacharias Fernandes Junior e Antonio Gregório Bezerra, solteiro de vinte e três anos de idade, filhos do seus primeiro leito com Maria Bezerra; José Gregório Antunes, solteiro de vinte e dois anos, Maria Umbelina da Encarnação, solteira de 20 anos, Emígdia Maria da Conceição, solteira, de dezoito anos, Sabino Antunes Cabral, de dezesseis, Anna Maria da Conceição, solteira, de quatorze anos, Francisco Gregório Antunes, solteiro, de treze anos, Maria Francisca da Conceição, solteira, de dez anos, Maria Francisca do Rosário, de cinco anos, filhos do seu segundo leito com Francisca das Chagas; Luisa, de dois anos, e Manoel de um ano de idade, do seu terceiro leito com a inventariante, todos moradores nesse mesmo lugar.

Nos livros de batismos, encontro, até agora, três filhos de João Gregório Antunes e de Francisca das Chagas de Jesus. Vejamos os detalhes.

Emigdia nasceu aos 23 de março de 1857, e foi batizada aos 31 de maio do mesmo ano, na Capela de Nossa Senhora do Rosário da Várzea, tendo como padrinhos Vicente Rodrigues Ferreira e sua mulher Maria Joaquina da Conceição, com procuração de Balthazar de Moura e Silva e sua esposa Maria Fernandes de Moura.

Francisco nasceu em 1 de abril de 1859, e foi batizado aos 25 de abril do mesmo ano, na mesma capela acima, tendo como padrinhos Manoel Rodrigues Ferreira Jr. e sua esposa D. Belmira  Amorosa da Silveira.

Maria nasceu aos 10 de dezembro de 1862, e foi batizada aos 5 de abril de 1863, na Capela acima, tendo como padrinhos Gabriel Soares Raposo da Câmara Sobrinho e Leocádia Maria de Oliveira Cabral.

Como João Gregório Antunes não deixou testamento, nem foi possível encontrar os registros dos seus casamentos, não descobrimos quem eram seus pais. Entretanto, ele pode ter algum parentesco com Gregório José Antunes, que faleceu em 17 de janeiro de 1845, com a idade de 50 anos. Este último foi casado com Maria Thereza da Conceição. 

Anna Maria Vitória e Lourença Maria de Araújo, filhas de Gregório e Maria Thereza, casaram, respectivamente, com Domingos Fernandes Cruz e Manoel Ignácio da Rocha, a primeira em 1833, e a segunda em 1834.

Quanto a minha tetravó, Josefa Clara Lessa, suspeito que era filha de José Álvares Lessa. Por ser ele representante de Bento José da Costa, português do Recife, imagino mais ainda, que ele, José Álvares, seja o português, de Lessa da Palmeira, Arcebispado do Porto, casado com a brasileira Francisca Xavier, que batizou em 1790, na Matriz do Santíssimo Sacramento, do Bairro de Santo Antonio do Recife, sua filha Rita, tendo como padrinho o capitão-mor José de Souza Rangel. O vigário encomendado dessa Matriz, nessa época, era Feliciano José Dornelles, que foi, posteriormente, vigário da nossa Matriz de Nossa Senhora da Apresentação.

sábado, 11 de outubro de 2014

O angicano Pedro Avelino, que foi nomeado, em 1910, por Hermes da Fonseca, para Prefeito do Departamento do Alto Juruá, ​​não resistiu às desordens e acabou deixando o seu cargo. Veja o que ele conta​

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

 
As causas da deposição do jornalista Pedro Avelino.

João Felipe da Trindade

jfhipotenusa@gmail.com

Este artigo complementa dois outros, aqui publicados, de uma entrevista que o jornalista Pedro Avelino deu, após seu retorno de Acre, onde exerceu o cargo de Prefeito do Departamento do Alto Juruá.

Após a descrição do Acre e do Departamento do Alto Juruá, na entrevista para o jornal " A Imprensa", o major Pedro Avelino fez nova pausa.
-O Sr. Já falou ao Sr. Presidente da República e ao Sr. Ministro do Interior? Perguntamos.

-É justamente por não o ter feito que estou a pensar até onde iremos com esta palestra.

Perdão! Tendo o Sr. sido deposto, é natural o nosso desejo de saber as causas e os autores desse golpe, na pessoa do Prefeito que foi... E não seria indiscreto indagar?

-Ora, eu lhe conto: essa ideia de autonomia do Acre é o eixo em torno do qual giram as explorações e conclama aos magotes aqueles aventureiros de vasa moral de que lhes falei, encabeçados por meia dúzia de indivíduos que sabem, com artimanhas de todo o feitio e despudor galvanizado, fingir importância.

Em lá chegando, encontrei as explorações dessa horda, a título de autonomia:acabaram de depor o prefeito, Sr. João Cordeiro, iniciando um tremendo movimento desorganizador do governo; este movimento foi sufocado pelo Sr. Capitão Guapindaia, comandante da força federal que à frente da mesma e armado de metralhadoras, o dominou, arvorando-se com a fuga do Sr. João Cordeiro, em prefeito. Substituiu o Sr. capitão Guapindaia, no comando da força federal, o Sr. capitão Júlio Serpa, que por seu turno, se fez prefeito; recebi o governo da Prefeitura deste militar, que me acolheu sem nenhuma solenidade, nem mesmo do estilo, numa parcimônia da manifestação, que traia com clareza, o seu dissabor em se ver despojado do cargo que não era seu, como não era do seu colega antecessor.

Logo que tomei posse, este Sr. capitão Júlio Serpa exigiu o meu endosso aos atos que praticou na qualidade, que não tinha, de prefeito – e exigindo clamava em tom de gabolice – “ o povo me adora”!; protelei o endosso, examinando os papéis que eram de nomeação, substituições de cargos, de concessões, de favores; enquanto protelava, em dias que se seguiram, o Sr. capitão Serpa andava a apregoar pelas ruas, em rodas de seus amigos e conhecidos, que eu lhe havia de aprovar os atos, porque a força era ele e a ele o povo adorava. Naturalmente, tratei de observar, de indagar, de sindicar dos hábitos das autoridades e das suas relações públicas e particulares com a população e concluí, e lá toda gente vê e sabe, como eu vi e sei, que a mais desenfreada desordem reinava permanentemente entre os comandados e o comandante da força federal; os soldados indisciplinados são comparsas dos magotes políticos e tomam parte nas suas festas e são seus comensais, sendo tidos como personalidades de muito valor.

Nem se diga que os soldados figuram nessas festas e nesses banquetes apenas decorativamente, não: um soldado aqui é amigo intimo e do particular carinho de um político ali; outro soldado acolá é amigo intimo e companheiro assíduo de outro político adiante; daí a indisciplina que o próprio comandante não corrige, porque o político amigo particular do soldado intervém, cumulando o comandante de agrados e de presentes caros, de obséquios repetidos: e suborna pela bajulação. O Acre é o paraíso do soldado.

Compreendendo a situação aprovei os atos do Sr. capitão Serpa, contemporizando e procurando com jeito restabelecer o princípio de autoridade. Neste trabalho obtive a instauração de inquérito contra os soldados recalcitrantes na indisciplina e os remeti presos para o comandante da região militar, em Manaus, o Sr. coronel Rego Barros; aos soldados indisciplinados porém, este coronel não deu corrigenda alguma, caso que ocorre no Alto Juruá. No dia 14 de julho do ano próximo findo, o Sr. capitão Serpa, mancomunado com os Srs. Djalma Mendonça, juiz substituto, Carlos Gomes Rebello Horto, promotor público; João Craveiro Costa, solicitador, Borges de Aquino, solicitador, chefiando os chamados revoltosos autonomistas, que são aquele pessoal, que conhecemos, excluindo o coronel Mâncio Lima, que é homem de bem, tentou a minha deposição. O movimento, felizmente, falhou, devido as precauções que tomei, por ter conhecimento do que se tramava e pela coincidência da chegada do Sr. capitão José Menescal de Vasconcellos, que, a meu pedido ao Sr. coronel Rego Barros, vinha substituir interinamente, o Sr. capitão Serpa.

O Sr. capitão José Menescal de Vasconcellos foi um militar sisudo, correto e digno, mantendo sempre uma nobre linha de independência e prestigiando a minha autoridade de prefeito.

Aqueles elementos de subversão, entretanto, não desacoroçoou ante o insucesso do golpe que iam dar com a chefia do Sr. capitão Serpa, e nos dias 7 e 8 de novembro do ano próximo findo, tentaram, mais uma vez, a minha deposição; falho mais este golpe, e falhou porque o Sr. capitão Menescal de Vasconcellos, comandante interino da companhia da força federal, e o Sr, João Júlio da Silva, comandante da policia do departamento, sufocaram, com energia, o movimento.

Cooperou do seu lado pelo malogro da pseudo revolução, a chegada do Sr. capitão Polydoro Rodrigues Coelho, comandante efetivo da companhia da força federal e de seu imediato no comando, Sr. tenente Cândido Thomé Rodrigues. Retirou-se, pois, o comandante interino, Sr. capitão Menescal de Vasconcellos.

Gorado o movimento, os seus cabecilhas, em 11 de novembro, três dias depois abandonou o departamento, e os que ficaram, temendo o justo castigo aos seus atos, impetraram ordem de ”habeas corpus” – dezoito pedidos – ao juiz de direito da comarca, dr. Lymério Celso da Trindade, que é um íntegro magistrado.

O Sr. capitão Polydoro Rodrigues Coelho, - continuou o Sr. major Pedro Avelino, -de índole autoritária e violenta, logo após a sua posse no comando, aparentou correção no cumprimento de seus deveres para com a prefeitura; à proporção, porém, que passava o tempo, se foi ele a imiscuir, e conviver com os indivíduos da amizade do Sr. capitão Serpa, e o seu companheiro de armas, Sr. tenente Cândido Thomé Rodrigues, fez tamanha relação com o solicitador Borges de Aquino, conhecido elemento subversivo da ordem, que passou mesmo a morar em casa deste.

Deste ponto em diante a situação mostrava outras faces: eu compreendia, eu estava farto de compreender, que os tais autonomistas não passavam, nem passam de uns embaçadores, que se aproveitavam de uma falsa compostura política regional para explorar, à vontade, todos os meios de lucros, favorecendo simultaneamente, os baixos instintos da patuléia dos aventureiros inferiores e à vaidade de alguns seringueiros e a ignorância dos soldados de “pret” da força federal e o espírito autoritário dos comandantes dessas praças. Todavia, agi como me foi possível e como me aconselhava a consciência: semanas após minha chegada, verificando a existência do Lyceu Affonso Penna, estabelecimento secundário, mantido pela prefeitura e consumindo cento e quarenta contos por ano, fui visitá-lo. Nessa visita inteirei-me de que o estabelecimento não possuía o número de alunos suficiente que justificasse a sua existência, tanto que, para esconder este grave fato, mantinham curso de primeiras letras.

Feita a visita e cientificado do que sucedia, nomeei uma comissão dos Srs. Dr. José Joaquim de Oliveira, Belizário de Sousa Junior, Antônio de Salles Ferreira, e tenente Luiz Souto, todos altos funcionários da Prefeitura, a fim de inspecionar o estabelecimento sob todos os aspectos e me apresentar o relatório.

Ante este relatório, que acusava a inutilidade do estabelecimento, suspendi a função do mesmo, submetendo o meu ato ao governo federal, que o aprovou.

Originou-se deste caso a campanha de ataques e de difamações à minha administração promovida pelo solicitador Craveiro Costa, e outros professores do Lyceu, que se viram privados da pensão do governo, que recebiam sob pretexto do exercício do magistério, sendo estes cavalheiros membros da Associação Comercial de Cruzeiro do Sul, fizeram desta uma das suas melhores armas contra mim. Foi uma campanha tenaz, sistemática, aproveitando todos os precedentes da administração da prefeitura com os meus antecessores, captando solidariedade da força federal por meio de adulações, presentes ao comandante, aos soldados, campanha que fazia a sua tecla mais alta, para efeitos de descrédito da conduta do ex-prefeito Sr. coronel João Cordeiro, meu antecessor, que, como é sabido, dos quatrocentos contos de réis da verba “material”, do exercício de 1910, apenas aplicou ao departamento do Alto Juruá, cento e tantos contos, conforme consta da escrituração arquivada na prefeitura.

Assim correram os acontecimentos até o dia 2 de dezembro do ano próximo findo, quando o Sr. capitão Polydoro Rodrigues Coelho, iniciou uma espécie de impertinência, enviando, a qualquer propósito, ofícios em termos insólitos à minha pessoa na qualidade de prefeito, até que ousou, finalmente, alegando a instauração de inquérito, exigir que lhe mandasse apresentar o comandante da policia da prefeitura, sob pena (isto ele fizera constar nos pontos de palestra, para que me chegasse ao conhecimento), sob pena do comandante comparecer à sua presença ainda que arrastado.

Era demais, e como não desejasse eu entrar em luta, porquanto possuía só vinte homens, ao passo que ele possuía oitenta, bem armados e municiados, alem das metralhadores assestadas provocantemente para o edifício da prefeitura, resolvi no dia 5 de dezembro enviar a ele, Sr. capitão Polydoro Rodrigues Coelho, por intermédio do juiz de direito e do Sr, coronel Félix Fleury, um ofício comunicando-lhe que me sentindo desautorado, retirava-me do Cruzeiro do Sul, abandonando o cargo de prefeito do departamento do Alto Juruá.

No dia seguinte embarquei para Manaus, chegando a 21 de dezembro e de Manaus parti a 18 de janeiro ultimo, chegando ontem no Rio de Janeiro: o Acre odeia e repele o regímen prefeitural não de um ódio decorrente de uma serena convicção, mas o ódio preparado, fomentado por uma sinistra soborte (talvez sorte) de tenebrosos exploradores.

sábado, 4 de outubro de 2014

Agricultura irrigada
Tomislav R. Femenick – Mestre em economia e historiador.

Captar, controlar e distribuir a água com o uso de canais cavados na terra, calhas feitas de bambu ou de barro cozido, túneis, comportas de pedra, aquedutos e noras (rodas de giro vertical à qual eram presos vasos que levam a água do nível inferior ao superior), ou seja, irrigar as terras agrícolas é costume que remonta às primeiras civilizações que se tem notícia. Foi hábito na Mesopotâmia, no Egito, na China, no sudeste asiático, dos povos mediterrâneos, da meso-América, da África subsaariana e dos Andes sul americanos, entre outros. Esse sistema garantiu a sobrevivência de nações que deixaram marcas na história da humanidade. Pode-se dizer que a irrigação das lavouras foi uma dos primeiros atos econômicos da humanidade. No entanto sempre foi se não desconhecida, porém pouco praticada no nordeste brasileiro, até a primeira metade do século passado.
O historiador Raimundo Nonato tinha verdadeiro respeito pelo espírito empreendedor de José Rodrigues de Lima; industrial, comerciante, agricultor, pecuarista, salineiro, um dos fundadores do Banco de Mossoró e da Cooperativa dos Salineiros Norte Rio-grandense, dono de empresa de navegação, construtor e proprietário de imóveis. O que o professor Raimundo Nonato admirava era a capacidade que o meu avó tinha para descobrir o valor potencial de certas atividades produtivas.
No final dos anos 1930, José Rodrigues comprou cataventos novos para a sua salina e ficou com quatro sucatas sem valor de venda. Então procurou uso para os cataventos velhos. Levou os equipamentos uma das suas fazendas, localizada nas Barrocas, depois da Barragem de Baixo. Ali fez uma das suas experiências, uma das primeiras de cultura irrigada do vale do Rio Mossoró: instalando-os em série contínua e, levando a água para a região mais alta do terreno, conseguiu irrigar suas plantações de banana, mamão, laranja, cenoura, abacaxi, girassol etc., usando a queda natural que acompanhava a descida de nível. Usar catavento na agricultura não era novidade. Novo era o método. Essa sua experiência foi repassada para diversas outras pessoas, inclusive ao ex-governador Dix-sept Rosado, que a usou em seu sitio.
Outro grande inovador no processo de irrigação da agricultura no oeste foi o bispo Dom Eliseu Simões Mendes, o terceiro ocupante da diocese de Mossoró. No começo dos anos 1950, através do seu trabalho social junto às populações rurais dos vales dos rios Mossoró e Assú, Dom Eliseu – com ajuda do governo federal – implantou um programa de irrigação com o uso de motobombas movidas a motor diesel, visando produzir alimento para sustento dos pequenos agricultores, bem como excedentes para venda no mercado. Muito embora o sistema de captação de água tenha substituído os cataventos pelas motobomba, o principio de distribuição da água continuou o mesmo utilizado por José Rodrigues. Aliás, presenciei varias reuniões entre eles e o Padre Mota; este último vigário geral da Diocese, ex-prefeito e cunhado do meu avô.
Outro grande avanço da irrigação do semiárido potiguar deu-se no período de expansão da empresa Maisa, quando esta abandonou sua ideia inicial de cultivo de algaroba e passou a plantar frutas. Vários aspectos diferenciaram esse projeto dos anteriores. Entre eles a sua localização, na chapada do Apodi, longe de curso de água normal e, por isso, dependente de poços artesianos, bem como o sistema de distribuição de água com uso de pivôs rotativos.
Os pioneiros estavam no caminho certo. Segundo dados do IBGE, até agosto deste ano 59,75% da produção agrícola do Rio Grande do Norte veio da região oeste. O resto do Estado (incluindo o agreste e o leste potiguar) ficou somente com 40,25%.

Tribuna do Norte. Natal, 28 set. 2014.