quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Outra versão sobre Cunhaú, no tempo em que os padres jesuítas eram militares.

Em 03 de outubro de 1995, comecei a rascunhar o primeiro artigo sobre o "massacre de Cunhaú", publicado em jornais fechados pela crise econômica e redes sociais. Hoje, 08.10.2017, posto no FACE a primeira parte dos rascunhos.

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Luiz Gonzaga Cortez Dias depois de concluído os rascunhos, decidi escrever o primeiro artigo sobre os acontecimentos de Cunhaú, que conservo até hoje, 10.10.2017, quando as potocas estão sendo divulgadas em escala internacional. O texto foi seguinte: " Enquanto se fazem p...Ver mais

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Luiz Gonzaga Cortez A ação isolada do mercenário e aventureiro Jacob Rabby provocou reação do Governo Holandês que enviou tropas, estacionadas na Paraíba, para Cunhaú, afim de acalmar os ânimos dos colonos que fugiam em massa para regiões mais seguras da vizinha Paraíba. ...Ver mais

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Luiz Gonzaga Cortez Hoje, tentam impingir que houve uma guerra religiosa no Brasil Holandês entre calvinistas e católicos. Não só não houve guerra religiosa entre correntes cristãs no Nordeste, mas precauções tomadas pelos holandeses, desde Maurício de Nassau, para evita...Ver mais

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Luiz Gonzaga Cortez João Maurício recomendou tolerância nos assuntos religiosos. "Cada um, declarava ele, amava e permanceia ligado à religião na qual fora criado desde a infância. Por isso, era melhor passar por cima de certas práticas, do que tentar extinguir a sagrada chama mediante expedientes insensatos e inoportunos". (P.78/78, "Os Judeus no Brasil Colonial", de Arnold Wiznitzer, 1966).

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Luiz Gonzaga Cortez Quanto a uma possível guerra de cunho religioso teria sido a 1ª fase da rebelião de colonos portugueses em Pernambuco contra o domínio holandês. Apesar da trégua entre Holanda e Portugal, em 1642, brasileiros e portugueses deram inicio aos preparativos...Ver mais

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Luiz Gonzaga Cortez A conspiração e o plano do bloqueio foram denunciados por Sebastião de Carvalho, um dos dezoito homens envolvidos na trama, por seu amigo judeu Fernão do Valle e uma terceira pessoa de nome ignorado". João Fernandes Vieira fugiu para o interior. (P.80).

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Luiz Gonzaga Cortez A Companhia das Índias Ocidentais, encarregada do comércio, tinha acionistas judeus que eram hostilizados pela população portuguesa católica, pelos pregadores calvinistas e conselheiros holandeses, a despeito de João Maurício de Nassau,que relatou os ...Ver mais

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Luiz Gonzaga Cortez Por outro lado, em Cunhaú, quem mandava eram os padres da Companhia de Jesus Cristo, uma ordem católica militarizada, um verdadeiro Exército do Papa, que controlava todo o mundo cristão. Os padres casavam, batizavam, celebrava missas, mas guerreavam, m...Ver mais

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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Como Portugal comprou o Nordeste dos holandeses por R$ 3 bi

(Wikipedia)Direito de imagemWIKIPEDIA
Image captionQuadro do pintor brasileiro Victor Meirelles de Lima retrata Batalha dos Guararapes (1648/1649), que encerrou período do domínio holandês no Brasil
Mesmo depois de terem sido derrotados, os holandeses receberam dos portugueses o equivalente a R$ 3 bilhões em valores atuais para devolver o Nordeste ao controle lusitano no século 17.
O pagamento ─ que envolveu dinheiro, cessões territoriais na Índia e o controle sobre o comércio do chamado Sal de Setúbal – correspondeu à época a 63 toneladas de ouro, como conta Evaldo Cabral de Mello, historiador e imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), no livro O negócio do Brasil, que está sendo relançado em uma nova edição ilustrada pela Editora Capivara, de Pedro Correia do Lago, ex-presidente da Fundação Biblioteca Nacional. A edição original foi lançada em 1998.
Em valores atuais, o montante equivaleria a 480 milhões de libras esterlinas (ou cerca de R$ 3 bilhões). O cálculo foi feito à pedido da BBC Brasil por Sam Williamson, professor de economia da Universidade de Illinois, em Chicago, nos Estados Unidos, e cofundador do Measuring Worth, ferramenta interativa que permite comparar o poder de compra do dinheiro ao longo da história.
"Esta foi a solução diplomática para um conflito militar. O pagamento fez parte da negociação de paz. O que não quer dizer que a guerra não tenha sido necessária", afirmou Cabral de Mello à BBC Brasil.

'Investimento'

(Wikipedia)Direito de imagemWIKIPEDIA
Image captionBandeira da Nova Holanda, como ficou conhecida a colônia da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais no Brasil
Os holandeses ocuparam o Nordeste por cerca de 30 anos, de 1630 a 1654, em uma área que se estendia do atual Estado de Alagoas ao Estado do Ceará. Eles também chegaram a conquistar partes da Bahia e do Maranhão, mas por pouco tempo.
Por trás das invasões, havia o interesse sobre o controle do comércio e comercialização do açúcar.
Isso porque, como conta Cabral de Mello, antes mesmo de ocupar o Nordeste, os holandeses já atuavam na economia brasileira com o apoio de Portugal, processando e refinando a cana-de-açúcar brasileira.
(Wikipedia)
Image captionGravura holandesa retrata o cerco a Olinda em 1630
"Quando o reino português foi incorporado pela Espanha, essa parceria acabou. Os espanhóis romperam esse acordo, que rendia altos lucros aos holandeses. Além disso, a relação entre os holandeses e os espanhóis já não era boa, já que a Holanda havia se tornado independente do império espanhol", diz o historiador.
Cabral de Mello faz alusão a um momento histórico em particular, quando a Holanda, que até então fazia parte do império espanhol na Europa, obteve sua independência, em 1581.
A emancipação não foi bem recebida pelos espanhóis que, entre outras medidas, encerraram a parceria que os holandeses tinham com os portugueses no processamento e refino da cana-de-açúcar no Brasil, dado que, naquela ocasião, Portugal havia se tornado parte do reino espanhol.
Nesse sentido, a invasão do Brasil pelos holandeses foi uma espécie de "revanche" contra a Espanha.
Durante o período em que ocuparam parte do Nordeste, os holandeses foram responsáveis por inúmeras mudanças importantes, inclusive urbanísticas, principalmente durante o governo de Johan Maurits von Nassau-Siegen, ou Maurício de Nassau.
Com o intuito de transformar Recife na "capital das Américas", Nassau investiu em grandes reformas, tornando-a uma cidade cosmopolita. Apesar de benquisto, ele acabou acusado por improbidade administrativa e foi forçado a voltar à Europa em 1644.
Após o fim da administração Nassau, a Holanda passou a exigir a liquidação das dívidas dos senhores de engenho inadimplentes, o que levou à Insurreição Pernambucana e que culminaria, mais tarde, com a expulsão dos holandeses do Brasil.

'Sem heroísmo'

(Wikipedia)
Image captionQuadro do pintor espanhol Juan Bautista Maíno retrata reconquista de Salvador pelas tropas hispano-portuguesas (1635)
Naquele ano, Portugal já havia se separado da Espanha, mas demorou para enviar soldados para retomar o Nordeste. A região só foi reintegrada em janeiro de 1654.
Cabral de Mello, que é especialista no período de domínio holandês, diz que a tese de que os holandeses foram expulsos pela valentia dos portugueses, índios e negros "não é completa".
"Os senhores de engenho locais financiaram a luta pela expulsão dos holandeses, já que deviam mundos e fundos à Companhia das Índias Ocidentais, que lhes havia emprestado dinheiro. Eles, no entanto, não tinham como pagar a dívida", explica o historiador.
"Os holandeses acabaram derrotados, mas não sem antes pressionar Portugal pelo pagamento dessa dívida, inclusive chegando a bloquear o Tejo (Rio Tejo). O pagamento não foi feito em ouro, mas um observador da época fez a correspondência para o metal precioso".
"Portugal teve de pagar 10 mil cruzados (moeda da época) aos holandeses. Também fez parte do acordo a transferência do controle de duas possessões territoriais portuguesas na Índia ─ Cranganor e Cochim ─ e o monopólio do comércio do Sal de Setúbal (matéria-prima importante para a indústria holandesa para a salga do arenque)".