quinta-feira, 24 de abril de 2014

GENEALOGIA GAÚCHA.

Entrevista: Nélio J. Schmidt

Nélio J. Schmidt - Imagem: Arquivo pessoal do autor
Recentemente tivemos o prazer de entrevistar Nélio J. Schmidt, fundador do site GenealogiaRS e um grande genealogista ligado à pesquisa de famílias alemãs no Rio Grande do Sul. Nesta entrevista ele fala um pouco mais sobre o seu site, sobre a genealogia teuto-brasileira, os desafios ligados à pesquisa familiar e nos conta um pouco sobre a sua própria história.
Boa leitura!
MH - Nélio, você é o fundador do site GenealogiaRS. Poderia falar um pouco mais sobre o seu trabalho com o site, sobre os seus objetivos e futuros projetos?
NS- Sim, o site do GenealogiaRS foi criado por mim, incentivado por vários outros colegas de pesquisas, pois necessitava-se de uma ferramenta para divulgação das atividades e dos acervos que se estava produzindo.Assim, o GenealogiaRS - Pesquisas Teuto-brasileira Ltda. foi criado por mim e devidamente registrado, tendo em vista as necessidades de atender algumas questões legais. No início das nossas atividades - o primeiro encontro de ainda um pequeno grupo de quatorze  pesquisadores, aconteceu no 14 de abril de 2011 - houve manifestações dos colegas para que fosse criado um site.
O principal objetivo do grupo e suas ferramentas de contatos foi o de juntar vários pesquisadores que estavam com vontade de somar esforços nas trocas de informações e, principalmente, salvar os conteúdos de livros eclesiásticos do século 19, principalmente evangélicos/luteranos, que estão se deteriorando pelo tempo e uso.
Assim, entre alguns colegas, fomos às comunidade evangélicas/luteranas (IECLB E IELB) e passou-se a fotografar página por página, de todos os eventos contidos nos livros e estes então foram gravados em mídias, de forma adequada e ordenada, para servirem de fontes de pesquisas, poupando assim o livros. Às respectivas comunidades são doadas cópias destas mídias, para que façam uso em suas pesquisas. Este trabalho continua e tem para este ano de 2014 uma grande frente, pois com o novo equipamento que montamos para digitalizar os livros, vai render muito mais e pretende-se cobrir todo o estado do Rio Grande do Sul. Não sabemos ainda quando este grande projeto vai terminar, mas ele foi iniciado, está tendo continuidade e não vamos parar, pois o material que se tem conseguido digitalizar (por fotos) com todo o cuidado, de livros antigos escritos em alemão gótico, é uma grande fonte de pesquisas, que inclusive tem se enviado até para a Alemanha e USA.
Pesquisadores do grupo GenealogiaRS
Outro projeto muito importante, é o que chamamos de “tombamento digital” das lápides dos cemitérios, principalmente os antigos onde ainda se consegue encontrar lápides com registros de imigrantes. Estas lápides são limpas, se necessário, fotografadas e os seus registros digitados em planilhas, onde são completados e até corrigidos, pelos contidos nos livros que foram fotografados. Com este material completo, estão sendo montados livros digitais, em PDF pesquisáveis, para os interessados adquirirem.
MH - O foco da sua pesquisa é a genealogia teuto-brasileira. Quais são as peculiaridades deste grupo de famílias?
NS - O nosso foco são as famílias que entraram aqui no estado do Rio Grande do Sul uma vez que elas são na sua grande maioria, os ancestrais de colegas que frequentam nossos encontros mensais, o nosso fórum de e-mail e o Facebook, para fazerem as trocas, as correções e principalmente - o que nos destaca como grupo - as interações e justaposições de registros. Somos todos pesquisadores de suas próprias famílias, tendo isto como um hobby, e o que nos liga, são justamente os laços familiares, pois as vezes parece que a maioria de nós possuímos um grau de parentesco um com o outro.
MH - São vários os genealogistas gaúchos que tratam da imigração alemã. Há alguma espécie de ponto de encontro para todos eles ou cada um trabalha de forma individual?
NS - Sim, existem cerca de trezentos genealogistas. Alguns trabalham sozinhos, pois ainda não descobriram que “genealogia se faz em parcerias”, mas a maioria reúne-se com seus próprios núcleos familiares ou então em grupos de amigos.
O GenealogiaRS surgiu exatamente desta necessidade de juntar interessados, numa forma de trabalho semicoletiva, ou seja, capta-se de forma individual e/ou coletiva, e aquilo que é possível repartir sem ônus, acontece normalmente, e aquilo que existir eventuais gastos, ou se coopera nas despesas ou então os interessados adquirem de forma individual. A coisa funciona com liberdade e mútuo respeito.

Pesquisadores conferindo registros históricos

MH - Como começou o seu interesse pela genealogia?
NS - Eu fui um dos que, quando ainda adolescente, conheci o meu bisavô, que viveu mais de 90 anos e faleceu quando eu tinha 11 anos. Ele falava muito pouco sobre a sua juventude para os familiares, mas às vezes comentava que ele era um “alemão nato”.
No início do ano de 2011 passei a me dedicar mais às pesquisas e a procurar na internet. Logo encontrei algumas pessoas que estavam com parte da minha árvore quase pronta, e foi a partir daí que surgiu a ideia de nos reunirmos, para somar registros, pois vivíamos numa região em que os nossos imigrantes e os filhos destes, muitos se cruzaram em casamentos, ou seja, havia muitos laços de parentescos, até bem próximos. Foram tantas surpresas a cada encontro, que o grupo cresceu.

Nélio com o pai, avô e bisavô - Fonte: Arquivo pessoal do autor

MH - Conte um pouco sobre a sua própria história familiar.
NS - Bem, então partindo da minha curiosidade daquele pouco que o meu bisavô falava, tive a felicidade de encontrar pessoas amigas e dispostas a compartilhar e me ajudar na minha árvore. Assim, cheguei a minha tetravó que imigrou viúva, em 1846 com dois filhos e uma filha. Vieram de Kronweiler, Birkenfield,  Rheinland-Pfalz, Alemanha. O que se sabe até o momento, é que o seu marido falecera antes da viagem e que além disso ficaram para trás na Alemanha mais sete filhos. Quando a minha tetravó aqui chegou depois de uma viagem de uns cento e vinte dias, ela já com 46 anos de idade, adquiriu terras para ela e os filhos, numa bela região aqui no estado, chamada de Picada Café.
Foi indescritível a minha emoção, quando recebi estes registros de colegas. As minhas pesquisas não estão no fim, embora meio paradas, pois agora necessito ir a Kronweiler e verificar os registros de lá, tanto dos Schmidt como dos Kunz.
Assim, percebendo de que na ajuda mútua haviam grandes possibilidades para o sucesso das pesquisas, junto com alguns amigos resolveu-se de que era necessário, nos reunir mais vezes, e assim fizemos.

MH - Você trabalha em parceria com outros genealogistas ou parentes? Qual é o tamanho da sua árvore genealógica e quem é o antepassado mais remoto já encontrado?
NS - Além das pesquisas individuais, as parceiras com outros colegas pesquisadores são fundamentais. Por isso, a minha pesquisa pessoal, terminou se fundindo com a criação do próprio GenealogiaRS, onde hoje mais de cem colegas trocam informações, assistem palestras, exibições de filmes, visitas a museus, levantamentos cemiteriais e outras atividades relacionadas com a genealogia e a história da imigração alemã no Rio Grande do Sul. Até o momento, consegui chegar somente até a minha imigrante, nascida em 19/02/1800 e o filho dela, donde vem o meu ramo, ele nascido em 30/03/1832 na mesma localidade da sua mãe. Mas temos no nosso grupo, colegas que chegaram a beiram até os anos de 1300 com sua pesquisas.
MH - Qual foi o fato mais interessante que você conseguiu revelar com a sua pesquisa familiar?
NS - O que achei interessante, conforme constam em registros eclesiásticos, foi a vida da minha imigrante, que nunca mais casou, ajudou a criar seus netos, foi madrinha inúmeras vezes na comunidade que frequentava e viveu até os oitenta e nove anos. Ela veio ao Brasil junto com outra família, talvez afilhada dela, pois tinha exatamente o mesmo nome e esta era casada também com um Schmidt, e soube por relatos dos descendentes destes, que as duas foram muito amigas até seus últimos dias, tanto que foram enterradas bem próximas uma da outra, mas, infelizmente, um deslizamento cobriu parte do cemitério que existe até hoje.
MH - Que conselhos você daria para aqueles que estão começando agora a pesquisar as suas famílias?
NS - Primeiro, não façam as suas pesquisa sozinhos. Juntem-se a outros pesquisadores. Segundo, anotem tudo num caderno ou computador, juntem tudo o que é documentos, fotografias antigas.Terceiro, procures os seus avós, seus tios, conversem a respeito, procurando resgatar fatos, anotando ou gravando tudo. Muitas vezes, num pequeno detalhe, dito por alguém, está a chave de outras informações.Quarto,  procure os cemitérios onde estão enterrados seus ancestrais, limpe as lápides, ou as reforme se for o caso, pois nelas contem muitos registros. Manter estes locais em boas condições, é manter em nossas memórias as virtudes e tudo aquilo de bom que eles legaram aos seu filhos, netos, bisnetos e chegaram até nós.
MH - E para alguém que já anda pesquisando há algum tempo mas que não sabe como continuar sua pesquisa?
NS - Uma única dica, e fundamental, junte-se a outros pesquisadores. Pois sempre tem alguém em algum lugar, que está mais adiantado, ou até já passou por algo que se procura, ou, passou ao lado e viu. É muito comum se ouvir:
- “Você está procurando por este nome? Por que não me falou antes? Pois pesquisando um ramo da minha família encontrei estes que você procura”!
Ou seja, pesquisa genealógica não se faz sozinho.
Muito obrigada, Nélio por esta entrevista!
Se você quiser conhecer o site GenealogiaRS, clique aqui.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Os Rocha Pitta de Pau dos Ferros.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Pau dos Ferros e os Rocha Pitta



João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Nesse final de semana que passou, estivemos em Pau dos Ferros. Não para fazer pesquisas genealógicas, mas para Dona Graça dar treinamento às suas consultoras Mary Kay. Foi uma viagem agradável, onde encontramos muito verde, apesar da falta de água em vários municípios do Rio Grande do Norte.
Fico me perguntando, como e por que alguns pioneiros foram parar em lugar tão distante de tudo, com todas as dificuldades daquela época. Muitos portugueses se embrearam pelo sertão, possivelmente para fugir de alguma perseguição ou condenação, por puro espírito aventureiro ou para criar gado.
Lá em Pau dos Ferros, nos abrigamos no Hotel Jatobá, onde fomos recebidos por Doralice, esposa de Licurgo Quinto.
No escritório dela, nos deparamos com um mapa escolar, político e urbano, do ano de 2006, patrocinado pela Prefeitura. Na sua parte histórica, encontramos o seguinte trecho: “Neste ano de 1763, foi concedida uma sesmaria ao Sr. Luiz da Rocha Pita e Dona Maria Joana, e ao Sr. Simão da Fonseca e seus filhos. Todos esses senhores foram os pioneiros que se estabeleceram e trabalharam duro e juntos construíram um núcleo de um pequeno povoado, alguns anos depois já havia bastante casas de taipas ao redor da pequena fazenda.”
Esse histórico foi encomendado, possivelmente, a um amador, pois contém equívocos que transmitem informações incorretas, principalmente, se atentarmos para o fato de ser um mapa dito escolar.
Já tivemos oportunidade de escrever três artigos, aqui neste jornal, sobre os Rocha Pitta. Mas, vale a pena recordar um pouco da presença deles no Rio Grande do Norte, embora haja ainda algumas informações contraditórias.  Uma carta régia, de 14 de dezembro de 1701, menciona que quarenta vaqueiros enviados por Antonio da Rocha Pitta, pretenderam expulsar os gados existentes na Ribeira do Assú, procedimento que foi sustado pelo capitão general de Pernambuco. Ademais, Antonio da Rocha Pitta recebeu mais sesmarias do que deveria, o que provocou várias contestações.
Por volta de 1733, filhos e herdeiros do coronel Antonio da Rocha Pitta, e de sua mulher Aldonsa de La Penha Deus Dará, requereram e tiveram, posteriormente, confirmação real de duas sesmarias: a de Pau dos Ferros e a de Campo Grande, ambas na Ribeira do Apodi. Esses documentos estão no segundo livro de Sesmaria do Rio Grande do Norte, da Coleção Mossoroense.
A descendência de Antonio da Rocha Pitta não está bem estabelecida, e depende de quem escreveu sobre isso. Em “História de um Engenho do Recôncavo”, de Wanderley Pinho, consta que ele casou duas vezes, a primeira com Maria da Rocha Pitta e, a segunda, com Aldonsa de La Penha Deusdará. Do primeiro casamento, somente um filho, Francisco da Rocha Pitta, que casou duas vezes, sendo um dos seus filhos Cristovão da Rocha Pitta. Do segundo casamento, foram três filhas e dois filhos. Duas filhas casaram com os desembargadores João de Soto Maior e João Homem Freire, e a terceira com um parente deste, que, segundo Borges da Fonseca, foi Manoel Homem Freire de Figueiredo. Já os homens foram o coronel Luiz da Rocha Pitta Deusdará, que morreu solteiro, e Simão da Fonseca Pitta que casou com a prima Antonia da Fonseca Villas Boas, daí nascendo uma única filha Aldonsa de La Penha Deusdará (2ª do nome), que por sua vez casou com Amaro de Sousa Coutinho, e daí nascendo mais um Antonio da Rocha Pitta.
Nesses requerimentos, de sesmarias, o coronel Luiz da Rocha Pitta Deus Dará, Francisco da Rocha Pitta, Simão da Fonseca Pitta e Dona Maria Joanna, todos moradores na Bahia, aparecem como filhos do coronel Antonio da Rocha Pitta e de Aldonsa de La Penha Deusdará. Não consta Francisco da Rocha como sendo filho de Maria da Rocha Pitta, e nem as outras duas filhas, que casaram com os desembargadores, como requerentes.
Nesse período não há noticias da presença desses herdeiros, aqui. Mas, posteriormente, encontramos descendentes em várias regiões do Rio Grande do Norte, principalmente, em Santana do Mattos. Um tetravó meu, Cosme Teixeira de Carvalho, foi casado com Aldonsa da Fonseca Pitta. Ligado a eles, aparece Luiz da Rocha Pitta, com vasta descendência em Santana do Matos. Só que não encontrei o elo que liga esses dois aos sesmeiros. Na região salineira vamos encontrar, como herdeiro, Cristovão da Rocha Pitta, cujas terras eram administradas pelo capitão Manoel Varella Barca.
Todas as prefeituras deveriam rever o histórico de suas cidades, solicitando ajuda dos departamentos de História das universidades.
Em um próximo artigo, postarei uma correspondência de Nestor dos Santos Lima para Wanderley Pinho, que trata das terras desses Rocha Pitta, aqui no Rio Grande do Norte.
Pau dos Ferros
Nenhum comentário:

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Vocês conhecem alguém que queira saber suas origens alemães? Schmidt é alemão.

Alemanha

Associação ajuda estrangeiros a saber mais sobre antepassados alemães

Membros da Die Maus pesquisam e catalogam os registros de emigrantes europeus, em maioria alemães, que foram para o Novo Mundo a partir do porto de Bremen, ajudando estrangeiros a saber mais sobre suas raízes europeias.
Auswanderung Bremen
Numa das salas do edifício do Arquivo Estatal de Bremen, a Associação de Pesquisa Familiar Die Maus (o camundongo) mantém seu centro de operações. Como os roedores, seus sócios vivem revirando papéis antigos e livros, atrás de alguma pista que os ajude a encontrar o elo perdido de uma história familiar. Registros de matrimônios, batismos, propriedades, testamentos – tudo pode fornecer um dado para se descobrir algo sobre os antepassados.
"As pessoas querem saber de onde vêm. Às vezes, querem saber o que seu avô fez, ou descobrem que suas habilidades musicais vêm de um ancestral que era músico profissional", diz Rolf Masemann, presidente da Die Maus.
Com mais de 550 sócios, Die Maus é um dos maiores clubes de pesquisa familiar e genealógica da Alemanha, e o maior do norte do país. Seus registros são fundamentais para as famílias que emigraram para as Américas. Estima-se que, a partir de 1820, mais de 7 milhões de pessoas embarcaram nos portos de Bremen e Bremerhaven.
"As pessoas querem saber de onde elas vêm", diz Rolf Masemann, presidente da Die Maus
"A maioria dos migrantes para o Novo Mundo partiu de Bremen", afirma Masemann. Nem todos eram alemães. Havia também famílias da Polônia, da Rússia e de outros países, que vieram pegar na Alemanha um navio para os Estados Unidos ou a América do Sul.
"As pessoas têm curiosidade e querem saber onde estão as suas raízes, como chegaram lá, o que seus antepassados fizeram ou que profissão eles tinham. E, se eles saíram por Bremen, é conosco que podem averiguar isso. Recebemos consultas de todo o mundo", informa Masemann.
Decifrando registros históricos
Em seus 90 anos de existência, Die Maus reuniu centenas de milhares de dados, incluindo registros antigos dos habitantes da cidade, testamentos, documentos sobre propriedades, arrendamentos, pagamentos de impostos e casamentos. Alguns documentos datam do século 16.
No caso dos emigrantes, são valiosas as informações sobre as embarcações e seus destinos, listas de passageiros e os nomes dos capitães. Muitos desses registros estão disponíveis online no site da organização. Ela também tem mais de 2.600 pastas com sobrenomes de famílias, contendo material como árvores genealógicas e publicações em jornais.
Com paciência, deram-se ao trabalho de copiar documentos a partir do antigo manuscrito alemão. Muitos certificados parecem ilegíveis, mas o olhar treinado dos membros da Die Maus consegue decifrá-los. "A gente aprende com o tempo e consegue entendê-los. Eu copiei de uma maneira que seja fácil, pois nem todo o mundo os consegue ler", explica Christa Lütjen.
Outra dificuldade é que muitos falavam plattdeutsch, dialeto típico do noroeste alemão, e o pastor ou o secretário da igreja escrevia o que conseguia entender. Como os registros eram feitos à mão, depois de alguns anos ficam difíceis de decifrar, e as cópias ou certificados, também a mão, acumulavam mais erros. Assim, muitos nomes foram alterados, o que dificulta o processo de busca. O mesmo sobrenome pode ter dado origem a diferentes variações, como Meier, Meyer, Mayer ou Maier.
Muitas vezes, os "camundongos" têm sucesso, outras vezes, não. Mas todos são movidos por uma espécie de febre de caçador, que os faz seguir as pistas e encontrar outros indícios. Embora seja uma atividade que todos praticam em seu tempo livre, ela exige bastante tempo. "É algo que não tem fim. A gente pode ir procurando sempre mais e mais", ressalta Dieter Memleb, também membro da Die Maus. "É preciso amar o que fazemos. É muito interessante não só pela investigação dos nossos próprios antepassados, mas também para ajudar os outros", acrescenta Christa Lütjen.
Passageiros a bordo do Columbus em 1929. Navio cruzava o Atlântico nos anos 20 e 30
Completando histórias familiares
Em seu fichário, Memleb guarda as mais variadas consultas chegadas por e-mail. "Há gente que nos escreve dos Estados Unidos, Japão, China, Nova Caledônia, Canadá e Brasil." As perguntas têm em comum o desejo de descobrir as raízes ou avançar na construção da árvore genealógica. Muitos já dispõem de informações como o ano e o navio em que o ancestral emigrou e querem saber mais sobre a vida dele na Alemanha.
Dieter Memleb, Rolf Masemann e Christa Lütjen, da associação Die Maus
"Meu avô tem 93 anos e eu gostaria de lhe dar esses papéis como presente, para que ele e seus irmãos possam saber com certeza sua origem étnica", escreve uma pessoa dos Estados Unidos. Outros acham o nome de sua família indexado na lista da página na internet na associação e querem ajuda para continuar pesquisando. "Sem a sua ajuda, a história desta família estará perdida", escreve um solicitante.
Grande parte do sucesso da Die Maus se deve ao trabalho de colaboração entre os membros e também à cooperação com outras instituições, como o Arquivo Estatal de Bremen ou a Câmara de Comércio de Bremen. Aqueles que enviam de outro país suas perguntas por e-mail, às vezes também se tornam membros ativos, a partir de seus locais de residência. Agradecidos, alguns viajam para Bremen para visitar a Die Maus. A associação não cobra pelo tempo gasto na pesquisa, mas se alegra com as doações e contribuições que lhes permitam seguir trabalhando.
Um bom complemento para investigação é uma visita ao Deutsches Auswandererhaus (Centro Alemão de Emigração), localizado no porto de Bremerhaven, 60 quilômetros ao norte de Bremen. O museu permite mergulhar em histórias fascinantes através de exposições interativas, ter acesso aos registros e aprender sobre o processo de emigração a partir de Bremen.

DW.DE

domingo, 13 de abril de 2014

A ascendência de Anna Ferreira de Miranda (republicando).



Anna Ferreira de Miranda, ascendência em questão
João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG
No último artigo, neste jornal, traçamos, a partir de informações do testamento de Anna Ferreira de Miranda, a sua ascendência. Pelo referido documento, sabíamos o nome do pai, Manoel Francisco, e o sobrenome da mãe, Paiva da Rocha. Como escrevemos antes, procuramos registros que tinham o nome do pai dela e o sobrenome da mãe. Encontramos, então, Manoel Francisco Rebouças e sua mulher Bibiana de Paiva da Rocha como os mais prováveis pais de Anna. Outras informações nos registros nos levavam a convicção que eram esses os pais dela. Entretanto, um detalhe põe em dúvida tal possibilidade: a idade com que faleceu Anna Ferreira de Miranda. Segundo o registro de óbito, ela tinha cinquenta e seis anos de idade, em 1786. Por isso, o provável ano do seu nascimento seria 1730.
Mas conforme registramos no antigo anterior, Antonio de Paiva da Rocha e Úrsula Ribeiro de Macedo, pais de Bibiana e avós maternos de Anna, contraíram núpcias em 11 de Fevereiro de 1733. Assim Anna teria nascido três anos antes do casamento de seus avós. Como eu já tinha visto muitos erros nos registros de óbitos, tais como os de Antonia da Silva, esposa do capitão Manoel Raposo da Câmara e de Custódia do Sacramento, esposa do sargento-mor Antonio Rodrigues Santiago, imaginei  que fosse mais um equivoco.
Um colega genealogista observou, também,  tal incompatibilidade e aventou a possibilidade de Bibiana ter nascido em 1734, casado em 1749, com a idade de 15 anos, ter sido mãe de Anna em 1750. Com isso Anna Ferreira teria falecido com 36 anos e não 56. Aí tudo se resolveria.
Mas segundo o colega genealogista (ele não permite a sua nomeação), através da Nobiliarquia Pernambucana, Antonio de Paiva da Rocha que foi capitão-mor nesta Capitania, casado com Anna Ferreira (Colaço), tinha um filho de nome Antonio de Paiva da Rocha que casou aqui (com Úrsula Ribeiro). Tinha também uma filha de nome Ângela de Paiva da Rocha que casou com um certo Manoel Francisco. O colega aventa então a seguinte hipótese: Manoel Francisco casou primeiro com Ângela, e daí nasceu Anna Ferreira de Miranda, no tempo certo. Depois, enviuvando, casou com Bibiana, sobrinha da primeira mulher. Isto é, Anna Ferreira de Miranda, não seria neta de Antonio de Paiva e Úrsula, mas de Antonio de Paiva e Anna Ferreira. Continuaríamos no terreno das hipóteses.
Por conta de alguns registros de netos de João Gomes e Anna Ferreira, vimos que eles estiveram em Assu, por um certo tempo, pois alguns filhos nasceram lá, como Alexandre Ferreira, Ana Gomes Carneiro, Antonia e João Gomes.
Tentei mais uma vez examinar o testamento de Anna Ferreira de Miranda, depois de uma foto mais aproximada da parte que fala nos pais dela. Realmente, não se consegue ler o nome da mãe, mas não pode ser Ângela, pois não há nenhuma perna de g para baixo. Quanto ao pai, o sobrenome não parece ser Rebouças, mas algo parecido com Amaro.
Resolvi investigar, então a vida dos seus testamenteiros, em busca de algum detalhe que esclarecesse nossas dúvidas. Eram eles José Rodrigues da Rocha, compadre de Anna, Antonio Rodrigues Santiago, e o sargento-mor Prudente de Sá Bezerra. Todos esses senhores tem vários homônimos parentes, o que torna difícil saber quem era quem. Mas, vejamos os que seriam próximos de Anna Ferreira de Miranda, para situar o tempo em que ela viveu.
Antonio Rodrigues Santiago e sua mulher Ignácia Francisca de Mello casaram em 1773, e foram os pais de Maria Thereza de Mello, que casou com João Gomes Carneiro, filho de João Gomes Carneiro e Anna Ferreira de Miranda, em 4 de novembro de 1800. Foram os pais, também, de Antonia Francisca de Mello, que casou com Alexandre Ferreira, outro filho de João e Anna.
Prudente de Sá Bezerra era irmão de Manoel de Abreu Soares, genro de João Gomes e Anna Ferreira. Manoel casou em 20 de setembro de mil setecentos e oitenta com Anna Maria da Rocha (ou Anna Maria Gomes). A irmã de Anna, Antonia Gomes Carneiro casou com o filho de Manoel de Abreu, Bento Luis, nessa mesma data.
José Rodrigues da Rocha, um dos vários que encontrei, era filho de Antonio de Piava da Rocha e Úrsula Ribeiro, e casou com Izabel Theresa, filha de Prudente de Sá Bezerra e Maria Theresa de Mello.
Examinando mais os registros dessas pessoas, não conseguimos identificar qualquer informação que nos ajudasse a solucionar, por completo, os nomes dos pais de Anna Ferreira de Miranda.
Outro detalhe no testamento, é que Anna Ferreira de Miranda declara que não recebeu dote dos pais. Disse mais, que a dívida deixada pelo marido, João Gomes Carneiro, foi toda paga por ela, pois os filhos não contribuíram com as suas partes.
Assim, vamos aguardar outras informações para descobrir os nomes completos dos pais de Anna Ferreira de Miranda.


domingo, 6 de abril de 2014

O livro de Noélia de Oliveira e algumas famílias do Seridó.

A história dos esquecidos

Carta de Paulo Araújo, direto do sítio da sua infância, no Totoró, para falar sobre o livro ‘Grandes Personagens do…

Carta de Paulo Araújo, direto do sítio da sua infância, no Totoró, para falar sobre o livro ‘Grandes Personagens do Sertão – a história dos esquecidos pela história, de Noélia de Oliveira que durante anos e anos andou por aquele mundo do sertão do Seridó. A carta de Paulinho é de um que não precisa acertar contas com o povo e a terra que conhece tão bem.

Serejo,
Saiu um livraço sobre o povo, a cultura, a riqueza do Seridó:  “Grandes Personagens do Sertão – A História dos Esquecidos pela História (Ed. Travessia, R$ 20,00), de Francisca Noélia de Oliveira, uma professora que durante 26 anos trabalhou como extensionista rural da Emater percorrendo as comunidades rurais de Currais Novos.
Trata-se daqueles textos deliciosos, sem qualquer pretensão acadêmica, recheado de sabedoria de quem escreve sobre o que viveu. Graças a Senhora Santana Noélia escreveu e publicou esse livro que lemos de uma sentada só (ou melhor, de uma deitada só numa rede, de preferência embaixo de um alpendre, como tive o prazer de fazer no último sábado).
Para além de ser um acerto de contas da autora com as suas memórias pessoais – e nós escrevemos principalmente para ir “em busca do tempo perdido”, como fez o francês Marcel Proust – “Grandes Personagens do Sertão” é um hino de amor ao Seridó, sua gente, seus costumes e sua história (com “h” minúsculo, pois a autora, acertamentadamente, fez a opção de se debruçar, de novo como os franceses da “Nova História”, sobre o cotidiano e a vida privada dos anômimos.
Dividido em três partes (Personagens e Coisas do Sertão; Poemas; e Ditos, Provérbios e Bençãos), o “Livro de Noélia”, como está se tornando conhecido por toda a gente em Currais Novos, terá lançamento oficial durante a Festa de Santana, no mês de julho próximo, mas o sucesso e a propaganda boca-a-boca certamente fará a autora esgotar a tirarem inicial de 500 exemplares rapidamente.
A saga da publicação do livro é um capítulo a parte. Vítima da falta de financiamento público ou particular, a autora fez um empréstimo bancário e encontrou, numa sobrinha que mora em Manaus e tem uma editora, o caminho mais fácil para ver impresso suas letras. Quantos escritores não “morrem na praia” nesse cenário onde é mais vantajoso financiar shows de bandas de forró de mau-gosto? Graças a Deus Noélia foi em frente e nos brindou com essa maravilha de livro!
Não dá pra dizer, daqui pra frente, que sabemos algo sobre o Seridó sem ler “Grandes Personagens…” Se para o escritor Oswaldo Lamartine, o especialista por excelência sobre o Seridó, essa região do Rio Grande do Norte “foi o que nos restou de civilização”, Noélia vem agora mostrar, por meio de histórias do cotidiano recolhidas no seio da sua família de origem rural, entremeadas por outras aprendidas nas suas andanças como extensionista pelos velhos sítios e fazendas, que estamos num lugar onde nunca houve, de fato, espaço para a barbárie.
Vamos ao conteúdo: imagine o que era viver no sertão entre a virada do século 19 até meados dos anos 90. Noélia nos conta, numa linguagem simples, gostosa de ler, detonadora daquele sentimento de saudade e constatação de “que era assim mesmo”, como eram os costumes, o modo de viver, a moda, a culinária, as crendices populares, o peso da religião, os embates sociais entre ricos e pobres e principalmente o amor que nós, os sertanejos, temos pela Mãe Terra.
Veja esse trecho, que belo: “Mexer com a terra, sentir o cheiro de terra molhada, colocar sementes e entupi-la com os pés, cuidá-la, adubá-la com carinho e depois colher seus frutos. Essa é a maior alegria e riqueza dos agricultores. (…) A terra é tão importante que te dá a vida e te acolhe na morte, te guardando em seu seio, para a eternidade”. Antes de ser moda, a ecologia já fazia parte da vida de Noélia.
Meu primeiro contato com a autora se deu no início dos anos 1980. Ela chegava na zona rural onde morávamos falando de igual para igual com todos. Montou um grupo de jovens em companhia da sua colega Marluce Soares e ensinou aos jovens a forma correta de lidar com a terra, fazê-la produzir mais. Às nossas mães, ensinou receitas fabulosas de doces caseiros – muitas das quais fez a fama da minha mãe, Dona Branca, ultrapassar divisas estaduais nesse Brasilzão. Isso não está dito no livro, pois a modéstia é uma das suas características. Mas é como se estivesse. Faz muita falta, hoje, na zona rural, figuras como Marluce e Noélia, que eram nossas grandes referências de sabedoria em busca de dias melhores – como chegaram.
Até hoje. Apesar de todas as facilidades trazidas pelos programas sociais, perdeu-se uma coisa que aquelas duas moças nos ensinaram: orgulho de ser “do sítio”. O livro, de certa forma, vem resgatar isso e deve ser, obrigatoriamente, objeto de leitura em todas as nossas escolas.
Voltando ao conteúdo, em textos curtos, que formam sub-capítulos independentes dentro dos três principais e podem ser lidos ao nosso bel prazer, é possível saber, por exemplo, que nas fazendas do Seridó as únicas coisas que precisávamos comprar eram pó de café, querosene para as lamparinas, fósforo e tecido para fazer roupas. Todo o restante produzíamos em casa, desde o sabão, a vassoura, os móveis, até o domínio das técnicas de conservação de alimentos como a carne e o queijo. Pode parecer pouco, mas na Europa Feudal isso não mais existia.
O Seridó era, e continua sendo, um mundo civilizado, bem longe das franjas o mar, com um sistema de justiça próprio, onde não havia lugar para mentiras e a palavra dada valia mais do que a letra lavrada. A separação entre o mundo dos adultos e das crianças, as brincadeiras junto à natureza, a descoberta do sexo, o respeito aos mais velhos, os ritos da vida e da morte, a geografia das casas e condução do lar aparecem no livro como se entremeado pelas anedotas, as histórias engraçadas, os apelidos que as pessoas colocavam nas outras e as chamadas pilérias (brincadeiras que até hoje funcionam como um código próprio, entre os seridoenses, quando alguém quer falar algo em privado).
Pois então, quando você passar por Currais Novos agora procure, na Papelaria A Mina de Ouro, o livro “Grandes Personagens do Sertão”, de Francisca Noélia de Oliveira.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Programa de Desenvolvimento Sustentável do Cariri, Seridó e Curimataú é tema de entrevista

 Programa de Desenvolvimento Sustentável do Cariri, Seridó e Curimataú é tema de entrevista 

http://www.espacoecologiconoar.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=28063&Itemid=1

Projetos produtivosPDFImprimirE-mail
ImagePrograma de Desenvolvimento Sustentável do Cariri, Seridó e Curimataú é tema de entrevista
 
A entrevista do Programa Espaço Ecológico, neste sábado (5),  será com  Miguel Davi, engenheiro agrônomo, mestre em Sociologia e Desenvolvimento. Ele é gerente de Investimento Produtivo do PROCASE-Programa de Desenvolvimento Sustentável do Cariri, Seridó e Curimataú.

Miguel Davi vai falar sobre o que é o PROCASE, quais os tipos de projetos são apoiados e qual o público beneficiado. O engenheiro agrônomo também vai explicar  como a questão ambiental encontra-se inserida nos projetos produtivos apoiados pelo PROCASE.

Outro assunto que ele vai comentar será sobre como ocorre a relação entre a matriz energética e os investimentos produtivos já utilizados no semiárido e o impacto no bioma da Caatinga.

O Projeto de Desenvolvimento Sustentável do Cariri, Seridó e Curimataú tem por objetivo melhorar de maneira sustentável a renda agrícola e não agrícola, os ativos produtivos, as capacidades organizacionais e as práticas ambientais nas áreas rurais mais pobres da região semiárida da Paraíba.

Resultado da parceria entre o Governo do Estado e o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), o projeto beneficiará 56 municípios do semiárido paraibano, onde serão investidos US$ 49,6 milhões, aproximadamente R$ 100 milhões de reais, sendo 50% dos recursos oriundos do FIDA e 50% do Governo, para um período de seis anos.

O Procase atuará em 56 municípios localizados em cinco territórios do semiárido paraibano, os quais apresentam os piores índices de desenvolvimento econômico e social, em uma macrorregião onde a probabilidade de secas é acima de 90% .   

Image 
Com 10 anos de atividades, o Programa Espaço Ecológico continua  levando ao ar mensagens educativas, prestação de serviço, dicas ecológicas, poesias ecológicas, crônicas e entrevistas com pessoas ligadas ao meio ambiente. Clique aqui e conheça a revista comemorativa em homenagem aos 10 anos do Programa Espaço Ecológico.

 O programa Espaço Ecológico é veiculado todo sábado das 7h30 às 8h30 na rádio Tabajara FM 105.5 e pode ser escutado ao vivo. É só  clicar no ícone ao lado.

Principais notícias do programa
  • IPCC projeta cenário sobre o aquecimento global
  • Você sabe o que é Água Virtual?
  • Bioacumulação pode prejudicar a cadeia alimentar do homem
  • Brasil vive um conflito por água a cada quatro dias
  • Obras de esgotamento sanitário preparam municípios da Paraíba para receber águas do São Francisco
  • Chuvas no Sul e no Sudeste podem voltar ao normal só em 2016

terça-feira, 18 de março de 2014

Jerônimo de Barros, o "dono" da Capitania do RN que não obteve sucesso.

erça-feira, 18 de março de 2014

Jerônimo de Barros, o primogênito de João de Barros


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
A Casa da Índia era uma organização portuguesa que administrava os territórios ultramarinos de Portugal. Durante sua existência, foi a instituição econômica mais importante de Portugal. Era localizada no Paço da Ribeira, em Lisboa.

João de Barros, capitão das terras dos potiguares, foi Tesoureiro e depois Feitor da Casa da Índia, a partir de 1525. Renunciou ao cargo em 12 de agosto de 1567, talvez para concluir suas “Décadas”. Pouco tempo depois, 21 de outubro de 1570, faleceu.  Era casado com Maria de Almeida, filha de Diogo de Almeida e Catarina Coelho. Eram seus filhos: Jerônimo de Barros, o primogênito, casado com Loisa Soares, e faleceu em 20 de agosto de 1586; João de Barros que esteve aqui na Costa do Brasil, com Jerônimo, morreu na batalha de Alcácer-Quibir; Lopo de Barros,o mais moço, falecido em 3 de abril de 1587; Diogo de Barros; Isabel de Almeida, que casou com o primo Lopo de Barros; Ana de Almeida, freira; Catarina de Almeida, casada com Cristovão de Melo, filho de Diogo de Melo e de Catarina de Castro.
O Feitor, por conta da sua alta responsabilidade, nunca veio ao Brasil, tendo mandado duas expedições para a conquista das suas capitanias, sem muito sucesso, e com grande fracasso financeiro.

Conta Jerônimo de Barros, que no tempo de Dom João III, foi a mando dele, com o irmão João de Barros, ao Rio Maranhão, com uma armada para descobrir o dito rio e costa, na esperança de resgatar ouro, descobrindo mais de quinhentas léguas de costa. Ali, resgataram alguns homens que nela andavam dos que se perderam com Luis de Mello. Tiveram muito trabalho de guerra com os franceses e com o gentio da terra e povoaram em três partes, gastando perto de cinco anos, sustentando tudo a custa do seu pai, até gastar quanto tinha.
Transcrevo para cá minuta de petição de Jerônimo de Barros, sem data, mas depois do falecimento do seu pai (1570). Fiz algumas adaptações para facilitar a leitura.

Diz Jerônimo de Barros que ele tem uma capitania no Brasil de cinquenta léguas ao longo da costa dos Pitigares e vinte e cinco na boca do rio Maranhão. E já que seu pai, nem ele, por seus serviços, mereceram servir V. A. neste Reino como seu Pai sempre requereu, quer ir povoar esta capitania no que espera fazer a Deus e a V. A. muito serviço pela experiência que tem daquela costa do tempo que nela andou de que ficou tanta despesa, que sem ajuda de V. A. não pode povoar pelo que pede lhe faça V.A. mercê de lhe mandar dar cem moradores dos oitocentos, que o contratador do Brasil é obrigado a por lá; E assim, de haver por bem que possam entrar neste reino de Inglaterra cinco mil peças de pano no que as alfândegas de V. A. R. proveito e ele ajutoria para fazer esta obra(?). E que os primeiros dez anos possam tirar, cada ano, mil quintais de pau do Brasil; e, assim, de cinquenta peças de escravos em São Tomé e aqui somente duas peças de artilharia e da que está em Pernambuco oito peças para defesa da fortaleza a qual artilharia dará fiança. 

E lembro a V. A, que muito mais  e maiores mercês se fizeram aos capitães que povoaram no Brasil por que (a) alguns deles deram as fortalezas feitas e artilhadas e navios com que defender a costa. E há outros com que as fazer e se parecer muito, o que peço, a isso responda por mim a fazenda de V. A. com dizer o que tem custado à baia a povoar e se é necessário ou não povoar-se esta capitania, por uns apontamentos que abaixo desta apresento se verá quanta obrigação V. A. tem na sua consciência a mandar que se povoe e quanto importa a seu serviço e bastam para mim estas duas coisas para muito o desejar que interesse ao presente não o espero e, de futuro Deus sabe o que será no que R. M.

Ao serviço de V.A. é necessário mandar povoar esta capitania antes que os franceses a povoem os quais todos os anos vão a ela a carregar de Brasil por ser o melhor pau de toda a costa. E fazem já casas de pedra em que estão em terra fazendo comércio com o gentio. E os anos passados estiveram nesta capitania dezessete naus de França a carga e são tantos os franceses que vem ao resgate que até as raízes do pau brasil levam, porque tinge mais as raízes do que pau que nasce nesta capitania. Que o pau das outras capitanias é sempre valor dobrado do outro brasil. E agora tomaram os franceses nos Pitigares três mil quintais de brasil que o portugueses tinham na praia feitos a sua custa para carregar e antes que os franceses faça uma fortaleza que obrigue depois a muito, parece que será bom povoar-se por nós e com isso feito lhe não levarem este pau a França e ficará então rendendo mais a V. A.

Outro respeito se deve ter que muito importa ao serviço de V. A. É que todos os navios que se alevantam no Brasil para as Antilhas é com dizer que vão a esta capitania. E eles como nela são por não haver quem não defenda salteia o gentio e cativam-nos no que se faz muitas ofensas a Nosso Senhor e vão-se com os navios carregados deles a vender as Antilhas no que a fazenda de V. A. perde por respeito dos escravos de Guine que se escusa com estes índios que lá vão.

E o que mais importa para o bem do Brasil é a perda dos homens e eles por esta porta travessa para as Antilhas tomados do amor do ouro que lá há onde há tantos portugueses que me atrevo a dizer que dos que são idos para o Brasil as duas partes estão nas Antilhas onde há muitas povoações cujos moradores as duas parte são  de portugueses e o proveito que eles fazem às conquistas deste reino Deus o sabe.
Todos os navios que não dobram o Cabo de S. Agostinho são forçados arribar nas Antilhas e muitos dos que vão para a Guiné o que não será tendo uma fortaleza nesta capitania por que podem ficar nela a qual é a mais perto terra que há no Brasil a este reino e mais breve e melhor viagem e povoando-se além dos benefícios apontados pode este Reino receber outros e se naquela terra há ouro pelo que a meu pai tem custado sei que por esta parte se pode melhor descobrir que por outra nenhuma e não digo isto por que o visse mas quando me perguntarem direi o que disso sei.  E o principal respeito que se deve ter é a obrigação que se tem em acudir aquela gentilidade que não seja cada dia destruída e roubada pelos nossos (?) dos quais muitos receberão água do batismo com povoar entre eles e muitos inocentes se salvarão no que R. M.

Mapa das capitanias hereditárias

quarta-feira, 12 de março de 2014

112 anos do Instituto Histórico.

Descendentes de Marica Pegado, a raiz dos Pegado Cortez no Seridó do RN.


Nesta foto, feita no Rio de Janeiro, em 1956, vemos Maria Natividade Cortez Gomes, Oton Osório de Barros, neto de Maria Senhorinha Dantas Pegado Cortez- "Marica Pegado", Inês Dantas Cortês, esposa e prima de Oton, Janira (filha do 1º matrimônio de Oton Osoório de Barros) e Terezinha Cortez (filha de Alfredo Dantas Pegado Cortez), que participaram do Congresso Eucarístico Internacional. Maria Natividade Cortez Gomes era a esposa de Manuel Genésio Cortez Gomes, neto de Marica Pegado e filho de José Gomes de Mello Júnior e de Maria Cantionilla Dantas Cortês Gomes (há informações de que Cantionilla seria uma palavra espanhola), conhecida como "Madrinha Nanú". Foto cedida por Eva Barros, esposa de João Eduardo, bisneto de Manoel Pegado Cortez Júnior e "Marica Pegado".
Sérgio Murilo Cortez - filho de Napiê Cortez
Eu sou neto de Alfredo Pegado D. Cortez e Aura Gomes Cortez, meus tios informaram-me que a origem da família de Manoel Pegado Cortez e de seu irmão que colonizou terras no agreste do RN era espanhola, irei conversar com Eva (que é casada com um dos bisnetos de Manoel Pegado - João Eduardo). Manoel Pegado comprou uma Ata de terra que compreendia da Serra do Doutor (proximidade de Ubaeira) ate a entrada de Cero Corá, a distribuição das terras foram feitas para os filhos e algumas fazendas existem até hoje: Fazenda Santa Rita, Fazenda Balas (tio Quincó - Joaquim: pai de Olavo casado com Pepita e fazenda São Luiz - sede da família Pegado que administramos até hoje. Tem muito assunto para ser explorado e compartilhado com todos primos e primas.
Extraído do Facebook.

terça-feira, 11 de março de 2014

Há 30 anos, seis sócios tomaram posse no Instituto Histórico e Geográfico do RN.


Numa solenidade muito prestigiada, na noite do dia 29 de março de 1984, no auditório do Instituto Histórico e Geográfico do RN, o seu presidente Enélio Lima Petrovich, empossou seis novos sócios efetivos, dentre eles Luiz Gonzaga Cortez, Oriano de Almeida, Valério Mesquita e José Octávio de Arruda Mello, este professor da UFPB.  Os novos sócios foram saudados pelo escritor potiguar Nilo Pereira, enquanto José Octávio em nome dos empossados.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Somos sefarditas ibéricos.

Poema dedicado a Ormuz Simonetti


Dos Oliveiras                   
sefarditas ibéricos
trago o sangue judaico
mas sou cristão
- nem novo nem velho –
por convicção.

Das margens do São Francisco
vejo as terras mais próximas
que lhes deu o sonho:
o planalto da Borborema
e o rio Espinharas
que bebe a seca dos sertões.

Dos Paivas                                    
que antes foram Baião
vem-me o sopro da poesia        
de João Soares de Paiva
o trovador primevo
que herdou do rio o seu nome.

Portanto posso dizer
que a dialética das águas
sempre me acompanhou
e que nem sempre sou o mesmo
embora meu destino
seja o mar.



                                   (Horácio Paiva, na ribeira do rio Pium)

quarta-feira, 5 de março de 2014

A Família Ribeiro Dantas de São José do Mipibú/RN

Carlos Alberto Dantas Moura possui uma ligação genealógica com a cidade de Macaíba; é descendente direto do Cel. Estevão Moura - senhor hereditário do Solar Ferreiro Torto e sobrinho do major Andrade - Antônio de Andrade Lima, chefe oposicionista em Macaíba, durante a República Velha.

Fechaspas. 

Abs. Chiq.


Segunda edição do livro A Família Ribeiro Dantas de São José de Mipibú

O meu amigo e confrade de Instituto de Genealogia, Carlos Alberto Dantas Moura, um dos pioneiros da pesquisa genealógica no RN, lança a segunda edição de seu livro genealógico e histórico: Família Ribeiro Dantas de São José de Mipibu, que vem a lume 25 anos após a primeira, publicada em Brasília. Nela o autor incorpora informações de outros livros de genealogia (principalmente de Famílias do Seridó, de Olavo Medeiros Filho e Villar & Cia 2, de Alcides Vilar. Os dois capítulos finais do livro Moreira Brandão, de meu tio paterno José Moreira Brandão Castelo Branco Sobrinho, geraram três apêndices do capítulo VIII : A-6.1) A descendência de Jerônimo Cabral da Câmara Filho, onde o material que ocupava apenas uma página foi expandido para onze, por causa das atualizações; A-6.2) A disposição do material sobre os Moura do RN na nomenclatura genealógica de filhos, netos, bisnetos, trinetos e tetranetos, com acréscimos e correções obtidos nos livros paroquiais de Natal; A-6.3) Descobertas sobre os Castelo Branco nos livros de São José de Mipibu.

Vários assentamentos antigos foram descobertos, documentando melhor a parte mais antiga da família, tanto pelo autor como por colegas genealogistas, aos quais foram dados os merecidos créditos.

Foi feita uma tentativa, com razoável sucesso, de estabelecer uma relação genealógica com os outros Dantas do Rio Grande do Norte, como os Dantas Correia do Seridó e os Dantas do Ceará-Mirim, que são primos dos do Seridó e dos de São José de Mipibu, com os Ribeiro Dantas.

Alguns capítulos foram ampliados com a ajuda de familiares dedicados, outros ficaram no mesmo estado, pelo desinteresse de parentes que foram consultados e não responderam.

Um apêndice sobre os Andrades Lima de Macaíba foi acrescentado, com base nas pesquisas do historiador e genealogista Anderson Tavares, e outro sobre os Azambuja do RS, colaboração de Helena Dantas Campello. A genealogia dos Tavares Guerreiro, que têm ligações com os Ribeiro Dantas e os Salles, foi bastante ampliada. Um capítulo dedicado aos Salles e aos Duarte de São José de Mipibu já existia na primeira edição.

Um novo capitulo (XII) foi escrito sobre os Messeder, família da esposa do autor, e de autoria de Octavio Henrique Coelho Messeder, com a contribuição de alguns primos para as gerações mais recentes.

Finalmente, um bom número de fotografias antigas foi anexado, com fotos dos álbuns de parentes zelosos das tradições familiares. Com estes acréscimos, o número de páginas da primeira edição mais que quadruplicou nesta segunda.

A escolha inicial de um meio da informática (DVD) para o lançamento foi feita motivada por seus custos muito mais baixos, o que não elimina uma futura edição em papel.
Carlos Alberto Dantas Moura possui uma ligação genealógica com a cidade da Macaíba; é descendente direto do Cel. Estevão Moura - senhor hereditário do Solar Ferreiro Torto e sobrinho do major Andrade - Antônio de Andrade Lima, chefe oposicionista em Macaíba, durante a República Velha.