domingo, 6 de abril de 2014

O livro de Noélia de Oliveira e algumas famílias do Seridó.

A história dos esquecidos

Carta de Paulo Araújo, direto do sítio da sua infância, no Totoró, para falar sobre o livro ‘Grandes Personagens do…

Carta de Paulo Araújo, direto do sítio da sua infância, no Totoró, para falar sobre o livro ‘Grandes Personagens do Sertão – a história dos esquecidos pela história, de Noélia de Oliveira que durante anos e anos andou por aquele mundo do sertão do Seridó. A carta de Paulinho é de um que não precisa acertar contas com o povo e a terra que conhece tão bem.

Serejo,
Saiu um livraço sobre o povo, a cultura, a riqueza do Seridó:  “Grandes Personagens do Sertão – A História dos Esquecidos pela História (Ed. Travessia, R$ 20,00), de Francisca Noélia de Oliveira, uma professora que durante 26 anos trabalhou como extensionista rural da Emater percorrendo as comunidades rurais de Currais Novos.
Trata-se daqueles textos deliciosos, sem qualquer pretensão acadêmica, recheado de sabedoria de quem escreve sobre o que viveu. Graças a Senhora Santana Noélia escreveu e publicou esse livro que lemos de uma sentada só (ou melhor, de uma deitada só numa rede, de preferência embaixo de um alpendre, como tive o prazer de fazer no último sábado).
Para além de ser um acerto de contas da autora com as suas memórias pessoais – e nós escrevemos principalmente para ir “em busca do tempo perdido”, como fez o francês Marcel Proust – “Grandes Personagens do Sertão” é um hino de amor ao Seridó, sua gente, seus costumes e sua história (com “h” minúsculo, pois a autora, acertamentadamente, fez a opção de se debruçar, de novo como os franceses da “Nova História”, sobre o cotidiano e a vida privada dos anômimos.
Dividido em três partes (Personagens e Coisas do Sertão; Poemas; e Ditos, Provérbios e Bençãos), o “Livro de Noélia”, como está se tornando conhecido por toda a gente em Currais Novos, terá lançamento oficial durante a Festa de Santana, no mês de julho próximo, mas o sucesso e a propaganda boca-a-boca certamente fará a autora esgotar a tirarem inicial de 500 exemplares rapidamente.
A saga da publicação do livro é um capítulo a parte. Vítima da falta de financiamento público ou particular, a autora fez um empréstimo bancário e encontrou, numa sobrinha que mora em Manaus e tem uma editora, o caminho mais fácil para ver impresso suas letras. Quantos escritores não “morrem na praia” nesse cenário onde é mais vantajoso financiar shows de bandas de forró de mau-gosto? Graças a Deus Noélia foi em frente e nos brindou com essa maravilha de livro!
Não dá pra dizer, daqui pra frente, que sabemos algo sobre o Seridó sem ler “Grandes Personagens…” Se para o escritor Oswaldo Lamartine, o especialista por excelência sobre o Seridó, essa região do Rio Grande do Norte “foi o que nos restou de civilização”, Noélia vem agora mostrar, por meio de histórias do cotidiano recolhidas no seio da sua família de origem rural, entremeadas por outras aprendidas nas suas andanças como extensionista pelos velhos sítios e fazendas, que estamos num lugar onde nunca houve, de fato, espaço para a barbárie.
Vamos ao conteúdo: imagine o que era viver no sertão entre a virada do século 19 até meados dos anos 90. Noélia nos conta, numa linguagem simples, gostosa de ler, detonadora daquele sentimento de saudade e constatação de “que era assim mesmo”, como eram os costumes, o modo de viver, a moda, a culinária, as crendices populares, o peso da religião, os embates sociais entre ricos e pobres e principalmente o amor que nós, os sertanejos, temos pela Mãe Terra.
Veja esse trecho, que belo: “Mexer com a terra, sentir o cheiro de terra molhada, colocar sementes e entupi-la com os pés, cuidá-la, adubá-la com carinho e depois colher seus frutos. Essa é a maior alegria e riqueza dos agricultores. (…) A terra é tão importante que te dá a vida e te acolhe na morte, te guardando em seu seio, para a eternidade”. Antes de ser moda, a ecologia já fazia parte da vida de Noélia.
Meu primeiro contato com a autora se deu no início dos anos 1980. Ela chegava na zona rural onde morávamos falando de igual para igual com todos. Montou um grupo de jovens em companhia da sua colega Marluce Soares e ensinou aos jovens a forma correta de lidar com a terra, fazê-la produzir mais. Às nossas mães, ensinou receitas fabulosas de doces caseiros – muitas das quais fez a fama da minha mãe, Dona Branca, ultrapassar divisas estaduais nesse Brasilzão. Isso não está dito no livro, pois a modéstia é uma das suas características. Mas é como se estivesse. Faz muita falta, hoje, na zona rural, figuras como Marluce e Noélia, que eram nossas grandes referências de sabedoria em busca de dias melhores – como chegaram.
Até hoje. Apesar de todas as facilidades trazidas pelos programas sociais, perdeu-se uma coisa que aquelas duas moças nos ensinaram: orgulho de ser “do sítio”. O livro, de certa forma, vem resgatar isso e deve ser, obrigatoriamente, objeto de leitura em todas as nossas escolas.
Voltando ao conteúdo, em textos curtos, que formam sub-capítulos independentes dentro dos três principais e podem ser lidos ao nosso bel prazer, é possível saber, por exemplo, que nas fazendas do Seridó as únicas coisas que precisávamos comprar eram pó de café, querosene para as lamparinas, fósforo e tecido para fazer roupas. Todo o restante produzíamos em casa, desde o sabão, a vassoura, os móveis, até o domínio das técnicas de conservação de alimentos como a carne e o queijo. Pode parecer pouco, mas na Europa Feudal isso não mais existia.
O Seridó era, e continua sendo, um mundo civilizado, bem longe das franjas o mar, com um sistema de justiça próprio, onde não havia lugar para mentiras e a palavra dada valia mais do que a letra lavrada. A separação entre o mundo dos adultos e das crianças, as brincadeiras junto à natureza, a descoberta do sexo, o respeito aos mais velhos, os ritos da vida e da morte, a geografia das casas e condução do lar aparecem no livro como se entremeado pelas anedotas, as histórias engraçadas, os apelidos que as pessoas colocavam nas outras e as chamadas pilérias (brincadeiras que até hoje funcionam como um código próprio, entre os seridoenses, quando alguém quer falar algo em privado).
Pois então, quando você passar por Currais Novos agora procure, na Papelaria A Mina de Ouro, o livro “Grandes Personagens do Sertão”, de Francisca Noélia de Oliveira.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Programa de Desenvolvimento Sustentável do Cariri, Seridó e Curimataú é tema de entrevista

 Programa de Desenvolvimento Sustentável do Cariri, Seridó e Curimataú é tema de entrevista 

http://www.espacoecologiconoar.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=28063&Itemid=1

Projetos produtivosPDFImprimirE-mail
ImagePrograma de Desenvolvimento Sustentável do Cariri, Seridó e Curimataú é tema de entrevista
 
A entrevista do Programa Espaço Ecológico, neste sábado (5),  será com  Miguel Davi, engenheiro agrônomo, mestre em Sociologia e Desenvolvimento. Ele é gerente de Investimento Produtivo do PROCASE-Programa de Desenvolvimento Sustentável do Cariri, Seridó e Curimataú.

Miguel Davi vai falar sobre o que é o PROCASE, quais os tipos de projetos são apoiados e qual o público beneficiado. O engenheiro agrônomo também vai explicar  como a questão ambiental encontra-se inserida nos projetos produtivos apoiados pelo PROCASE.

Outro assunto que ele vai comentar será sobre como ocorre a relação entre a matriz energética e os investimentos produtivos já utilizados no semiárido e o impacto no bioma da Caatinga.

O Projeto de Desenvolvimento Sustentável do Cariri, Seridó e Curimataú tem por objetivo melhorar de maneira sustentável a renda agrícola e não agrícola, os ativos produtivos, as capacidades organizacionais e as práticas ambientais nas áreas rurais mais pobres da região semiárida da Paraíba.

Resultado da parceria entre o Governo do Estado e o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), o projeto beneficiará 56 municípios do semiárido paraibano, onde serão investidos US$ 49,6 milhões, aproximadamente R$ 100 milhões de reais, sendo 50% dos recursos oriundos do FIDA e 50% do Governo, para um período de seis anos.

O Procase atuará em 56 municípios localizados em cinco territórios do semiárido paraibano, os quais apresentam os piores índices de desenvolvimento econômico e social, em uma macrorregião onde a probabilidade de secas é acima de 90% .   

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Com 10 anos de atividades, o Programa Espaço Ecológico continua  levando ao ar mensagens educativas, prestação de serviço, dicas ecológicas, poesias ecológicas, crônicas e entrevistas com pessoas ligadas ao meio ambiente. Clique aqui e conheça a revista comemorativa em homenagem aos 10 anos do Programa Espaço Ecológico.

 O programa Espaço Ecológico é veiculado todo sábado das 7h30 às 8h30 na rádio Tabajara FM 105.5 e pode ser escutado ao vivo. É só  clicar no ícone ao lado.

Principais notícias do programa
  • IPCC projeta cenário sobre o aquecimento global
  • Você sabe o que é Água Virtual?
  • Bioacumulação pode prejudicar a cadeia alimentar do homem
  • Brasil vive um conflito por água a cada quatro dias
  • Obras de esgotamento sanitário preparam municípios da Paraíba para receber águas do São Francisco
  • Chuvas no Sul e no Sudeste podem voltar ao normal só em 2016

terça-feira, 18 de março de 2014

Jerônimo de Barros, o "dono" da Capitania do RN que não obteve sucesso.

erça-feira, 18 de março de 2014

Jerônimo de Barros, o primogênito de João de Barros


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
A Casa da Índia era uma organização portuguesa que administrava os territórios ultramarinos de Portugal. Durante sua existência, foi a instituição econômica mais importante de Portugal. Era localizada no Paço da Ribeira, em Lisboa.

João de Barros, capitão das terras dos potiguares, foi Tesoureiro e depois Feitor da Casa da Índia, a partir de 1525. Renunciou ao cargo em 12 de agosto de 1567, talvez para concluir suas “Décadas”. Pouco tempo depois, 21 de outubro de 1570, faleceu.  Era casado com Maria de Almeida, filha de Diogo de Almeida e Catarina Coelho. Eram seus filhos: Jerônimo de Barros, o primogênito, casado com Loisa Soares, e faleceu em 20 de agosto de 1586; João de Barros que esteve aqui na Costa do Brasil, com Jerônimo, morreu na batalha de Alcácer-Quibir; Lopo de Barros,o mais moço, falecido em 3 de abril de 1587; Diogo de Barros; Isabel de Almeida, que casou com o primo Lopo de Barros; Ana de Almeida, freira; Catarina de Almeida, casada com Cristovão de Melo, filho de Diogo de Melo e de Catarina de Castro.
O Feitor, por conta da sua alta responsabilidade, nunca veio ao Brasil, tendo mandado duas expedições para a conquista das suas capitanias, sem muito sucesso, e com grande fracasso financeiro.

Conta Jerônimo de Barros, que no tempo de Dom João III, foi a mando dele, com o irmão João de Barros, ao Rio Maranhão, com uma armada para descobrir o dito rio e costa, na esperança de resgatar ouro, descobrindo mais de quinhentas léguas de costa. Ali, resgataram alguns homens que nela andavam dos que se perderam com Luis de Mello. Tiveram muito trabalho de guerra com os franceses e com o gentio da terra e povoaram em três partes, gastando perto de cinco anos, sustentando tudo a custa do seu pai, até gastar quanto tinha.
Transcrevo para cá minuta de petição de Jerônimo de Barros, sem data, mas depois do falecimento do seu pai (1570). Fiz algumas adaptações para facilitar a leitura.

Diz Jerônimo de Barros que ele tem uma capitania no Brasil de cinquenta léguas ao longo da costa dos Pitigares e vinte e cinco na boca do rio Maranhão. E já que seu pai, nem ele, por seus serviços, mereceram servir V. A. neste Reino como seu Pai sempre requereu, quer ir povoar esta capitania no que espera fazer a Deus e a V. A. muito serviço pela experiência que tem daquela costa do tempo que nela andou de que ficou tanta despesa, que sem ajuda de V. A. não pode povoar pelo que pede lhe faça V.A. mercê de lhe mandar dar cem moradores dos oitocentos, que o contratador do Brasil é obrigado a por lá; E assim, de haver por bem que possam entrar neste reino de Inglaterra cinco mil peças de pano no que as alfândegas de V. A. R. proveito e ele ajutoria para fazer esta obra(?). E que os primeiros dez anos possam tirar, cada ano, mil quintais de pau do Brasil; e, assim, de cinquenta peças de escravos em São Tomé e aqui somente duas peças de artilharia e da que está em Pernambuco oito peças para defesa da fortaleza a qual artilharia dará fiança. 

E lembro a V. A, que muito mais  e maiores mercês se fizeram aos capitães que povoaram no Brasil por que (a) alguns deles deram as fortalezas feitas e artilhadas e navios com que defender a costa. E há outros com que as fazer e se parecer muito, o que peço, a isso responda por mim a fazenda de V. A. com dizer o que tem custado à baia a povoar e se é necessário ou não povoar-se esta capitania, por uns apontamentos que abaixo desta apresento se verá quanta obrigação V. A. tem na sua consciência a mandar que se povoe e quanto importa a seu serviço e bastam para mim estas duas coisas para muito o desejar que interesse ao presente não o espero e, de futuro Deus sabe o que será no que R. M.

Ao serviço de V.A. é necessário mandar povoar esta capitania antes que os franceses a povoem os quais todos os anos vão a ela a carregar de Brasil por ser o melhor pau de toda a costa. E fazem já casas de pedra em que estão em terra fazendo comércio com o gentio. E os anos passados estiveram nesta capitania dezessete naus de França a carga e são tantos os franceses que vem ao resgate que até as raízes do pau brasil levam, porque tinge mais as raízes do que pau que nasce nesta capitania. Que o pau das outras capitanias é sempre valor dobrado do outro brasil. E agora tomaram os franceses nos Pitigares três mil quintais de brasil que o portugueses tinham na praia feitos a sua custa para carregar e antes que os franceses faça uma fortaleza que obrigue depois a muito, parece que será bom povoar-se por nós e com isso feito lhe não levarem este pau a França e ficará então rendendo mais a V. A.

Outro respeito se deve ter que muito importa ao serviço de V. A. É que todos os navios que se alevantam no Brasil para as Antilhas é com dizer que vão a esta capitania. E eles como nela são por não haver quem não defenda salteia o gentio e cativam-nos no que se faz muitas ofensas a Nosso Senhor e vão-se com os navios carregados deles a vender as Antilhas no que a fazenda de V. A. perde por respeito dos escravos de Guine que se escusa com estes índios que lá vão.

E o que mais importa para o bem do Brasil é a perda dos homens e eles por esta porta travessa para as Antilhas tomados do amor do ouro que lá há onde há tantos portugueses que me atrevo a dizer que dos que são idos para o Brasil as duas partes estão nas Antilhas onde há muitas povoações cujos moradores as duas parte são  de portugueses e o proveito que eles fazem às conquistas deste reino Deus o sabe.
Todos os navios que não dobram o Cabo de S. Agostinho são forçados arribar nas Antilhas e muitos dos que vão para a Guiné o que não será tendo uma fortaleza nesta capitania por que podem ficar nela a qual é a mais perto terra que há no Brasil a este reino e mais breve e melhor viagem e povoando-se além dos benefícios apontados pode este Reino receber outros e se naquela terra há ouro pelo que a meu pai tem custado sei que por esta parte se pode melhor descobrir que por outra nenhuma e não digo isto por que o visse mas quando me perguntarem direi o que disso sei.  E o principal respeito que se deve ter é a obrigação que se tem em acudir aquela gentilidade que não seja cada dia destruída e roubada pelos nossos (?) dos quais muitos receberão água do batismo com povoar entre eles e muitos inocentes se salvarão no que R. M.

Mapa das capitanias hereditárias

quarta-feira, 12 de março de 2014

112 anos do Instituto Histórico.

Descendentes de Marica Pegado, a raiz dos Pegado Cortez no Seridó do RN.


Nesta foto, feita no Rio de Janeiro, em 1956, vemos Maria Natividade Cortez Gomes, Oton Osório de Barros, neto de Maria Senhorinha Dantas Pegado Cortez- "Marica Pegado", Inês Dantas Cortês, esposa e prima de Oton, Janira (filha do 1º matrimônio de Oton Osoório de Barros) e Terezinha Cortez (filha de Alfredo Dantas Pegado Cortez), que participaram do Congresso Eucarístico Internacional. Maria Natividade Cortez Gomes era a esposa de Manuel Genésio Cortez Gomes, neto de Marica Pegado e filho de José Gomes de Mello Júnior e de Maria Cantionilla Dantas Cortês Gomes (há informações de que Cantionilla seria uma palavra espanhola), conhecida como "Madrinha Nanú". Foto cedida por Eva Barros, esposa de João Eduardo, bisneto de Manoel Pegado Cortez Júnior e "Marica Pegado".
Sérgio Murilo Cortez - filho de Napiê Cortez
Eu sou neto de Alfredo Pegado D. Cortez e Aura Gomes Cortez, meus tios informaram-me que a origem da família de Manoel Pegado Cortez e de seu irmão que colonizou terras no agreste do RN era espanhola, irei conversar com Eva (que é casada com um dos bisnetos de Manoel Pegado - João Eduardo). Manoel Pegado comprou uma Ata de terra que compreendia da Serra do Doutor (proximidade de Ubaeira) ate a entrada de Cero Corá, a distribuição das terras foram feitas para os filhos e algumas fazendas existem até hoje: Fazenda Santa Rita, Fazenda Balas (tio Quincó - Joaquim: pai de Olavo casado com Pepita e fazenda São Luiz - sede da família Pegado que administramos até hoje. Tem muito assunto para ser explorado e compartilhado com todos primos e primas.
Extraído do Facebook.

terça-feira, 11 de março de 2014

Há 30 anos, seis sócios tomaram posse no Instituto Histórico e Geográfico do RN.


Numa solenidade muito prestigiada, na noite do dia 29 de março de 1984, no auditório do Instituto Histórico e Geográfico do RN, o seu presidente Enélio Lima Petrovich, empossou seis novos sócios efetivos, dentre eles Luiz Gonzaga Cortez, Oriano de Almeida, Valério Mesquita e José Octávio de Arruda Mello, este professor da UFPB.  Os novos sócios foram saudados pelo escritor potiguar Nilo Pereira, enquanto José Octávio em nome dos empossados.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Somos sefarditas ibéricos.

Poema dedicado a Ormuz Simonetti


Dos Oliveiras                   
sefarditas ibéricos
trago o sangue judaico
mas sou cristão
- nem novo nem velho –
por convicção.

Das margens do São Francisco
vejo as terras mais próximas
que lhes deu o sonho:
o planalto da Borborema
e o rio Espinharas
que bebe a seca dos sertões.

Dos Paivas                                    
que antes foram Baião
vem-me o sopro da poesia        
de João Soares de Paiva
o trovador primevo
que herdou do rio o seu nome.

Portanto posso dizer
que a dialética das águas
sempre me acompanhou
e que nem sempre sou o mesmo
embora meu destino
seja o mar.



                                   (Horácio Paiva, na ribeira do rio Pium)

quarta-feira, 5 de março de 2014

A Família Ribeiro Dantas de São José do Mipibú/RN

Carlos Alberto Dantas Moura possui uma ligação genealógica com a cidade de Macaíba; é descendente direto do Cel. Estevão Moura - senhor hereditário do Solar Ferreiro Torto e sobrinho do major Andrade - Antônio de Andrade Lima, chefe oposicionista em Macaíba, durante a República Velha.

Fechaspas. 

Abs. Chiq.


Segunda edição do livro A Família Ribeiro Dantas de São José de Mipibú

O meu amigo e confrade de Instituto de Genealogia, Carlos Alberto Dantas Moura, um dos pioneiros da pesquisa genealógica no RN, lança a segunda edição de seu livro genealógico e histórico: Família Ribeiro Dantas de São José de Mipibu, que vem a lume 25 anos após a primeira, publicada em Brasília. Nela o autor incorpora informações de outros livros de genealogia (principalmente de Famílias do Seridó, de Olavo Medeiros Filho e Villar & Cia 2, de Alcides Vilar. Os dois capítulos finais do livro Moreira Brandão, de meu tio paterno José Moreira Brandão Castelo Branco Sobrinho, geraram três apêndices do capítulo VIII : A-6.1) A descendência de Jerônimo Cabral da Câmara Filho, onde o material que ocupava apenas uma página foi expandido para onze, por causa das atualizações; A-6.2) A disposição do material sobre os Moura do RN na nomenclatura genealógica de filhos, netos, bisnetos, trinetos e tetranetos, com acréscimos e correções obtidos nos livros paroquiais de Natal; A-6.3) Descobertas sobre os Castelo Branco nos livros de São José de Mipibu.

Vários assentamentos antigos foram descobertos, documentando melhor a parte mais antiga da família, tanto pelo autor como por colegas genealogistas, aos quais foram dados os merecidos créditos.

Foi feita uma tentativa, com razoável sucesso, de estabelecer uma relação genealógica com os outros Dantas do Rio Grande do Norte, como os Dantas Correia do Seridó e os Dantas do Ceará-Mirim, que são primos dos do Seridó e dos de São José de Mipibu, com os Ribeiro Dantas.

Alguns capítulos foram ampliados com a ajuda de familiares dedicados, outros ficaram no mesmo estado, pelo desinteresse de parentes que foram consultados e não responderam.

Um apêndice sobre os Andrades Lima de Macaíba foi acrescentado, com base nas pesquisas do historiador e genealogista Anderson Tavares, e outro sobre os Azambuja do RS, colaboração de Helena Dantas Campello. A genealogia dos Tavares Guerreiro, que têm ligações com os Ribeiro Dantas e os Salles, foi bastante ampliada. Um capítulo dedicado aos Salles e aos Duarte de São José de Mipibu já existia na primeira edição.

Um novo capitulo (XII) foi escrito sobre os Messeder, família da esposa do autor, e de autoria de Octavio Henrique Coelho Messeder, com a contribuição de alguns primos para as gerações mais recentes.

Finalmente, um bom número de fotografias antigas foi anexado, com fotos dos álbuns de parentes zelosos das tradições familiares. Com estes acréscimos, o número de páginas da primeira edição mais que quadruplicou nesta segunda.

A escolha inicial de um meio da informática (DVD) para o lançamento foi feita motivada por seus custos muito mais baixos, o que não elimina uma futura edição em papel.
Carlos Alberto Dantas Moura possui uma ligação genealógica com a cidade da Macaíba; é descendente direto do Cel. Estevão Moura - senhor hereditário do Solar Ferreiro Torto e sobrinho do major Andrade - Antônio de Andrade Lima, chefe oposicionista em Macaíba, durante a República Velha.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Luiz Eduardo Carneiro Costa, de Nova Cruz/RN.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Luiz Eduardo e outras pessoas conhecidas


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Em um artigo anterior informamos que os padrinhos de Therezinha de Morais Lucena eram os pais de Luiz Eduardo Carneiro da Costa. Vamos começar nosso artigo de hoje com este último, fazendo de antemão uma correção. O pai de Luiz não era Aurio, como me pareceu, mas Aério, como veremos a seguir, conforme me confirmou Valdemar, meu irmão, e o próprio Luiz Eduardo.

A quatorze de setembro de mil novecentos e quarenta e seis, nesta Catedral de Nossa Senhora da Apresentação, batizei solenemente a Luiz Eduardo, nascido a vinte e cinco de agosto de mil novecentos e quarenta e seis, filho de Aério Nicolau da Costa e de sua esposa D. Maria Otília Carneiro da Costa, avós paternos Sidrônio Nicolau da Costa e Anna Diamantina Costa; maternos Pedro Carneiro e Germina Morais Carneiro. Padrinhos José Lucena e Georgina Morais Lucena, Av. Rio Branco, 682. E para constar mandei fazer este termo que assino. Monsenhor José Alves Ferreira Landim.

Segundo Luiz Eduardo, seus pais moravam em Nova Cruz, mas por falta de parteira, sua mãe veio para Natal, e ele nasceu na casa de José Lucena e Dona Georgina. Dona Germina, avó de Luiz, era irmã de D. Georgina. Por um jornal, datado de 1911, da Hemeroteca Nacional, vi que Sidrônio Nicolau da Costa foi criador em Alagôa Grande, Paraíba. Casou em 1970 com Walquíria Borges.

Dra. Irandir, ginecologista, é médica de minha esposa. Seu nome, como é comum por estas terras, veio da combinação dos nomes dos pais dela.

Aos dois de fevereiro de mil novecentos e quarenta e sete nesta Catedral de Nossa Senhora da Apresentação de Natal, o Reverendíssimo Monsenhor João da Mata Paiva, Vigário Geral, batizou solenemente a Irandir Maria, nascida a quatorze de setembro de mil novecentos e quarenta e seis, à Travessa Pitimbú, 29, residência dos seus pais, filha de Jandir Dias de Souza e de sua esposa D. Iraci Bezerra de Souza, neta paterna de João Paulino de Souza e Juvina Dias de Souza, e materna de Pedro de Sá Bezerra e Beatriz Campos Bezerra. Padrinhos os avós paternos. E para constar mandei lavrar este termo que assino. Monsenhor Jose Alves Ferreira Landim. Pároco.
Na lateral do registro, há a informação que casou em 26 de agosto de 1973, com Romildo Batista de Farias (ou Faria), na Igreja de Nossa Senhora do O’ de Caicó.
Eurico Alecrim foi colega do Colégio Marista e, depois, contemporâneo, no Governo de Garibaldi Filho. Ocupou a Secretaria Adjunta de Recursos Hídricos. Irmão de Jomar Alecrim, que foi Pró-Reitor na UFRN. Segue batismo.

Aos treze de dezembro de 1946, na Catedral de Nossa Senhora da Apresentação de Natal, o Reverendíssimo Coadjutor Padre Benedito Basílio Alves, batizou solenemente a José Eurico Alecrim Filho, nascido a vinte e dois de janeiro de mil novecentos e quarenta e cinco, à Rua Laranjeiras nº 30, residência dos pais, filho legítimo de José Eurico Alecrim  e D. Maria Anunciada Andrade Alecrim, funcionários federais, naturais do estado, neto paterno de Lourenço da Costa Alecrim e Amélia Ferreira Alecrim, e materno de José Teixeira de Andrade e Cândida (Josefina) Teixeira de Andrade. Padrinhos Manoel Procópio de Moura, Tabelião Público, e sua esposa D. Lídia Pereira de Moura, Rua Vigário Bartolomeu, 606. E para constar mandei lavra este termo que assino. Monsenhor José Alves Ferreira Landim.

Outro colega de marista foi Odemar, irmão do neurologista João Rabelo. Segue o batismo dele.

Aos vinte e três de junho de mil novecentos e quarenta e seis, nesta Catedral de Nossa Senhora da Apresentação de Natal, batizei solenemente a Odemar Guilherme Caldas Junior, nascido a dezesseis de março de mil novecentos e quarenta e seis, à Rua Ceará-mirim, 269, residência dos pais, filho legítimo de Odemar Guilherme Caldas, militar, e de sua esposa D. Laura Rabelo Caldas, doméstica, neto paterno de Alfredo Guilherme de Sousa Caldas, e de Rita Câmara de Sousa Caldas; neto materno de João Batista Ferreira Rabelo e Hercília de Carvalho Rabelo. Padrinhos o 2º tenente Severino de Oliveira Mendes, e esposa D. Maria Amélia Mendes. E para constar mandei fazer este termo que assino. Monsenhor José Landim.

Informação lateral do registro diz que casou em 1 de fevereiro de 1969, com Olga Maria Rodrigues Bezerra, na Igreja Bom Jesus. D. Laura era irmã de Luiz de Carvalho Rabelo, príncipe dos trovadores potiguares.
Outro contemporâneo, no governo do Estado, foi Carlos José, que atuava no Departamento Estadual de Imprensa. É irmão de Isolda Melo Lemos e tio de Rubens Lemos Filho.

Aos nove de novembro de mil novecentos e quarenta e sete, nesta Catedral de Nossa Senhora da Apresentação de Natal, o Reverendíssimo Coadjutor Padre Benedito Basílio Alves, batizou solenemente a Carlos José Carneiro de Melo, nascido a nove de janeiro de mil novecentos e quarenta e seis, à Rua Camboim, 759, residência dos pais, filho legítimo de Joaquim Carlos de Melo, técnico agrícola, e de sua esposa D. Maria do Carmo Carneiro de Melo, neto paterno de Carlos Policarpo de Melo e Maria Calipsa de Melo; e materno de José Calazans Carneiro e Rita Gleyderst (?) Carneiro Padrinhos Bel. Manoel Augusto Bezerra de Araújo e D. Maria Olga Bezerril de Araújo, residentes à av. Rio Branco, 784. E para constar mandei fazer este termo que assino. Monsenhor José Alves Ferreira Landim.
Batismo de Jomar, irmão de Eurico

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Algumas informações genealógicas sobre os Pegado Cortez em Currais Novos, tendo em vista o salutar debate em andamento no FACEBOOK, através do grupo "Família Cortez no Seridó".

Rodrigo Cortez10 de fevereiro de 2014 15:13
Os filhos de Manoel Pegado Cortez Júnior (27/11/1838 – 14/07/1890) & Maria Senhorinha Dantas Cortez, (13/05/1848 – 04/06/1927), foram:
1. Manoel Pegado Dantas Cortez (29/12/1866 – 1950), c/c Úrsula Augusto de Araújo.
2. Luiza Idalina Dantas Cortez (10/10/1869 – 04/12/1927), c/c Theophilo Leopoldino Dantas (seu tio).
3. Maria Camila Dantas Cortez (15/02/1871 – 14/06/1895) c/c José Gomes de Melo Junior
4. João Elias Dantas Cortez (17/04/1872 – 15/11/1926) c/c Alexandrina Gomes Cortez.
5. Antonio Dantas Cortez (16/07/1874 – 03/11/1923) c/c Claudina Cortez.
6. Guilhermina Dantas Cortez (16/12/1875 – 17/10/1924) c/c Manoel Osório de Barros.
7. José Augusto Dantas Cortez (22/06/1877 - xx/xx/xxxx) c/c Amélia Gomes Cortez (sua sobrinha).
8. Francisca Olindina Dantas Cortez (05/03/1879 – 10/08/1917) c/c José Frutuoso Dantas.
9. Ana Cantionila Dantas Cortez (31/05/1880 – 1944) c/c José Gomes de Melo Junior (seu ex-cunhado).
10. Joaquim Pegado Dantas Cortez (30/10/1881 – 03/05/1967) c/c Guilhermina Dantas Cortez (sua sobrinha).
11. Cândida Dantas Cortez (15/01/1883 – 08/02/1948), solteira.
12. Olindina Cortez Pereira (12/11/1884 – 27/11/1924) c/c Vivaldo Pereira de Araujo.
13. Samuel Dantas Cortez (13/03/1886 – 1954), solteiro, com filhos.
14. Alfredo Pegado Dantas Cortez (10/08/1888 – 09/07/1978), c/c Aura Gomes Cortez (sua sobrinha).
15. Euclides Pegado Dantas Cortez (17/12/1889 – 16/06/1934), c/c Ozana Dantas Cortez (sua sobrinha) e depois com Luzia Celestino de Medeiros.
Histórico de comentário
Luiz Gonzaga Cortez
Luiz Gonzaga Cortez9 de fevereiro de 2014 19:43

Retificando: leia-se genealogicamente, na resposta anterior.
Luiz Gonzaga Cortez
Luiz Gonzaga Cortez9 de fevereiro de 2014 19:43

Genalogicamente, ligadissimos. Sim, da mesma nomenclatura. Todos os Dantas Cortez de Acary e região vêm Manoel Pegado Cortez Filho e Marica Senhorinha Dantas Pegado Cortez.

Em 09/02/14, Rodrigo
Rodrigo Cortez
Rodrigo Cortez9 de fevereiro de 2014 19:01
Que coincidência hein primo!!
Enzio Cortez
Enzio Cortez9 de fevereiro de 2014 14:47
Engraçado que nasci no mesmo dia de Manoel Pegado Cortez (27.11).

Rodrigo Cortez
Rodrigo Cortez8 de fevereiro de 2014 21:19
Túlio, Artur foi neto de dona Marica Pegado. Quanto ao Manoel Pegado Cortez Jr sabemos muito pouco. Diz-se que ele era filho bastardo. Seu pai deve ter sido um homônimo. Minha pesquisa dá conta que existiu um Manoel P. Cortez em Arez/Goianinha no final dos 1700 e meados dos 1800, era rico dono de engenho, juiz, capitao da guarda nacional e tal. Esta familia é muito influente no litoral Sul potiguar. E o marido de Marica foi quem trouxe esse sobrenome para todo o Serido.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

De Lopes Galvão ao coronel Zé Bezerra.

Do Sargento-Mor Francisco Lopes Galvão ao Coronel José Bezerra de Araújo Galvão: quase 300 anos de história do RN!
Por: Rodrigo Cortez
Uma das maiores gratificações obtidas nos estudos genealógicos é conseguir inserir as pessoas/famílias ao contexto histórico atravessado ao longo do tempo. Analisando o caso especifico da família Lopes Galvão, no Rio Grande do Norte, pode-se inferir que dos quase 370 anos transcorridos de sua chegada (ou do primeiro registro de sua presença) ao estado, até os dias atuais, seus descendentes participaram e evoluíram ao longo de todo este período. Não simplesmente vivendo a historia, mas em alguns casos até sendo protagonistas da mesma.
Os primeiros registros da família Lopes Galvão no RN se dão pelos irmãos Manuel e Francisco Lopes Galvão. Descendentes de fidalgos portugueses que desembarcaram no Brasil vindo diretamente nas caravelas de Pedro Álvares Cabral, eram valorosos guerreiros de Vossa Majestade, a ponto de serem destacados para combater os holandeses no RN (1638-1654) e o motim quilombola em Palmares. Inclusive a historia atribui a Manuel Lopes Galvão a autoria do disparo que feriu o líder Zumbi, em 1676.
Francisco Lopes Galvão foi destacado então como sargento-mor no Rio Grande do Norte, onde fixou residência e distribuiu sua prole. Dentre os inúmeros descendentes, destaque para Cipriano Lopes Galvão (1700-1764), Coronel de Ordenanças da Ribeira do Seridó e um dos seus primeiros sesmeiros. Este casou-se em Igarassú (ou Olinda) com uma nobre chamada Adriana de Holanda e Vasconcelos, descendente de Arnaud de Holland, fidalgo holandês, primo de reis/papas e etc. Fixam-se no sítio Totoró e auxiliam no povoamento da região do Seridó, sendo os fundadores de Currais Novos. Assim seus filhos, netos e bisnetos herdam sucessivos títulos militares e consequentemente a chancela política da região por praticamente 250 anos.
É neste ínterim que nasce José Bezerra de Araújo Galvão, trineto do Cel. Cipriano Lopes Galvão e pentaneto do Sgt-Mor Francisco Lopes Galvão. Nunca um coronel no Estado do Rio Grande do Norte teve mais poder e prestígio do que Zé Bezerra d’Aba da Serra, como era conhecido, de Currais Novos. Um poder imposto pela palavra sincera e conselheira; um prestígio emanado da amizade que dispensava a tantos quantos lhe recorressem em fases difíceis e, por isso mesmo, José Bezerra exerceu o seu poder dentro de um coronelismo paternalista, um coronelismo protetor. A ponto do jornalista Assis Chateaubriand assim o descrever: “Era divinamente telúrico. Exercia caciquismo naturalmente, como quem bebia água ou tomava pinga. Lealdade, fervor das coisas públicas, firmeza de convicções, eram os sucos das suas reservas. Imperava soberano, na latitude do Seridó, o Matusalém riograndense do Norte”.
Abaixo, o registro genealógico, bastante simplificado, que remonta a ligação entre os Lopes Galvão descritos acima:
1. Sargento-mor Francisco Lopes Galvão (irmão de Manuel Lopes Galvão, que feriu Zumbi dos Palmares em batalha e, 1676). Casou-se com Joana Dornelas, filha de Manoel Rodrigues Pimentel e Maria Lostrou Casa Maior:
2. Cipriano Lopes Pimentel (Francisco Lopes). Morador de Goianinha-RN. Casou-se com Thereza da Silva, filha de Felipe da Silva e Joana Salema:
3. Cipriano Lopes Galvão (Coronel Cipriano Lopes Pimentel – morador do Totoró. 1700-1764). Casou-se com Adriana de Holanda e Vasconcelos (1720-1793), filha de João da Rocha Moura e Maria Magdalena de Vasconcelos:
4. Cipriano Lopes Galvão (Capitão-mor Cipriano Lopes Galvão, fundados de Currais Novos. 1753-1813). Casou-se com Vicência Lins de Vasconcelos, filha de Francisco Cardoso dos Santos e Teresa Lins de Vasconcelos.
5. Cipriano Lopes Galvão Junior (Ciprianinho. 1769-1809). Casou-se com Teresa Maria José, filha de José Bezerra de Menezes e Maria Borges do Sacramento, em 26 fevereiro 1794.
6. Cap. Cipriano Bezerra Galvão (*1809 +1899). Casou-se com Isabel Cândida de Jesus (*1819 +1873), filha de Antônio Pereira de Araújo e Maria José de Araújo.
7. Cel. José Bezerra de Araújo Galvão (18/12/1844 a 05/02/1926). Casado em 09/01/1872, na fazenda Bulhões, com Antônia Bertina de Araújo (+Currais Novos/RN 03/12/1893), filha do coronel João Damasceno Pereira e Tereza Alexandrina de Jesus.


Rodrigo Cortez e as suas pesquisas de famílias do Seridó potiguar.

A Família Galvão
Texto de Rodrigo Cortez.
Divulgar essa história faz parte de um processo genuíno de amadurecimento e retorno à tradições que mantém acesas a chama dos valores familiares passados de pai para filho e que foram forçadamente esquecidos e quase extintos pela sociedade atual.
Esse esquecimento se deu especialmente depois da Revolução Francesa, especialmente no século XIX, quando os valores da sociedade burguesa passaram a predominar. Desta forma passou a valer “o ter”, enquanto “o ser” foi paulatinamente esquecido. Por isso, hoje, o ser humano vale pelo que tem e não pelo que é.
A história da Família Galvão consta nos Armoriais[1] de Genealogia e Heráldica da Europa, sendo um sobrenome português cuja origem era tida como incerta. Nos documentos mais antigos encontra-se grafado como Galvam, como era no português arcaico. Alguns estudiosos apontavam que a palavra teria sua origem no latim Galbanus, nome de uma planta sempre verde. Outros diziam ser uma palavra do gaulês[2] Gwalwanus, espécie de falcão branco, ou, mais ainda, originário do galês[3] Gwalchmal, que significa cortês.
Os portugueses consideram Dom Pedro Galvão como o fundador da família.Esse rico cavaleiro da corte, falecido em 1170, foi sepultado em um mosteiro que ele próprio construiu e doou à uma Ordem Religiosa. Mas, ao que parece, esta família é inglesa e traz suas origens no clã de Galvim daquele reino.
Os estudos atuais dizem que o nome Galvão deriva da palavra galesa “Gwalchmei” e significa “Falcão de Maio”. O uso do sobrenome teria início em “Sir Gawaine”, filho primogênito do último rei de Orkney[4]. Segundo a lenda, Sir Gawaine, teria pertencido à Ordem de Cavaleiros Sagrados da Távola Redonda cujo líder era Sir Arthur Pendragon, rei da Bretanha, senhor do castelo de Camelot, detentor do poder da espada de Excalibur.
De Gawaine à Galvão
            Ninguém sabe ao certo sob a linhagem vinda de Argwaine II, filhoprimogênito de Sir Gawaine, mas um certo Leonie Mc Gawaine teria existido 300 anos depois do patriarca Gawaine. Ele teria sido o possível bisavô de Dom Nícolas Emmanuel Martin Mc Gawaine, que foi morar na França e fundou a dinastia de "Gwain" depois de ser sagrado cavaleiro templário pela espada do rei Francês Dom Luiz IX, o santo. Como cavaleiro templário, era seu dever guardar e proteger o “Santo Graal”, relíquia que Gawaine teria ajudado a achar e trazer para o ocidente.
A Ordem dos Templários ficou muito poderosa e atraiu a cobiça dos monarcas que tentavam centralizar o poder na Baixa Idade Média. Devido às perseguições que ocorreram na França, os Templários foram aniquilados e é bem possível que Dom Nícolas e sua família tenham fugido e se espalhado por todo o sul da Europa. É desse Dom Nícolas, que viveu por volta do século X, que vem a linhagem e o brasão ocidental. Dele surgiu os "Galvão" em Portugal, os "Galvez" na Espanha e os “Galvani” na Itália.
A família em Portugal
            Os Templários foram acolhidos secretamente em Portugal, pela Ordem de Cristo, fundada pelo rei Dom Diniz (1279-1325), e contribuíram na expulsão dos mulçumanos e nas conquistas marítimas. A cruz vermelha dos templários era o emblema que aparecia nas velas dos navios portugueses e também nos marcos de pedra e edifícios das possessões lusitanas na África, Ásia e América do Sul. Parte da receita da Ordem de Cristo era oriunda das explorações de além-mar, como recompensa pelo apoio dos Templários no começo dessa expansão.
A história da família Galvão de Portugal consta como tendo origem em Dom Pedro Galvão, um abastado cavaleiro da corte lusitana, falecido em 1170. Esse Pedro Galvão é um provável descendente de Nícolas Emmanoel, que viveu e foi cavaleiro na corte francesa.
A família no Brasil
 Os Galvão chegaram ao Brasil nas caravelas comandadas por Pedro Álvares Cabral, que era membro da Ordem de Cristo. Nesse momento inicial não ocorreu ocupação e eles não se fixaram no território. Ao longo da história ocorreram várias chegadas de membros da família em pontos diferentes do Brasil. Há em São Paulo a família Galvão de França e Galvão Bueno. No rio Grande do Sul existe até um município com o nome de Galvão. No Nordeste foram os Lopes Galvão que se fixaram.
A família noNordeste
            Os Galvão chegaram ao Nordeste no século XVII e participaram das lutas dos nordestinos contra a ocupação holandesa. Uma lenda fala de três irmãos portugueses que foram morar em Pernambuco: um ficou naquela capitania, Manoel Lopes Galvão; o segundo, Francisco Lopes Galvão, foi para o norte (Rio Grande do Norte); e o terceiro, Cipriano Lopes Galvão, foi para o sul (Bahia). É isso que diz a tradição oral.
A família no Rio Grande do Norte
            A história aponta que Manoel Lopes Galvão esteve no Rio Grande do Norte, em 1640. Ele fazia parte da esquadra do Conde da Torre e participou da lendária batalha marítima, entre os dias 12 e 17 de janeiro, contra os holandeses. Depois de uma violenta luta no mar, 1.400 homens desembarcaram na capitania sob o comando do mestre-de-campo Luís Barbalho Bezerra. Este evento ficou conhecido como “retirada de Barbalho”, pois a tropa resolveu voltar para a Bahia passando a pé por Pernambuco, território holandês.
Além de Manoel Lopes Galvão, estiveram nesse evento Francisco Barreto, Hilário Nunes de Matos, Amaro Velho de Cerqueira, Lourenço de Brito Correia, Manuel de Hinojosa, Lourenço Cavalcanti de Albuquerque, Manuel Camelo, Manuel Alves, Manuel de Araújo, Pedro Gomes, Manuel Carvalho Fialho, Pedro de Oliveira, Pedro do Canto Coelho, Francisco Pereira Guimarães, Gregório Peixoto, Antônio de Andrade, Ascenso da Silva, Pedro de Miranda, Antônio da Cunha Abreu e os irmãos Valentim e Luís Pedroso de Barros. Observem que a maioria desses personagens históricos trazem sobrenomes conhecido na atualidade e que, possivelmente, são os fundadores das famílias atuais.
Manoel Lopes Galvão ainda esteve no quilombo de palmares, onde foi o responsável pelos disparos que feriu o líder Zumbi, em 1676. Nesses eventos, Francisco Lopes Galvão, seu irmão, também deveria estar ao seu lado. Depois do domínio holandês, esse Francisco Lopes Galvão era Sargento-mor e veio para o Rio Grande do Norte, passando a morar no povoado de Goianinha, onde casou-se com uma neta de João Lostal Navarro[5], Joanna Dorneles Pimentel. Um de seus três filhos, Cipriano Lopes Pimentel, foi dono de terras em Barra do Cunhaú.
Cipriano Lopes Pimentel casou-se com Tereza da Silva e tiveram sete filhos. Um deles, Cipriano Lopes Galvão, fundou a família Galvão na região do Seridó, no Rio Grande do Norte. Outro filho, ou neto, Lázaro Lopes Galvão, que casou com Isabel de Bezerril, foi Presidente da Câmara Municipal em Vila Flor[6] entre 1813 e 1817. Lázaro Galvão deveria ser um político de prestígio e aliado da família Maranhão, no início do século XIX. Dessa forma deve ter sido perseguido pelo apoio dado ao movimento revolucionário de 1817[7], que implantaria o primeiro regime republicano no Brasil. 

[1] Antigos livros onde eram registrados os brasões das famílias.
[2] Língua céltica que era falada no território da atual França e a Noroeste da Itália. Dessa língua sobraram apenas algumas inscrições esparsas além da toponímia da região.
[3] Língua céltica falada no País de Gales e que, atualmente, possui o status de língua oficial, ao lado do inglês.
[4] Um agrupamento de ilhas da Escócia.
[5] João Lostal Navarro era um dos católicos presente no Morticínio de Uruaçu e beatificado pelo Papa em 2000. Sua filha foi casada com Joris Garstman, comandante holandês do Forte dos Reis Magos. Deste surgiu também a família Gracimam Galvão.
[6] Juiz Ordinário e Presidente do Senado em Vila Flor.
[7] Revolução Pernambucana de 1817. O movimento atingiu as províncias de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, onde foi proclamado um governo republicano e a independência em relação ao império português governado por Dom João VI. André de Albuquerque Maranhão foi o líder do movimento em terras potiguares.
Por: Francisco Alves Galvão Neto (http://www.uniblog.com.br/tododia/353438/a-familia-galvao.html